Nunca saí do país (posso dizer que nem do estado de SP eu saí, porque a única vez que pisei fora do limite de estado foi por algumas horas, só pra ir até o Paraná, que é aqui do ladinho, na formatura da minha irmã).
Só que ninguém precisa ter o passaporte cheio de carimbos pra saber qual é a imagem que os gringos têm de nós. Basicamente: carnaval, samba, mulata, e futebol. Isso com a floresta amazônica ao fundo e um copo de caipirinha na mão.
Mas quem é brasileiro sabe, o Brasil é muito mais que isso. E o Brasil é muito mais que muita coisa para cada um que vive aqui.
Se eu fosse guia turística, mostraria para os turistas o seguinte:
* Culinária basicona do Brasil. Nada das comidas baianas que todo turista conhece, nada do brigadeiro que já virou produto gourmet lá fora, nada da feijoada que toda escola de samba faz nas quadras pra engordar visitas. Eu mostraria o nosso arroz, feijão, bife e batata frita com saladinha de alface e o temperinho made in Brasil mesmo. E empadinhas de boteco. Coxinha não, que já virou estrelinha também. E escondidinho de carne seca com mandioca. E carne seca com cebola. E, a comidinha clássica da minha infância, ensinada pelo meu avô: arroz, feijão e farinha pra fazer bolinho e comer com a mão.
* Música brasileira além da Bossa Nova e Samba. Quando penso em música com cara de Brasil, Cordel do Fogo Encantado me vem na cabeça no mesmo instante. Acho que existe pouca coisa tão verdadeiramente brasileira do que Cordel. Já começa no nome da banda, fazendo referência à Literatura de Cordel, que apesar de ter vindo de Portugal, ganhou a cara do Brasil quando se popularizou no nosso Nordeste. Outra banda bem Brasil é Nação Zumbi.
São estilos que se parecem um pouco com ritmos africanos por causa da percussão bem marcada. Mas, como o Brasil adota um pouco de cada cultura e molda com a nossa cara, não tem nada mais brasileiro do que a música feita por essas bandas estilo Cordel e Nação Zumbi.
* Botecos. Acho que não tem em outro lugar boteco estilo os brasileiros. Tem pub, tem cafeteria, tem restaurante, tem lanchonete, mas botecão, aquele "pé sujo", com estufa de salgados e mesinhas dobráveis com logo das cervejas, isso só tem aqui. Ou não? Mesmo que tenha em outros lugares, o estilo botequeiro (eu disse boTEqueiro. Favor não ler errado) é uma coisa muito nossa.
* Pastel de feira com caldo de cana. Preciso explicar? Fica até numa categoria fora da culinária, porque não é SÓ comer o pastel e tomar caldo de cana. Tem toda a coisa de ir andar na feira, ouvir a gritaria, esbarrar nos carrinhos, escorregar num tomate caído no chão, sentir o cheiro dos temperinhos moídos na hora... É uma experiência sem comparação.
Então, turistas que queiram conhecer o Brasil fora do tradicional "carnaval+feijoada+mulata+floresta+futebol", procurem minha agência de viagens e agendem seus passeios.
Mentira.
Mas se quiserem impressionar uma galera gringa, experimentem minhas dicas. Acho difícil isso falhar e não fazer um estrangeiro se apaixonar pelo menos mais um pouquinho pelo Brasil.
***
#VaiTerCopaSim - Outro tema proposto pelo Rotaroots.
***
Trilha Sonora: Sem música hoje.
terça-feira, 10 de junho de 2014
domingo, 8 de junho de 2014
Um Meme e Um Grupo
Internet Old School
A proposta desse meme é falar sobre o que eu fazia quando comecei a usar internet.
Em 1998...1999 meu pai chegou em casa com um trambolho chamado computador. Não sei quais eram as configurações, mas sei que ele rodava um Windows 95 e era de segunda mão, logo, não devia ser nada muito extraordinário em termos técnicos, mas era extraordinário porque, mano! era um computador de verdade! Igual aos que a gente só via em agências bancárias e filmes americanos.
