sábado, 14 de janeiro de 2012

As lanternas chinesas

Eu queria trazer-te uns versos muito lindos
colhidos no mais íntimo de mim...
Suas palavras
seriam as mais simples do mundo, 
porém não sei que luz as iluminaria
que terias de fechar teus olhos para as ouvir...
Sim! Uma luz que viria de dentro delas,
como essa que acende inesperadas cores
nas lanternas chinesas de papel!
Trago-te palavras, apenas... e que estão escritas
do lado de fora do papel... Não sei, eu nunca soube o que dizer-te
e este poema vai morrendo, ardente e puro, ao vento
da Poesia...
como 
uma pobre lanterna que incendiou!

Mario Quintana

***
Quintana sempre me deixa num misto de felicidade com melancolia e esse poema em especial me faz pensar numas coisas que eu nem queria pensar, mas enfim...
Eu nunca sei o que dizer mesmo, então deixa a tal lanterna incendiar e o dia passar.

***
Trilha Sonora: Strokes pra tentar me animar nessa manhã de chuva de um dia que promete ser longo e tedioso.

Dear Young Me

Uma coisa que você deve saber e um bom jeito de começar esse novo contato é dizer que você tem uma tendência a se empolgar muito com certas coisas e depois de algum tempo, não deixar de gostar delas, mas passar a sentir uma imensa preguiça de levá-las adiante.
Isso de bater papo com você, Camila de 8 anos, é um exemplo. No começo me pareceu uma idéia sensacional te contar as coisas da sua vida futura, mas depois comecei a sentir uma enorme preguiça de estragar as surpresas boas e te alertar quanto às ciladas da vida.
Em algum momento da sua vida, você vai passar desse estágio de mini-leitora compulsiva e se tornará uma moça que gosta de escrever. Vai escrever em diários. Muitos. Vai escrever em paredes e portas de banheiro da escola quando estiver apaixonada e este será um método vândalo-fofinho de trocar juras de amor com aquele garoto magrelo que você vai conhecer daqui um tempo e se apaixonar e blá blá blá. Acho que já falamos dele. Se não falamos, aguarde o dia 28 de novembro de 1998. Vai valer a pena.
Mas não era sobre isso que eu ia falar. Era sobre as coisas que você enjoa no meio do caminho.
Você nunca será uma atleta e a natação que você largou aos 2 anos será apenas o começo de uma série de coisas que você abandonará ao longo dos seus 25 anos (que é só até onde eu posso te falar no momento).
O balé que só durou um dia também vai ficar como uma lembrança e nunca será um desejo na sua vida. Você não nasceu para essas coisas de menininha, aceite. Aliás, uma correção: coisas de menininha na sua vida só existirão em momentos muito específicos, como o seu baile de 15 anos e as formaturas de 8ª série e faculdade que, adivinhe! você vai abandonar.
É que você tem essa tendência de não se sossegar em canto nenhum, de não se acostumar com coisas que se mostram eternas. Tudo que se mostra longo demais, sério demais, duradouro demais te assusta.
E é isso que vai te afastar do curso que você vai escolher.
Não acho que você deva fazer as coisas para agradar aos outros, mas se puder não esquecer de uma coisa que vou te contar, talvez você encontre ânimo para se formar de verdade, mesmo que seja só pelo diploma. É o seguinte: o sonho do seu avô é que você estude outros idiomas para que ele possa um dia viajar o mundo com você sendo a intérprete dele. Não tenho muita certeza, mas acho que isso foi um fator decisivo na hora de escolher estudar francês na faculdade (e japonês durante um semestre, mas já adianto que seu cérebro vai fritar com tantas regrinhas).
Só que esse desejo dele vai se perder dentro de você e aí a coisa toda vai desandar e você vai largar o curso na primeira oportunidade que você tiver.
A primeira pessoa que vai te falar o nome desse curso, como sendo a sua cara, será um amigo seu que ainda não entrou na sua vida, mas quando entrar, nunca mais vai sair. Preste atenção e pense bem antes de escolher. Mas eu concordo que é mesmo a sua cara.
Você terá outras opções e te garanto que nenhuma opção estará além da sua capacidade. Você herdou do seu pai um cérebro afiadíssimo para áreas de humanas. Sua mãe, infelizmente, não te presenteou com os genes matemáticos dela e você vai se foder bastante na hora de passar de ano nas matérias da área de exatas. Um conselho: aprenda a colar.
Uma notícia triste agora: estou com 25 anos e ainda não sei o que fazer da minha vida profissional, não tenho certeza de qual seja o meu talento e não sei se posso ganhar dinheiro fazendo algo que eu goste. Se você puder, então, esforce-se um pouco mais para descobrir isso porque te digo que é angustiante a sensação de ver a vida passar e nenhum talento que sirva como emprego surgir.
E o ponto principal disso tudo é que você deve ter algum problema de concentração porque quando eu comecei a escrever isso, eu queria te dizer algo totalmente diferente do que saiu, portanto, procure ajuda enquanto ainda pode corrigir alguma coisa. Ou não.

