quarta-feira, 15 de abril de 2009

365

"Jogue suas mãos para o céu
Agradeça se acaso tiver
Alguém que você gostaria que
Estivesse sempre com você"

Lembro de mim há uns 2 anos, dividida entre achar ótimo não ter namorado e ficar chateada, com aquela sensação de ninguém me ama cada vez que eu via um casal pelos cantos.
Se por um lado era boa a sensação de quem manda na minha vida sou eu, por outro era péssimo saber que não tinha quem se preocupasse quando eu dormia fora ou ficava até de manhã pelas baladas (preocupação de mãe não é o ponto aqui).
Aí quando eu reclamava naquelas conversas com amigas, as que namoravam diziam pra eu ter calma, que logo eu encontraria alguém e que isso seria quando eu menos esperasse.
E o problema era que eu estava sempre esperando. Mesmo quando eu dizia que era ótimo ser solteira, eu estava esperando alguém que me provasse o contrário e me mostrasse todo o vazio que eu sabia, mas não admitia que existia naquela vida de bar-que-emenda-com-festa-que-emenda-com-pós-festa-na-casa-de alguém-que-emenda-com-ressaca-que-emenda-com-churrasco-pra-curar-a-ressaca ad infinitum.
É. Era assim. Pra quem é solteiro, é super divertido, mas pra quem não quer mais ser sozinho, não tem tanta graça. Não era essa diversão que eu queria. Eu queria a diversão das coisas mais simples, queria os programas de casal, queria não ter que me agasalhar para ir pra balada no frio, queria colocar uma roupa quente e ficar namorando debaixo das cobertas com... com quem? Nunca tinha ninguém.
Até que, conforme minhas amigas avisaram, quando eu menos esperava me jogaram numa conversa cheia de estranhos, um estranho veio ser simpático comigo, me elogiou, eu agradeci e ele sumiu por 1 mês.
Até que ele apareceu de novo, me elogiou mais um pouco, mostrou que sabia mais do que dizer que eu era bonitona e eu me apaixonei.
Até que completamos 1 ano de namoro. Entre programas de casal, namoro debaixo das cobertas e todas as coisas simples que fazem mais do que apenas divertir no momento, fazem feliz de verdade.
E entre brigas, discussões sérias, discussões ridiculamente bobas, problemas por todos os lados, viagens longas e imprevistos... completamos 1 ano de namoro.
Não é um mar de rosas. Relação nenhuma é e eu acho ótimo que a minha não seja a primeira a ser.
Até porque, é fácil dizer que você ama, quando você nunca passou por uma situação que pudesse te fazer pensar que não ama.
Mas depois que você vence o obstáculo, olha pra trás e diz "não foi nada", olha pra si e para o outro e percebe que o amor ainda é o mesmo, às vezes até maior, sem nenhum arranhão... Depois disso você pode dizer que ama de verdade.
Os religiosos chamam os obstáculos de "provação". Eu acho perfeito, apesar de não ser religiosa.
Depois das provações que passamos juntos, sabemos que nosso amor suporta qualquer coisa que ainda possa vir.
Por menores que sejam nossos problemas perto de coisas que poderiam nos acontecer, não podemos dizer que eles não existem. Existem e passamos por todos eles.
Até que completamos 1 ano de namoro.
E toda aquela convicção de que era ótimo ser solteira... Sumiu.
No fundo eu sempre soube que precisava dele para ser completa. E agora eu posso dizer que tenho quem eu gostaria de ter, alguém que está sempre comigo, mesmo quando nem estamos no mesmo lugar.
Posso, enfim, jogar minhas mãos para o céu.

Amo você, Douglas.

***
Trilha Sonora (mental): "Na rua, na chuva, na fazenda Ou numa casinha de sapé"

domingo, 5 de abril de 2009

Minha nova bobeira internética

Quer conversar com um estranho completamente desconhecido e aleatório?
Clica aí, oh: Omegle
É tipo um msn anônimo, onde você não sabe com quem vai conversar. Pode ser homem, mulher, velho, novo, engraçado, desagradável, [insira aqui todos os adjetivos que você conhece].
Teoricamente, tem gente do mundo todo aí. Mas de umas 5 conversas que comecei, acho que 2 ou 3 foram com brasileiros. Sim. Invadimos a bagaça, como aconteceu com o Orkut.
Mas tenta a sorte. Você pode exercitar seu lado louco, feminino, masculino, esquisito, culto, [insira aqui todos os tipos de pessoas podem estar dentro de você].
É um negócio beeeeem besta, mas pode ser legal. Ou não.
Você pode dar a sorte de conseguir uma conversa divertida ou pode dar o azar de, ao ser sincero dizendo que é brasileiro, ficar no vácuo como acontece com a maioria das pessoas quando informam que são do Brasil.
Sei lá, xenofobia parece...
Mas, enfim, se estiver fazendo nada, vai lá ver. Dá pra perder uns minutos lá. Se não gostar da pessoa que você pegou (o site escolhe aleatoriamente e você não tem como saber com quem vai falar), desconecte-se e conecte-se de novo.