O primeiro computador que vi e "mexi" na minha vida foi na casa de uma amiga da minha mãe, mas ele estava com algum problema ou tinha senha e por isso não chegava a sair da tela inicial do DOS, onde ficava escrito Energy Star com o desenho da estrelinha. Ele era usado pra brincar de escritório, mas na verdade não fazia coisa nenhuma, já que, além de não funcionar, a gente nem sabia o que podia ser feito com ele.
Então, voltando ao meu primeiro computador, quando meu pai chegou em casa com ele e vimos que um computador tinha mais coisas além da tela preta com o desenho da estrelinha, ficamos maravilhadas! Eu e minha irmã fuçamos em tudo o que pudemos: paciência, copas, free cell, campo minado, protetor de tela, papel de parede editável... eram tantas as possibilidades! Mentira. Era bem pouca coisa, mas era muito legal.
Pra ter uma noção, a gente nem tinha mesa pra colocar o computador e ele passou anos em cima da mesa de jantar mesmo, ocupando um lugar que nunca podia ser usado por alguém que quisesse comer na mesa.
Algum tempo depois meu pai apareceu com um CD de joguinhos. Nos divertíamos mais ainda! Super tecnologia!
Até que, um dia, ele chegou com um disquete em casa com um adesivo de um ursinho e o nome Bimba.
Pausa dramática: pelo amor de Deus, se alguém souber o que era esse tal Bimba, me explica, porque até hoje não sabemos e meu pai não se lembra direito pra poder nos explicar. Só sei que funcionava como uma internet ou funcionava com internet, não sei bem. A gente colocava o disquete, uma tela preta abria, nessa tela tinha diversas opções de jogos, chat, piadas e...e...e... acho que era só isso. Mas pra época e pra nossa idade, era um universo de coisas.
Usamos aquilo por um tempo e depois não me lembro se cansamos ou se meu pai vendeu o computador e o tal disquete foi junto. Só sei que passamos um bom tempo sem ter nada parecido em casa e o máximo que tínhamos de tecnologia em casa era um Nintendo 64.
Fomos ganhar outro computador de novo em 2001. Só que nessa época, não sei bem o motivo, eu não usava e nem me interessava por ele. O máximo que eu fazia era jogar The Sims.
Internet mesmo, aquele medo de acordar a casa toda com o barulho da conexão discando depois da meia noite, aquela raiva da conexão cair no melhor da conversa no MSN, aquela alegria de ver que tinha scrap novo no Orkut e a emoção de receber um depoimento (testimonial) lindo... Tudo isso veio só em 2005, quando eu finalmente me interessei e comecei a usar internet. E isso era basicamente o que eu fazia: MSN, Orkut, blogs... E o primeiro que eu li e comecei a acompanhar foi o Flocgel e, a partir dele, o Suburbia Tales e tantos outros que eu ia achando linkados em posts ou no blogroll deles. Assim foi o começo do meu relacionamento com a internet.
Fiz muitos amigos quando resolvi começar um blog e alguns eu trago até hoje como pessoas queridas.
Os caminhos e lugares mudaram um pouco desde que caí nessa rede mundial de computadores, mas os objetivos finais ainda são os mesmos: conhecer pessoas, conhecer coisas, conhecer histórias.
A internet era diferente antes? Era. Era melhor do que é hoje? Não, nem melhor e nem pior. Só era outra. Da mesma forma que eu era outra pessoa, nem melhor e nem pior.
Mas que dá saudade dá.
***
Esse meme foi proposto pelo Rotaroots, um grupo super legal no facebook, que tá tentando resgatar o espírito blogueiro do passado, quando a internet tinha mais conteúdo inédito e os blogs eram mais atualizados do que hoje. Vale a pena conhecer, se você sente saudade da blogosfera de raiz.
