sábado, 31 de outubro de 2026

Minimalismo? Não, obrigada

Acho interessante quem consegue viver sem acumular tranqueiras, mas acho esquisito quem tem uma casa clean demais, como se fosse um folheto de Casas Bahia, sem decoração, sem marcas pessoais, sem um negocinho fora do lugar.
Gosto de casa que você olha e percebe que alguém mora ali, que existe uma vida acontecendo. Gosto de prateleiras cheias de cacarecos, de paredes cheias de quadros, de cantinhos cheios de histórias.
O problema é que isso me faz andar na linha estreita entre ser uma cacareco girl e uma acumuladora.
Essa semana, inclusive, assistindo ao Tiny Desk da Adriana Calcanhoto (lindo showzinho! Recomendo), observei o cenário e concluí que meu quarto parece o cenário do Tiny Desk: tem miniatura pra todo canto, pouco espaço pra circulação, quase nada de parede visivel/disponível, itens escondidos, coisas divertidas... Só não tenho uma banda tocando no meio do quarto.
Vou providenciar uma bandinha pra se apresentar no meio do meu quarto.

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Trilha Sonora: Tô vendo review de coisa gostosa no YouTube enquanto estou enrolando pra ir almoçar.

sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Detox de redes sociais

Depois de semanas muito frenéticas, postando, curtindo, compartilhando e lendo muito sobre política na internet, decidi dar um tempo de redes sociais e comecei tirando os atalhos do Instagram e Bluesky da tela inicial do celular.
Ainda não desinstalei, porque a gente precisa ir com calma nessas coisas de vício em drogas, né? Vai que eu tenho um piripaque?!
No lugar do atalho do Instagram, coloquei o atalho do Kindle e ontem terminei de ler um livro que tava enrolando há meses para acabar.
No lugar do bsky, coloquei o Pinterest e essa semana já salvei tantos pins na pasta "Life in the dreamhouse" que, definitivamente, se sonhar com força ajuda a realizar os sonhos, em breve terei minha própria casinha, com as decorações e móveis que quero.
Tô jogando mto mais joguinhos de celular, o que não é exatamente bom, mas pelo menos tô no meu mundinho, sem nada externo me ocupando a mente.
Também tô vendo mais YouTube com foco no vídeo, sem distrair a atenção com outros vídeos no celular.
Minha próxima meta é voltar a escrever mais aqui (meta antiiiiga) e nos meus cadernos.
Vamos ver quanto tempo dura essa empreitada. Por enquanto tô satisfeita com os resultados.

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Trilha Sonora: TV ligada, cachorro latindo e minha mãe falando comigo.

domingo, 27 de setembro de 2026

A Razão Dos Meus Motivos

Pode ser que daqui a uns 20... 30 anos, conversando com alguém sobre os motivos que me fizeram optar pelo divórcio, eu explique coisas diferentes das que estou explicando agora, com tudo ainda tão fresco, a situação em curso, se desenrolando há poucos dias (embora eu já estivesse decidida há mais tempo).
Pode ser que eu responda que li um livro no começo do ano e senti uma identificação desconfortável com a personagem, casada, mãe, vivendo uma realidade distante dos seus sonhos e expectativas. 
Talvez eu tenha sentido que Codinome Beija Flor fale um pouquinho comigo quando pergunta pra que mentir, fingir que perdoou. Porque eu trago no meu peito mágoas demais que eu não sei se perdoei mesmo ou se porque elas doem demais, mesmo perdoando, não consigo esquecer.
Eu acho que me identifiquei mais do que eu deveria (não que a gente escolha se identificar ou não com as coisas) com a Celine do terceiro filme da trilogia Before e entendi de forma tão profunda aquela cena em que ela e o Jesse assistem ao pôr do sol enquanto ela fala "Still there. Still there. Still there. Gone." E todas as angústias e dúvidas e mágoas dela ao longo de anos acabaram brotando naquele momento de lucidez e poesia, quando você sabe que uma coisa tão bonita e que parecia tão permanente acabou. O sol ainda está lá, a gente sabe, mas se a gente não consegue ver depois que o último raio deixa de brilhar no horizonte... Significa que aquele dia acabou. O sol não morre, mas se a gente deixa de ver, parece que ele não existe mais. Ainda que volte depois, ainda que esteja brilhando para outras pessoas, em outros cantos do planeta.
Pode ser que daqui a 20... 30 anos eu tenha criado outras explicações e analogias mais simples para responder a quem não entende o que estou tentando explicar pra mim mesma ainda.
Eu sei dos meus motivos, mas eu ainda questiono todos eles porque, no fundo, eu queria mesmo estar errada.