***
Trilha Sonora: Sons matinais. Tipo, o sino da igreja tocando.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Para conseguir o pão de cada dia

Não tenho o objetivo ganhar rios de dinheiro com o meu trabalho, ter uma casa enorme, carros caros na garagem, colocar meus filhos em escolas particulares, nada disso.
A única coisa que eu quero mesmo é um emprego que eu realmente goste, que eu possa levantar de manhã e pensar sorrindo "mais um dia de muito trabalho!" e que no fim do mês ele pague minhas contas.
Nunca pensei em fazer uma faculdade só porque ela pode me garantir um emprego milionário depois (existe alguma faculdade que garanta isso, por acaso? Tipo, curso de Silvio Santoslogia ou Roberto Marinhologia, só se for).
Sempre quis estudar algo que fizesse sentido pra mim, que despertasse meu interesse pelo conhecimento, minha vontade de continuar estudando e depois a vontade de trabalhar na área. Isso me dando dinheiro ou não. Quero trabalhar por amor, não por retorno financeiro. Que ele venha como consequência, por merecimento meu; não como objetivo alcançado.
Dinheiro não importa e você trabalharia de graça, então?

Depende. Eu vivo em um mundo capitalista, logo, preciso comprar minha comida e pagar contas para manter uma vida minimamente decente. Então vou precisar conseguir o dinheiro. Se eu puder ganhar algum fazendo o que gosto, perfeito. Se eu puder ganhar dinheiro fazendo algo que não necessariamente é o que eu mais gosto de fazer, mas vai pagar minhas contas básicas, bom também. Daí, se eu tiver tempo para, paralelamente, trabalhar de graça no que eu gosto, sem problemas.
A questão é: me dedicar mesmo, só acho justo se for por algo que eu amo fazer. Ganhando muito ou ganhando pouco por isso. Dependendo do caso, pode ser até ganhando nada além da minha própria satisfação.
O dinheiro para me manter? Se não vier de algo que eu escolhi fazer para me sustentar, não precisa ser muito além do suficiente para eu não virar uma caloteira e receber uma ordem de despejo. Simples assim.
Ou não tão simples porque, no fim das contas, no momento eu só preciso é de um emprego que pague minhas despesas (que nem são muitas).
Aí vem o orkut, do alto de sua sabedoria milenar e me diz o seguinte:

"Sorte de hoje: O segredo da felicidade no trabalho reside em uma palavra: excelência. Faz bem aquele que gosta do que faz"

E é por isso que eu aconselho todo mundo a largar os cursos que fazem, quando esses cursos não são o que a pessoa realmente quer fazer. Mas conselho dado aos outros nem sempre é o conselho que você mesmo segue...
Entende?

***
Trilha Sonora: Não, não, obrigada.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Nunca acorde um sonâmbulo

Sabe quando você tem certeza que ama uma pessoa? Quando ela faz coisas estranhas e você nem se assusta, só acha lindinho e dá risada depois.
Por exemplo, o Sr. Namorado, até uns meses atrás, costumava me acordar de madrugada com frases fora de contexto. Digo que eram fora de contexto, porque eram coisas que faziam algum sentido, mas não naquele momento: de madrugada, nós dois dormindo.
Uma vez ele me acordou apertando os dedos dele na minha testa, como se digitasse alguma coisa. Perguntei o que ele estava fazendo e o diálogo que se seguiu foi:
- O seu é diferente, amor.
- O meu o quê? O que você tá fazendo?
- A sua tela. A minha é de clicar e arrastar, olha.
- Hã?
- A sua não arrasta, amor. Que estranho... Não funciona.
- Ah, tá. Mas aí é minha testa.
- Zzzzz
Fazer o quê? Dei um beijinho nele e dormi de novo.
Outra vez ele me acordou cutucando meu braço. Achei que ele queria algo, que precisava dizer urgentemente que me amava, sei lá... Perguntei o que era e ele disse:
- Amor, você salvou o login?
- Quê?
- Eu não sei o login e senha. Você anotou pra mim?
- Não. Login de quê?
- Droga! Não consigo lembrar qual era o login...
- Amor, login de onde?
- Zzzzz
Pois é. Não sei de onde era esse tal login que ele queria.
Uma outra vez, quando ele ainda trabalhava com notas fiscais e sei lá o que mais, ele acordou resmungando algo como:
- O "fulano" é foda. Tem que ver as notas ainda.
- Que foi, amor?
- Ah... As notas lá.
- Ah, tá... Amanhã você vê.
- Zzzzz
Mas, acho que com a convivência, teve uma noite que quem acordou falando (ou falou dormindo?) fui eu:
- Amor, vai colocar uma roupa.
- Quê?
- Você tá sem roupa!
Eu jurava que ele estava sem roupa e queria que ele fosse se vestir. Ele levantou da cama e nisso eu despertei de verdade e percebi que tinha falado dormindo. Aí fui me desculpar:
- Amor, eu falei dormindo. Achei que você tava sem roupa. Vem deitar. Aonde você vai? Amor? Amooor?
E ele saiu andando pelo quarto, abriu a porta e foi pro banheiro.
Quando ele voltou com cara de "Quê?" eu percebi... Ele também estava dormindo e levantou para ir ao banheiro sem nem perceber que eu estava alucinando que ele estava peladão. Aliás, ele estava dormindo mais que eu, porque nem notou que eu tinha mandado ele se vestir sendo que ele já estava vestido. Ele simplesmente decodificou minha ordem sei lá como e o "vai se vestir" virou "vai fazer xixi".
Esse negócio de falar dormindo é divertido quando é com os outros, mas quando começa a ficar contagioso...
Se bem que, antes de nos conhecermos, eu tinha uns surtos muito nada a ver. Mas isso é assunto pra outro post.