Tem o grupo e tem a página, mas nenhuma delas tem o objetivo de divulgar blogs ou fazer trocas de link e parcerias.
Internet mesmo, aquele medo de acordar a casa toda com o barulho da conexão discando depois da meia noite, aquela raiva da conexão cair no melhor da conversa no MSN, aquela alegria de ver que tinha scrap novo no Orkut e a emoção de receber um depoimento (testimonial) lindo... Tudo isso veio só em 2005, quando eu finalmente me interessei e comecei a usar internet. E isso era basicamente o que eu fazia: MSN, Orkut, blogs... E o primeiro que eu li e comecei a acompanhar foi o Flocgel e, a partir dele, o Suburbia Tales e tantos outros que eu ia achando linkados em posts ou no blogroll deles. Assim foi o começo do meu relacionamento com a internet.
Fiz muitos amigos quando resolvi começar um blog e alguns eu trago até hoje como pessoas queridas.
Os caminhos e lugares mudaram um pouco desde que caí nessa rede mundial de computadores, mas os objetivos finais ainda são os mesmos: conhecer pessoas, conhecer coisas, conhecer histórias.
A internet era diferente antes? Era. Era melhor do que é hoje? Não, nem melhor e nem pior. Só era outra. Da mesma forma que eu era outra pessoa, nem melhor e nem pior.
Mas que dá saudade dá.
***
Esse meme foi proposto pelo Rotaroots, um grupo super legal no facebook, que tá tentando resgatar o espírito blogueiro do passado, quando a internet tinha mais conteúdo inédito e os blogs eram mais atualizados do que hoje. Vale a pena conhecer, se você sente saudade da blogosfera de raiz.
Tem o grupo e tem a página, mas nenhuma delas tem o objetivo de divulgar blogs ou fazer trocas de link e parcerias.
***
Trilha Sonora: Na vibe coisas velhas, tô ouvindo Capital Inicial - Eu Nunca Disse Adeus.
Sobre:
correntes (memes),
rotaroots
sexta-feira, 30 de maio de 2014
Através do Espelho E O Que Encontrei Lá
Estava vendo no Catraca Livre sobre um projeto de uma fotógrafa que registrou o corpo de várias mulheres na gestação e as marcas que o parto deixou depois.
São fotos lindas, em preto e branco, sem photoshop, tudo muito delicado e transbordando maternidade (sabe relação de mãe e bebê, que só quem é mãe sabe? Aquela intimidade e amor puro? Então).
Fiquei olhando e pensando no que o parto fez com o meu corpo. Na minha dificuldade em aceitar as marcas que ganhei.
Falei disso poucas vezes desde que minha filha nasceu e, acho que das duas ou três vezes que falei, não senti nem metade do apoio que eu esperava e, por isso, me fechei mais sobre o assunto.
Nunca fui magra. Sempre fui de gorda a gordinha, passando por fases menos gorda, mas estando a maior parte do tempo no estágio gorda e ponto.
Quem é gordo sabe, o corpo não é só banha. É também estria e celulite. Tenho tudo. Já tive estrias roxas nas pernas, mas elas sumiram magicamente e só ficaram as estrias brancas, mas bem fracas, nem chamavam atenção.
Nunca me incomodei de verdade com a minha imagem no espelho. Podia olhar e não ficar satisfeita, aí fechava a boca por uns dias e perdia alguns números na medida do quadril e barriga. Mas eu sempre olhava meu corpo no espelho. Mesmo que procurando os defeitos, eu olhava meu corpo no espelho. Vestida, nua, depois do banho, me arrumando pra sair.
Durante a gravidez, eu não engordei como todo mundo imaginava e, pelo contrário, de certa forma perdi peso. Terminei a gravidez pesando pouco mais de 5kg além do que eu pesava no início, o que significa que o meu corpo perdeu gordura e ganhou peso de bebê+água+barriga. Como eu estava bem acima do meu peso, isso foi bom no fim das contas.
