segunda-feira, 10 de julho de 2017

Do Que O Amor É Feito

Sexta-feira eu entrei num botequinho pra comer pastel depois do trabalho. Tava lá comendo, quando entrou um casal que, se somasse a idade dos dois, devia passar fácil dos 140 anos.
Os dois andando em passos lentos e bem calculados, cumprimentaram a mulher atrás do balcão, que observou que a voz da senhorinha estava meio rouca e esta respondeu que era a gripe ainda, que não sabia mais o que tomar para melhorar. O marido, então, rindo disse:
- Toma uma cerveja bem gelada. Dona Zezinha, vê uma cerveja bem gelada pra ela!
A senhora olhou pra mim e disse, sorrindo da graça do marido:
- Vai que ajuda, né? Já tomei tanto remédio, de repente uma cervejinha gelada faz a gripe passar...
Concordei sorrindo e fazendo que sim com a cabeça, achei que fosse brincadeira deles. Não era.
Dona Zezinha perguntou então o que eles iam querer e o senhor respondeu o que iam comer e pediu a cerveja mais geladinha que tivesse no freezer.
Sentaram-se lá fora, na mesa da calçada pra beber sua cerveja e, quando fui embora, vi os dois papeando e sorrindo um pro outro, com a despreocupação típica de dois adolescentes matando aula pra namorar ou, melhor ainda, de dois aposentados que já não devem satisfação pra ninguém nessa vida e sabem que essa mesma vida pode acabar a qualquer momento.
Vim embora pensando no quanto havia naquela cena que me servia de lição e inspiração. Quantas histórias, problemas, dúvidas, cumplicidade e certezas caberiam naqueles anos de amor e amizade entre os dois?
Quantas vezes teriam pensado em desistir ou mandar o outro pro inferno? Mas ao invés de ceder ao impulso fácil da raiva, se contiveram, respiraram fundo e pensaram no prêmio final de suas vidas: poder sentar-se ao lado da pessoa que escolheu pra viver junto, às 17h30 de uma sexta-feira de inverno, tomando uma cerveja gelada e rindo da vida.



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Trilha Sonora: You - The Pretty Reckless 

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Feliz Natal, Amém!

Outro dia Alice foi fazer a oração dela, como de costume, antes de dormir. Ela sempre começa e eu acompanho ou só ouço. Ela começou, como ensinei, primeiro agradecendo e depois pedindo bençãos:
- Obrigada, Papai Noel...
- É o quê?! Obrigada, quem? hahaha
- Ah! Opa! Obrigada Papai do Céu, né? Mas não pode Papai Noel?
- Ah... Não, né? A gente ora pro Papai do Céu. Papai Noel é meio primo dele, mas a gente só fala com ele no Natal.
- Eles são primos?
- Mais ou menos. Ora aí, vai.

Daí outro dia ela acabou a oração dela pedindo pra Deus abençoar mamãe, papai, vovô, vovó, tios, tia, professora, estagiárias, funcionários da escola... e o Papai Noel, amém.
Vou discutir com ela? Cada um com a sua fé, não é mesmo?


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Trilha Sonora: vocês não fazem ideia do quanto uma escola pode ser barulhenta mesmo quando os alunos não estão em hora de recreio. Sério.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Mantendo a Forma

Ontem, 19h, meu pai sugeriu uma pizza:
- Vamos pedir pizza?
- Hmm... Acho que eu não aguento.
- Pizza? Vamos pedir...
- Não posso. Estou comendo desde 15h30.
- Ah, o que tanto você comeu?
- Saí do trabalho comendo um pacote de biscoito de polvilho. Daí comi uma tortuguita. Cheguei em casa e fui buscar pão e mortadela na padaria. Comi um pãozinho doce recheado com doce de leite... delicioso... depois comi dois pães com mortadela e requeijão. Depois comi um espetinho de carne. Aí comi bolo de pote e acabei de comer outro espetinho de carne. Estou com a barriga um pouco pesada.

Sigo firme no meu projeto #verão2017 porque verão minhas gordurinhas todas e eu quero que se foda, porque eu como mesmo e "a boca foi feita é pá cumê" (na verdade eu como muito quando estou ansiosa, mas ok. Logo a ansiedade passa).

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Trilha Sonora: o celular da coleguinha não pára de tocar, mas ela não quer atender. Ainda bem que não tem toque de música. Uma pena que ela não use a função Silencioso dele.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