***
Trilha Sonora: Musiquinha country-romântica na novela das 6hs lá na sala. Não sou fã, mas a voz me agradou.

domingo, 29 de março de 2009

Um conto

Fita Verde no Cabelo (Nova Velha Estória)
Guimarães Rosa

Havia uma aldeia em algum lugar, nem maior nem menor, com velhos e velhas que velhavam, homens e mulheres que esperavam, e meninos e meninas que nasciam e cresciam.
Todos com juízo, suficientemente, menos uma meninazinha, a que por enquanto. Aquela, um dia, saiu de lá, com uma fita verde inventada no cabelo.
Sua mãe mandara-a, com um cesto e um pote, à avó, que a amava, a uma outra e quase igualzinha aldeia.
Fita-Verde partiu, sobre logo, ela a linda, tudo era uma vez. O pote continha um doce em calda, e o cesto estava vazio, que para buscar framboesas.
Daí, que, indo, no atravessar o bosque, viu só os lenhadores, que por lá lenhavam; mas o lobo nenhum, desconhecido nem peludo. Pois os lenhadores tinham exterminado o lobo.
Então, ela, mesma, era quem se dizia:
– Vou à vovó, com cesto e pote, e a fita verde no cabelo, o tanto que a mamãe me mandou.
A aldeia e a casa esperando-a acolá, depois daquele moinho, que a gente pensa que vê, e das horas, que a gente não vê que não são.
E ela mesma resolveu escolher tomar este caminho de cá, louco e longo, e não o outro, encurtoso. Saiu, atrás de suas asas ligeiras, sua sombra também vinha-lhe correndo, em pós.
Divertia-se com ver as avelãs do chão não voarem, com inalcançar essas borboletas nunca em buquê nem em botão, e com ignorar se cada uma em seu lugar as plebeinhas flores, princesinhas e incomuns, quando a gente tanto por elas passa.
Vinha sobejadamente.
Demorou, para dar com a avó em casa, que assim lhe respondeu, quando ela, toque, toque, bateu:
– Quem é?
– Sou eu… – e Fita-Verde descansou a voz. – Sou sua linda netinha, com cesto e pote, com a fita verde no cabelo, que a mamãe me mandou.
Vai, a avó, difícil, disse: – Puxa o ferrolho de pau da porta, entra e abre. Deus te abençoe.
Fita-Verde assim fez, e entrou e olhou.
A avó estava na cama, rebuçada e só. Devia, para falar agagado e fraco e rouco, assim, de ter apanhado um ruim defluxo. Dizendo: – Depõe o pote e o cesto na arca, e vem para perto de mim, enquanto é tempo.
Mas agora Fita-Verde se espantava, além de entristecer-se de ver que perdera em caminho sua grande fita verde no cabelo atada; e estava suada, com enorme fome de almoço. Ela perguntou:
– Vovozinha, que braços tão magros, os seus, e que mãos tão trementes!
– É porque não vou poder nunca mais te abraçar, minha neta… – a avó murmurou.
– Vovozinha, mas que lábios, aí, tão arroxeados!
– É porque não vou nunca mais poder te beijar, minha neta… – a avó suspirou.
– Vovozinha, e que olhos tão fundos e parados, nesse rosto encovado, pálido?
– É porque já não estou te vendo, nunca mais, minha netinha… – a avó ainda gemeu.
Fita-Verde mais se assustou, como se fosse ter juízo pela primeira vez. Gritou: – Vovozinha, eu tenho medo do Lobo!…
Mas a avó não estava mais lá, sendo que demasiado ausente, a não ser pelo frio, triste e tão repentino corpo.

***
Aviso:
Post programado