Acontece que, apesar da cintura estar mais fina, minha barriga estava tomada de estrias. Passei cremes conforme o médico recomendou, evitei tomar sol conforme todo mundo alertou, cuidei um pouco (muito pouco) da minha alimentação, mas não mudou nada. Quando a bebê nasceu, restou pra mim uma barriga flácida e cheia de estrias escuras.
Além disso, ela nasceu de uma cesárea, então ganhei também um corte cirúrgico logo abaixo da minha barriga e, por necessidade médica ou barbeiragem obstétrica (nunca saberei), uma tatuagem que tenho e me fazia gostar um pouco mais do meu corpo, foi estragada no parto porque o corte terminou bem em cima do desenho e depois que levei os pontos, ficou uma coisa meio remendada.
Tudo isso é coisa que ninguém vê e nem imagina se não tiver a oportunidade de me ver sem roupa. E tudo isso é coisa que nem eu vejo direito mais.
Há 1 ano e 7 meses eu não me olho direito no espelho. O corte da cesárea e a cicatriz que ela deixou, só tive coragem de olhar por poucos minutos há uns 2 meses. Todo o resto eu evito olhar. Tomo banho olhando pra frente, me visto olhando pra roupa, me arrumo sem me encarar no espelho e só foco o olhar nos detalhes que preciso num momento específico.
Tudo isso para dizer que não, não estou satisfeita com os efeitos da gravidez no meu corpo. Não é fácil aceitar uma cicatriz que eu nem sei direito como é. Não é fácil encarar minha barriga listradinha, mesmo que fotos na internet me encorajem a pensar que somente mulheres fortes como tigresas merecem listras no corpo.
Aí volto ao começo do post, às fotos das grávidas e mães recém nascidas. Como é estranha nossa mania de olhar o outro e conseguir ver beleza e graça nas exatas mesmas coisas que nós temos e não aceitamos... Como é hipócrita da minha parte, comigo mesma, admirar o corpo alheio e não ser capaz de encarar o meu próprio corpo com a admiração maior, justamente por ser o meu corpo.
E, por fim, se você, leitor ou leitora (mesmo que não comentem, eu sei que estão aí. O Analytics me disse), é do tipo infeliz ou traumatizado com o seu corpo, pára e pensa. Veja se não está cometendo com você a mesma injustiça que cometo comigo. Não tenho um conselho pra te dar e muito menos um final feliz pra esse post, nada como "então, a partir de agora amo meu corpo e me aceito e vou fazer topless na praia amanhã e vou usar blusa de barriga de fora e vou posar nua mês que vem". Nada disso. Continuo infeliz, insatisfeita e evitando me olhar, mas hoje, vendo as tais fotos, percebi o que estou fazendo. Se ter consciência dos erros já é o primeiro passo para a mudança, talvez esse seja um dia marcante. Se não for, valeu a reflexão e achei que devia dividir isso com mais gente porque, de vez em quando, a resposta para os nossos problemas está no espelho dos outros.
***
Trilha Sonora: Tem uma melodia na minha cabeça, mas não sei se inventei ou se ouvi e não sei o nome. ;ou tô louca e nem tem nada.
São fotos lindas, em preto e branco, sem photoshop, tudo muito delicado e transbordando maternidade (sabe relação de mãe e bebê, que só quem é mãe sabe? Aquela intimidade e amor puro? Então).
Fiquei olhando e pensando no que o parto fez com o meu corpo. Na minha dificuldade em aceitar as marcas que ganhei.
Falei disso poucas vezes desde que minha filha nasceu e, acho que das duas ou três vezes que falei, não senti nem metade do apoio que eu esperava e, por isso, me fechei mais sobre o assunto.
Nunca fui magra. Sempre fui de gorda a gordinha, passando por fases menos gorda, mas estando a maior parte do tempo no estágio gorda e ponto.
Quem é gordo sabe, o corpo não é só banha. É também estria e celulite. Tenho tudo. Já tive estrias roxas nas pernas, mas elas sumiram magicamente e só ficaram as estrias brancas, mas bem fracas, nem chamavam atenção.