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sábado, 25 de julho de 2026

Sobre o post anterior e a velha internet

Tem um desenho que gosto muito (e assisto desde que eu estava no ensino médio), Futurama, que se passa no ano 3000, na Nova Nova York.
A Nova Nova York foi construída em cima da velha Nova York, que virou uma espécie de esgoto ou depósito de tudo o que o futuro despreza e não tem mais utilidade.
Enquanto escrevia o outro post, me dei conta que é como a internet: existia uma comunidade aqui, uma "civilização", uma coisa viva e em crescimento.
De repente, não sei bem quando e nem como, construíram uma nova internet em cima dessa velha internet e todo mundo foi pra lá.
Ninguém destruiu a velha internet, nem nos expulsou daqui ou nos forçou a ir para a nova internet. As pessoas só escolheram ir embora para a nova internet e deixaram suas coisas aqui "embaixo". De vez em quando alguém volta, tira a poeira, fala com o vento, brinca de gritar pra ver se o eco responde e depois vai embora, de volta para a nova internet. Porque todo mundo está lá. E o "lá" é bem aqui, logo acima.
Talvez por isso eu tenha a sensação de que estou sozinha aqui, enquanto todo mundo também está aqui, mesmo que eu não veja ninguém.
É só uma questão de superfície e subterrâneo. Ou de porão e terraço.


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Trilha Sonora: The Smashing Pumpkins - Tonight, Tonight. Curiosamente o clipe combina com o que acabei de escrever sobre mundo subterrâneo, mundo novo e tal.

Quase 20

De todas as vezes que larguei esse blog abandonado e tentei voltar, essa tem sido a tentativa de maior sucesso, ainda que eu escreva bem menos do que eu gostaria e muito menos do que eu costumava escrever.
Em tempos de "sucesso" desse blog (que nunca foi famoso, mas tinha bastante leitor assíduo e interação nos comentários), teve dia que eu postava 3... 4 vezes por dia. Acho que teve semana que postei todos os dias.
Eu gostava muito de escrever e, principalmente, tinha muito para falar. Muitas opiniões, muitos achismos, muitas certezas, muitos pensamentos escorregando pelos meus dedos.
A internet parecia maior, mais cheia de gente, mais cheia de lugares para ir. E a internet, propriamente dita, funcionava muito precariamente, com baixa velocidade em computadores extremamente lentos. Especialmente no meu caso, que nunca tive computadores potentes para jogos e a conexão em casa era sempre a mais em conta, suficiente para baixar música, fazer pesquisas e usar o MSN. No meio disso, tinha o blog.
Depois, conforme a internet deixou de ser um lugar de lazer e passou a engolir tudo, virou esse monstro que existe agora, que todo mundo é obrigado a estar na internet todos os dias, querendo ou não (precisa dela pra trabalhar, pra usar banco, para falar com a família, para mandar um recado, para matar saudade, ouvir música, assistir TV, saber previsão do tempo, ver receita de bolo, estudar, tirar dúvida, conhecer gente nova.... Credo!), eu também me vi sendo levada para caminhos novos na minha própria vida, responsabilidades e preocupações que não tenho mais tempo de descarregar aqui, problemas que em algum momento passei a achar que são pessoais demais para expor tanto.
Se antes era aqui que eu me acalmava, colocava a cabeça no lugar, agora é longe da internet que faço isso. Descobri hobbies novos e tenho investido cada vez mais tempo e dinheiro nesses hobbies justamente para ficar menos tempo na internet, que, vejam só, era o meu hobby preferido.
Não sei... Talvez antes a internet fosse como um clubinho secreto que, embora tivesse muito mais gente passeando e se falando, tinha muito menos gente conhecida em contato. O offline e o online pareciam nunca se cruzar.
Agora, com absolutamente todo mundo na internet, parece que a qualquer momento alguém pode achar meu blog e compartilhar um print no TikTok ou Instagram, marcando minha @ e acabando com a minha privacidade. Mas se for pensar racionalmente, isso nem faz sentido, já que as pessoas nem acessam mais sites e blogs pessoais. Tudo é app e rede social da moda.
É estranho. Ao mesmo tempo que tá todo mundo aqui na internet, parece que não tem mais ninguém aqui na internet. É uma coisa "Quanta gente!!! Cadê todo mundo?" e isso me deixa desconfortável.

Enfim, tudo o que eu queria dizer é que ano que vem, 2027, esse blog fará 20 anos. E 20 anos é tempo demais!
Muita mudança, muita coisa nova, muitos sentimentos, muitas memórias. Tudo (ou quase tudo) registrado aqui, nesse meu puxadinho esquecido na velha internet.

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Trilha Sonora: The Jesus And Mary Chain - Sometimes Always