O Pouco Que Eu Sei Sobre O Que Eu Não Sei

Eu comecei a escrever uma comparação absurda que inicialmente fazia muito sentido na minha cabeça entre amar e subir uma montanha. Desisti no meio do segundo parágrafo porque percebi que não entendo nada de escalar montanhas e talvez não entenda o suficiente sobre amar. Eu me relacionei à sério com 3 pessoas em toda a minha vida que tem apenas 31 anos, dos quais menos de 20 contam com enredos românticos e beijos apaixonados.
O que eu sei do amor? Que ele pode dar certo por um tempo e de uma hora pra outra um dos dois perde o interesse e pula fora? Que ele pode dar certo por um tempo, mas de repente um dos dois percebe que é mais vantagem voltar pra ex namorada e pula fora? Que ele pode dar certo por um tempo até que um dos dois decide que na mesa ao lado tem uma pessoa mais interessante e afetuosa e acha que tá tudo ok não pular fora antes de fazer isso? Isso é basicamente o que eu sei do que me mostraram do amor.
O amor que eu tentei mostrar pra essas pessoas nesses anos é tão maior e mais simples que isso. Tão mais importante do que estar 24h dando sinal de vida pro outro e provando publicamente um amor que só deveria interessar para duas pessoas.
O que eu entendo por amor, mas não sei se está correto, porque não me provaram o mesmo ainda, é que quando a gente ama o outro, a gente respeita mesmo na ausência, a gente luta pra ser uma pessoa melhor porque isso significa também ser melhor pro outro, a gente se esforça para estar mais perto mesmo que isso signifique deixar pra trás toda uma vida e rotina que não cabem na mala.
Eu não fui a melhor das namoradas nesses quase 20 anos de relacionamentos. Eu tenho defeitos horríveis. Eu sou capaz de dizer e fazer coisas horríveis. Mas eu amo. Eu admito meus erros e tento melhorar. Eu respeito quem está ao meu lado, mesmo quando não está ao meu lado. Eu movo montanhas se achar que a montanha está no nosso caminho e minha função é mover aquela montanha naquele momento. E talvez isso não faça de mim a melhor das namoradas, mas sei que faz de mim uma boa namorada.
Só que nada disso me garante alguma sabedoria sobre o amor.
Eu não sei o que é o amor, porque eu só sei o que é sentir amor por alguém.
E eu não sei nem como terminar isso, porque me perdi completamente nos meus pensamentos, não sei mais onde eu queria chegar com isso e, assim como as experiências que tive do amor, tudo fazia muito sentido no começo, mas de repente percebi que me enganei e não sei pra onde estou indo mais.
Talvez isso seja um bom fim. Pelo menos para esse post.


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Trilha Sonora: You - The Pretty Reckless. Ouvindo no repeat porque é maravilhosa demais.

domingo, 16 de abril de 2017

Uma Carta de Ex-Amor

Tem aquela música "achei um 3x4 teu e não quis acreditar que tinha sido há tempo atrás..." e ela não me sai da cabeça há dias, desde que eu achei um 3x4 teu perdido (guardado) nas minhas coisas e parei pra pensar no quanto você e eu mudamos e nos distanciamos do que éramos um pro outro e pra nós mesmos. 
Acontece que o universo é essa coisa engraçada que, sem mais nem menos, começa a te jogar indiretas e sinais na cara a todo momento e, veja bem, universo, não estou mesmo interessada nessa história, isso acabou faz tempo, não tem mais nada a ver "issaê", Seu Universo, me deixa, faz favor? Tô feliz, ele também, temos nossas vidas, seguimos caminhos opostos, pára de cutucar o passado, por gentileza? Mas não tem resposta nenhuma e o universo me fez até sonhar com uma situação surreal só pra me mostrar que, veja bem, os caminhos foram trocados, mas ainda estão de alguma forma entrelaçados pra sempre. Os amigos são os mesmos, os interesses são os mesmos, ainda há em ambos o desejo de encontrar num sebo aquele livro raro que só nós dois conhecemos, o bairro da infância ainda é o mesmo, as memórias de algumas das primeiras descobertas serão pra sempre as mesmas e, até onde se sabe, o carinho é uma coisa que ainda existe. 
Percebi que muito do que somos hoje é resultado do que fomos juntos um dia. Esse teu lado esotérico, meio hippie, meio roots de acampar e ver estrelas e se ligar nas coisas da natureza é quase um reflexo do que eu era e você não se ligava muito, embora me acompanhasse com certa curiosidade quando eu te falava dos seres da natureza e das fases da lua. O meu jeito meio seco de amar e evitar demonstrar que me importo é reflexo do que vivi com você, quando eu expunha todo o meu amor pelas paredes e papéis e depois tive que encarar todas aquelas paredes e papéis dizendo coisas que não existiam mais.
Nunca achei que fosse justo que outras pessoas pagassem pelos erros que você cometeu, mas não posso evitar e essa foi a marca que você deixou na minha vida. De um jeito meio errado, eu sei, mas esse foi o jeito de lembrar pra sempre que você esteve no meu caminho por tanto tempo.
Eu só queria te dizer isso: você foi importante na minha vida. Eu aprendi muito com você e também com o que vivi depois de você, enquanto tentava reorganizar meus passos. Você ainda tem um lugar especial nas minhas memórias e sempre que eu ouvir alguém falar de esquilos ou passar pela cidade de Embu, vou me lembrar daquele casal imaturo e apaixonado que fomos um dia. Nos divertimos muito, te amei muito e gostaria de poder agradecer um dia, pessoalmente, por todas as boas lembranças que você me deixou. 
Estou feliz no caminho que segui, imagino que você esteja feliz no seu caminho e, do fundo do meu coração, onde um dia você mandou e desmandou, desejo "que o verão do seu sorriso nunca acabe".

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Escrevi esse post há alguns meses e, pra evitar conflitos, deixei no rascunho. Ainda bem que não apaguei. Agora estamos livres.

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Trilha Sonora: A rádio mental tá tocando um medley bem mal feito de Vamos Fazer Um Filme - Legião Urbana com Você Me Encantou Demais - Natiruts.