Nunca me incomodei de verdade com a minha imagem no espelho. Podia olhar e não ficar satisfeita, aí fechava a boca por uns dias e perdia alguns números na medida do quadril e barriga. Mas eu sempre olhava meu corpo no espelho. Mesmo que procurando os defeitos, eu olhava meu corpo no espelho. Vestida, nua, depois do banho, me arrumando pra sair.
Durante a gravidez, eu não engordei como todo mundo imaginava e, pelo contrário, de certa forma perdi peso. Terminei a gravidez pesando pouco mais de 5kg além do que eu pesava no início, o que significa que o meu corpo perdeu gordura e ganhou peso de bebê+água+barriga. Como eu estava bem acima do meu peso, isso foi bom no fim das contas.
Acontece que, apesar da cintura estar mais fina, minha barriga estava tomada de estrias. Passei cremes conforme o médico recomendou, evitei tomar sol conforme todo mundo alertou, cuidei um pouco (muito pouco) da minha alimentação, mas não mudou nada. Quando a bebê nasceu, restou pra mim uma barriga flácida e cheia de estrias escuras.
Além disso, ela nasceu de uma cesárea, então ganhei também um corte cirúrgico logo abaixo da minha barriga e, por necessidade médica ou barbeiragem obstétrica (nunca saberei), uma tatuagem que tenho e me fazia gostar um pouco mais do meu corpo, foi estragada no parto porque o corte terminou bem em cima do desenho e depois que levei os pontos, ficou uma coisa meio remendada.
Tudo isso é coisa que ninguém vê e nem imagina se não tiver a oportunidade de me ver sem roupa. E tudo isso é coisa que nem eu vejo direito mais.
Há 1 ano e 7 meses eu não me olho direito no espelho. O corte da cesárea e a cicatriz que ela deixou, só tive coragem de olhar por poucos minutos há uns 2 meses. Todo o resto eu evito olhar. Tomo banho olhando pra frente, me visto olhando pra roupa, me arrumo sem me encarar no espelho e só foco o olhar nos detalhes que preciso num momento específico.
Tudo isso para dizer que não, não estou satisfeita com os efeitos da gravidez no meu corpo. Não é fácil aceitar uma cicatriz que eu nem sei direito como é. Não é fácil encarar minha barriga listradinha, mesmo que fotos na internet me encorajem a pensar que somente mulheres fortes como tigresas merecem listras no corpo.
Aí volto ao começo do post, às fotos das grávidas e mães recém nascidas. Como é estranha nossa mania de olhar o outro e conseguir ver beleza e graça nas exatas mesmas coisas que nós temos e não aceitamos... Como é hipócrita da minha parte, comigo mesma, admirar o corpo alheio e não ser capaz de encarar o meu próprio corpo com a admiração maior, justamente por ser o meu corpo.
E, por fim, se você, leitor ou leitora (mesmo que não comentem, eu sei que estão aí. O Analytics me disse), é do tipo infeliz ou traumatizado com o seu corpo, pára e pensa. Veja se não está cometendo com você a mesma injustiça que cometo comigo. Não tenho um conselho pra te dar e muito menos um final feliz pra esse post, nada como "então, a partir de agora amo meu corpo e me aceito e vou fazer topless na praia amanhã e vou usar blusa de barriga de fora e vou posar nua mês que vem". Nada disso. Continuo infeliz, insatisfeita e evitando me olhar, mas hoje, vendo as tais fotos, percebi o que estou fazendo. Se ter consciência dos erros já é o primeiro passo para a mudança, talvez esse seja um dia marcante. Se não for, valeu a reflexão e achei que devia dividir isso com mais gente porque, de vez em quando, a resposta para os nossos problemas está no espelho dos outros.
