domingo, 1 de novembro de 2026

Esquema de pirâmide

Coloquei timer no Instagram e no Bsky. Agora tenho só 30 min de cada app e quando bate 29 min, o celular avisa que tá acabando e aí, em 30 min, o aplicativo fecha na minha cara.
É bom porque agora eu não fico perdendo tempo vendo coisa que nem me interessa de verdade.
Quero diminuir meu uso de rede social até chegar num ponto que as pessoas vão pensar "será que ela me bloqueou?" e aí vão lá me procurar e, quando perceberem que não foram bloqueadas, vão pensar "será que ela morreu?!" e aí vão rezar pela minha alma, que estará bem tranquila, descansando ainda encarnada no meu corpo.
Assim, ficarei cada vez mais abençoada porque todo mundo vai estar rezando por mim e eu vou seguir sem precisar ir para a igreja, já que as bençãos chegarão no delivery celestial que outras pessoas estarão mandando entregar pra mim.
Sou muito esperta.

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Trilha Sonora: Fantástico, mas sem a depressão de domingo, porque amanhã é feriado. 

Ovinho de Amendoim

Gosto muito de ovinho de amendoim (quando eu era criança, minha mãe chamava de ovinho de lagartixa).
Ontem, comendo ovinho de amendoim, fiquei pensando do que é feita a casquinha e fui ler os ingredientes: fécula de mandioca.
Daí isso me gerou outra dúvida: como faz pra ficar redondinho e o amendoim lá dentro?
Fui ao Google e descobri que é feita uma massa com banha de porco, fécula de mandioca e alguma coisa que já esqueci, daí você abre a massa na mão e recheia com o amendoim, depois enrola igual brigadeiro e coloca pra fritar em óleo no fogo médio. Pra durar mais tempo e deixar mais sequinho e crocante, depois de frito, coloca pra assar um pouco.
Agora eu "sei fazer" ovinho de amendoim, caso eu queira fazer ovinho de amendoim.
E tudo graças ao meu afastamento do Instagram.

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Trilha Sonora: sons da natureza ao redor. Os grilos, uma buzina bem longe, uma calha gotejando, uma criança gritando do outro lado da rua.

sábado, 31 de outubro de 2026

Minimalismo? Não, obrigada

Acho interessante quem consegue viver sem acumular tranqueiras, mas acho esquisito quem tem uma casa clean demais, como se fosse um folheto de Casas Bahia, sem decoração, sem marcas pessoais, sem um negocinho fora do lugar.
Gosto de casa que você olha e percebe que alguém mora ali, que existe uma vida acontecendo. Gosto de prateleiras cheias de cacarecos, de paredes cheias de quadros, de cantinhos cheios de histórias.
O problema é que isso me faz andar na linha estreita entre ser uma cacareco girl e uma acumuladora.
Essa semana, inclusive, assistindo ao Tiny Desk da Adriana Calcanhoto (lindo showzinho! Recomendo), observei o cenário e concluí que meu quarto parece o cenário do Tiny Desk: tem miniatura pra todo canto, pouco espaço pra circulação, quase nada de parede visivel/disponível, itens escondidos, coisas divertidas... Só não tenho uma banda tocando no meio do quarto.
Vou providenciar uma bandinha pra se apresentar no meio do meu quarto.

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Trilha Sonora: Tô vendo review de coisa gostosa no YouTube enquanto estou enrolando pra ir almoçar.

sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Detox de redes sociais

Depois de semanas muito frenéticas, postando, curtindo, compartilhando e lendo muito sobre política na internet, decidi dar um tempo de redes sociais e comecei tirando os atalhos do Instagram e Bluesky da tela inicial do celular.
Ainda não desinstalei, porque a gente precisa ir com calma nessas coisas de vício em drogas, né? Vai que eu tenho um piripaque?!
No lugar do atalho do Instagram, coloquei o atalho do Kindle e ontem terminei de ler um livro que tava enrolando há meses para acabar.
No lugar do bsky, coloquei o Pinterest e essa semana já salvei tantos pins na pasta "Life in the dreamhouse" que, definitivamente, se sonhar com força ajuda a realizar os sonhos, em breve terei minha própria casinha, com as decorações e móveis que quero.
Tô jogando mto mais joguinhos de celular, o que não é exatamente bom, mas pelo menos tô no meu mundinho, sem nada externo me ocupando a mente.
Também tô vendo mais YouTube com foco no vídeo, sem distrair a atenção com outros vídeos no celular.
Minha próxima meta é voltar a escrever mais aqui (meta antiiiiga) e nos meus cadernos.
Vamos ver quanto tempo dura essa empreitada. Por enquanto tô satisfeita com os resultados.

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Trilha Sonora: TV ligada, cachorro latindo e minha mãe falando comigo.

domingo, 27 de setembro de 2026

A Razão Dos Meus Motivos

Pode ser que daqui a uns 20... 30 anos, conversando com alguém sobre os motivos que me fizeram optar pelo divórcio, eu explique coisas diferentes das que estou explicando agora, com tudo ainda tão fresco, a situação em curso, se desenrolando há poucos dias (embora eu já estivesse decidida há mais tempo).
Pode ser que eu responda que li um livro no começo do ano e senti uma identificação desconfortável com a personagem, casada, mãe, vivendo uma realidade distante dos seus sonhos e expectativas. 
Talvez eu tenha sentido que Codinome Beija Flor fale um pouquinho comigo quando pergunta pra que mentir, fingir que perdoou. Porque eu trago no meu peito mágoas demais que eu não sei se perdoei mesmo ou se porque elas doem demais, mesmo perdoando, não consigo esquecer.
Eu acho que me identifiquei mais do que eu deveria (não que a gente escolha se identificar ou não com as coisas) com a Celine do terceiro filme da trilogia Before e entendi de forma tão profunda aquela cena em que ela e o Jesse assistem ao pôr do sol enquanto ela fala "Still there. Still there. Still there. Gone." E todas as angústias e dúvidas e mágoas dela ao longo de anos acabaram brotando naquele momento de lucidez e poesia, quando você sabe que uma coisa tão bonita e que parecia tão permanente acabou. O sol ainda está lá, a gente sabe, mas se a gente não consegue ver depois que o último raio deixa de brilhar no horizonte... Significa que aquele dia acabou. O sol não morre, mas se a gente deixa de ver, parece que ele não existe mais. Ainda que volte depois, ainda que esteja brilhando para outras pessoas, em outros cantos do planeta.
Pode ser que daqui a 20... 30 anos eu tenha criado outras explicações e analogias mais simples para responder a quem não entende o que estou tentando explicar pra mim mesma ainda.
Eu sei dos meus motivos, mas eu ainda questiono todos eles porque, no fundo, eu queria mesmo estar errada.


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