***
Trilha Sonora: Tem uma melodia na minha cabeça, mas não sei se inventei ou se ouvi e não sei o nome. ;ou tô louca e nem tem nada.
terça-feira, 20 de maio de 2014
Aqueles lugares onde ninguém se atreve a entrar
Estou lendo um livro novo, Caderno de Um Ausente (do João Anzanello Carrascoza, depois falo melhor do livro) e, logo no começo, tem uma frase que fala assim:
Quantos relacionamentos eu mesma não estraguei com a minha mania de querer penetrar tão intimamente na vida do outro e, ao mesmo tempo, não permitindo que o outro fizesse o mesmo quando foi o caso dele querer?
Não falo somente de relacionamentos amorosos, embora isso fique mais evidente quando estou apaixonada por alguém, mas falo também dos relacionamentos familiares, com amigos... afetivos em geral.
Sou o tipo de pessoa que gosta muito de ouvir, quero saber de tudo, quero detalhes, não me contento com histórias contadas de forma resumida (quando a história é do meu interesse, claro). Quero que o outro reproduza as falas exatamente como ocorreram, quero que me conte com detalhes e imitações de tom de voz e entonações corretas em cada palavra que foi dita numa conversa da qual eu não tenha participado, mas por um ou outro motivo, eu ache que tenha o direito de saber como foi.
Eu me acho no direito.
Mesmo que eu nem sempre peça ou deixe isso claro, eu espero que as pessoas se abram totalmente comigo, me contando detalhes e deixando suas histórias todas expostas como feridas abertas, mesmo que ainda não tenham cicatrizado nelas e, nesses casos, exijo tanto que não me importo em ver as feridas abertas, sangrando, em carne viva bem na minha frente. Só quero ver tudo, saber tudo.
Mesmo que o assunto me magoe e principalmente quando o assunto me magoa. Sou forte e aguento ver o sangue jorrar bem na minha cara sem desmaiar.
Acontece que, mesmo me expondo mais do que eu deveria em alguns relacionamentos, eu nunca me abro o suficiente o tempo todo. Há sempre em mim, lá no fundo, uma porta trancada cuja chave foi jogada fora há muito tempo. Eu até sei onde está a chave, porque eu estava lá quando ela foi atirada pra longe, mas eu não quero buscar, não quero destrancar porta nenhuma e, principalmente, não quero que ninguém tente abrir essa porta.
De vez em quando, sem que ninguém perceba com clareza, eu permito que uma coisa ou outra trancada atrás dessa porta apareça na janelinha escura (porém devidamente trancada e coberta por uma cortina escura) e olhe o mundo aqui fora ou eu mesma vou dar umas espiadas lá dentro, sem entrar e sem deixar que me vejam por ali. Só para ver como as coisas estão e ter certeza de que o lugar delas é exatamente onde estão, trancadas e esquecidas.
E quanta coisa, então, eu penso que sei sobre os outros e não sei? Se tanta coisa as pessoas pensam que sabem sobre mim e não sabem, mesmo achando que eu já falei tudo, que eu mostrei todos os lados de todas as histórias, que eu abri todas as minhas feridas... Nada me garante, então, que as pessoas não estejam me proibindo também de entrar nesses cantinhos escuros que eu mesma também escondo delas.
O que eu quero dizer é que, por mais que a gente queira, tente e ache que conseguiu, a gente nunca conhece de verdade e totalmente a história das pessoas.
E, no fim das contas, isso não é uma coisa ruim se você espiar pela sua frestinha de janela e conseguir enxergar bem o tipo de coisa que anda escondida lá dentro, atrás daquela porta que você fez questão de trancar e perder a chave. Se você não aguenta certos monstros seus, que você mesmo criou ou acabou abrigando, como é que vai aguentar os monstros alheios?
É melhor que cada um mantenha suas chaves bem escondias mesmo e que não se fale mais nisso.
***
Trilha Sonora: Nem tem. Tô ouvindo pouca música ultimamente.
"...apesar do que dizem sobre os casais - que tanto se conhecem a ponto de se confundirem - o mistério de cada um só a ele pertence, há regiões nossas às quais nem nós mesmos alcançamos."O livro me parece todo lindo (estou nas primeiras 20 páginas ainda), mas essa frase em especial ficou martelando na minha cabeça e voltei várias vezes nela.
Quantos relacionamentos eu mesma não estraguei com a minha mania de querer penetrar tão intimamente na vida do outro e, ao mesmo tempo, não permitindo que o outro fizesse o mesmo quando foi o caso dele querer?
Não falo somente de relacionamentos amorosos, embora isso fique mais evidente quando estou apaixonada por alguém, mas falo também dos relacionamentos familiares, com amigos... afetivos em geral.
Sou o tipo de pessoa que gosta muito de ouvir, quero saber de tudo, quero detalhes, não me contento com histórias contadas de forma resumida (quando a história é do meu interesse, claro). Quero que o outro reproduza as falas exatamente como ocorreram, quero que me conte com detalhes e imitações de tom de voz e entonações corretas em cada palavra que foi dita numa conversa da qual eu não tenha participado, mas por um ou outro motivo, eu ache que tenha o direito de saber como foi.
Eu me acho no direito.
Mesmo que eu nem sempre peça ou deixe isso claro, eu espero que as pessoas se abram totalmente comigo, me contando detalhes e deixando suas histórias todas expostas como feridas abertas, mesmo que ainda não tenham cicatrizado nelas e, nesses casos, exijo tanto que não me importo em ver as feridas abertas, sangrando, em carne viva bem na minha frente. Só quero ver tudo, saber tudo.
Mesmo que o assunto me magoe e principalmente quando o assunto me magoa. Sou forte e aguento ver o sangue jorrar bem na minha cara sem desmaiar.
Acontece que, mesmo me expondo mais do que eu deveria em alguns relacionamentos, eu nunca me abro o suficiente o tempo todo. Há sempre em mim, lá no fundo, uma porta trancada cuja chave foi jogada fora há muito tempo. Eu até sei onde está a chave, porque eu estava lá quando ela foi atirada pra longe, mas eu não quero buscar, não quero destrancar porta nenhuma e, principalmente, não quero que ninguém tente abrir essa porta.
De vez em quando, sem que ninguém perceba com clareza, eu permito que uma coisa ou outra trancada atrás dessa porta apareça na janelinha escura (porém devidamente trancada e coberta por uma cortina escura) e olhe o mundo aqui fora ou eu mesma vou dar umas espiadas lá dentro, sem entrar e sem deixar que me vejam por ali. Só para ver como as coisas estão e ter certeza de que o lugar delas é exatamente onde estão, trancadas e esquecidas.
E quanta coisa, então, eu penso que sei sobre os outros e não sei? Se tanta coisa as pessoas pensam que sabem sobre mim e não sabem, mesmo achando que eu já falei tudo, que eu mostrei todos os lados de todas as histórias, que eu abri todas as minhas feridas... Nada me garante, então, que as pessoas não estejam me proibindo também de entrar nesses cantinhos escuros que eu mesma também escondo delas.
O que eu quero dizer é que, por mais que a gente queira, tente e ache que conseguiu, a gente nunca conhece de verdade e totalmente a história das pessoas.
E, no fim das contas, isso não é uma coisa ruim se você espiar pela sua frestinha de janela e conseguir enxergar bem o tipo de coisa que anda escondida lá dentro, atrás daquela porta que você fez questão de trancar e perder a chave. Se você não aguenta certos monstros seus, que você mesmo criou ou acabou abrigando, como é que vai aguentar os monstros alheios?
É melhor que cada um mantenha suas chaves bem escondias mesmo e que não se fale mais nisso.
***
Trilha Sonora: Nem tem. Tô ouvindo pouca música ultimamente.
quarta-feira, 14 de maio de 2014
O Amor - Vida e Obra
Começa com aquela paixão, aquela necessidade de ouvir a voz do outro todo dia, aquele desejo incontrolável de estar junto, abraçando e beijando o tempo todo, aquela sequência sem fim de planos pro futuro, aqueles apelidos carinhosos e cafonas, aquela beleza reluzente que só você vê e acha que o mundo todo tem inveja.
Depois chega aquela fase do comodismo, quando já não é necessário esconder o que você foi fazer no banheiro bem no meio do filme que estavam vendo, já não é importante tirar as remelinhas do canto do olho rapidinho antes que o outro acorde, já não tem problema se você estiver de pijama e continuar o dia todo assim na companhia da tal pessoa.
Por último vem aquela fase onde uma briga que antes terminaria com um "me perdoa?" passa a terminar com uma nova briga começando por um novo motivo ou um velho motivo, tanto faz, desde que seja um motivo bom o suficiente pra fazer a conversa terminar com um dos dois seriamente magoado e aquelas dúvidas sobre continuar ou não com um relacionamento tão deteriorado.
Essa é a vida do amor. Com uns detalhes a mais ou a menos, variando de caso pra caso, mas basicamente assim.
A obra é que a parte bonita. É tudo o que ficou de herança depois que ele se foi. Pode incluir fotos lindas, lembranças de bons momentos, a experiência de um casamento, as viagens de última hora, as visitas inesperadas, as noites em claro falando no telefone, o perfume inesquecível, o som da voz que ecoa relendo velhas cartas e bilhetes, os presentes não devolvidos, a filha linda que foi idealizada e sonhada por anos, as cicatrizes de tudo o que passou e não apagou, os planos que nunca se realizaram mas foram divertidos de planejar.
Não é uma regra, existem também os que acabam, mas não passam por esse ciclo.
Mas feliz mesmo é quem tem a sorte de achar aquele tipo raro que não acaba e não se deixa abalar. Esse é o motivo que não me deixa virar uma pessoa amarga e fechada pra vida: não deu certo agora, mas um dia pode dar.
***
Trilha Sonora: Linda Rosa - Maria Gadú. Tá na minha cabeça desde ontem, sem parar.
Depois chega aquela fase do comodismo, quando já não é necessário esconder o que você foi fazer no banheiro bem no meio do filme que estavam vendo, já não é importante tirar as remelinhas do canto do olho rapidinho antes que o outro acorde, já não tem problema se você estiver de pijama e continuar o dia todo assim na companhia da tal pessoa.
Por último vem aquela fase onde uma briga que antes terminaria com um "me perdoa?" passa a terminar com uma nova briga começando por um novo motivo ou um velho motivo, tanto faz, desde que seja um motivo bom o suficiente pra fazer a conversa terminar com um dos dois seriamente magoado e aquelas dúvidas sobre continuar ou não com um relacionamento tão deteriorado.
Essa é a vida do amor. Com uns detalhes a mais ou a menos, variando de caso pra caso, mas basicamente assim.
A obra é que a parte bonita. É tudo o que ficou de herança depois que ele se foi. Pode incluir fotos lindas, lembranças de bons momentos, a experiência de um casamento, as viagens de última hora, as visitas inesperadas, as noites em claro falando no telefone, o perfume inesquecível, o som da voz que ecoa relendo velhas cartas e bilhetes, os presentes não devolvidos, a filha linda que foi idealizada e sonhada por anos, as cicatrizes de tudo o que passou e não apagou, os planos que nunca se realizaram mas foram divertidos de planejar.
Não é uma regra, existem também os que acabam, mas não passam por esse ciclo.
Mas feliz mesmo é quem tem a sorte de achar aquele tipo raro que não acaba e não se deixa abalar. Esse é o motivo que não me deixa virar uma pessoa amarga e fechada pra vida: não deu certo agora, mas um dia pode dar.
***
Trilha Sonora: Linda Rosa - Maria Gadú. Tá na minha cabeça desde ontem, sem parar.
Assinar:
Postagens (Atom)