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Trilha Sonora: Blowin in the Wind - Bob Dylan.

Arte de Fumar

Desconfia dos que não fumam: esses não têm vida interior, não têm sentimentos. O cigarro é uma maneira disfarçada de suspirar...
Mario Quintana 

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Longe de mim fazer qualquer apologia ao cigarro ou coisas que sabidamente façam mal à saúde, mas confesso que quando estou meio assim, cansada de certas coisas, pessoas, atitudes e situações (e só Deus sabe como estou cansada) sinto uma enorme vontade de acender um cigarro e me permitir suspirar disfarçadamente, sem ter que explicar nada, sem deixar transparecer coisa alguma. E nesses momentos, ao invés de fumar, eu penso nesse poeminha (nunca sei como chamar os escritos do Quintana, mas poeminha me parece mais carinhoso e correto por serem quase sempre tão curtinhos) e suspiro pra dentro.
Mas quando eu voltar a ter as escadas de incêndio com vista para o balanço do gramado, quem sabe...

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Trilha Sonora: Um silêncio aqui dentro.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Resolução nº4

Recentemente passei por um dos maiores transtornos da minha existência (até aqui): organizei sozinha uma mudança pela primeira vez na minha vida.
Mudança, na real, nem é um transtorno pra mim. Moro em casa alugada desde que eu nasci, portanto, perdi as contas de quantas vezes minha família trocou de endereço. Mas todas as vezes que isso aconteceu, a Sra. Minha Mãe correu atrás de tudo e a única coisa que eu precisava fazer era encaixotar as coisas do meu quarto e depois, talvez, ajudar meu pai a montar os móveis na casa nova (sempre fui meio Pereirão).
Em 2009, quando saí da casa dos meus pais para ir morar na casa de parentes e, 3 meses depois, ir morar sozinha, fui com uma mala de roupas e só. O resto das coisas eu fui ganhando, comprando e levando da casa dos meus pais para a minha casa depois, conforme eu vinha visitá-los e me lembrava que "Nossa! É muito necessário que eu leve comigo umas 10 revistas velhas que eu já li 8 vezes. Vai que eu preciso de uma informação que está justamente em uma dessas revistas?".
E assim, 2 anos e meio depois, na hora de organizar sozinha a minha mudança de volta ao interior, percebi a quantidade de tranqueiras que eu acumulei nesse tempo.
Roupas que eu não lembrava que tinha e a maioria nem me serve mais, CDs que eu fiz questão de levar comigo em algum momento e que eu nem tive vontade de ouvir nesse período, quinquilharias que eu comprei sabe Deus por qual motivo e não servem para coisa alguma, louças que eu nem usava...
Levando em consideração o tamanho da casa que eu morava (sala, quarto e cozinha, sendo que a sala abrigava exclusivamente uma mesa e uma geladeira), consegui juntar muito mais coisas do que eu realmente precisava ali dentro: foram 15 caixas de tamanho médio e pequeno, dois sacos enormes de roupa e coisinhas avulsas que não dariam para ir em caixa nenhuma.
Por motivos de força maior, acabei me desfazendo dos móveis todos: geladeira, mesa, fogão, tanquinho, estante, cama, guada-roupa. O resto, as caixas, trouxe tudo dentro de um carro.
Agora metade da minha vida está empilhada na sala da casa da minha mãe, aguardando um rumo que eu ainda não decidi qual será e, enquanto decido, essa pilha de caixas me faz pensar o que eu realmente preciso daquilo tudo que está ali?
Desde que cheguei, há 2 semanas mais ou menos, só abri as caixas onde estavam as coisas da estante e de tudo que estava nela, só "precisei" dos meus DVDs. Meu irmão quis um e meu pai usou um outro. Eu mesma, até agora, só estou assistindo a primeira temporada de Gilmore Girls que eu comprei pouco antes de vir embora (amo essa série e deu vontade de rever tudo). O resto permanece lá, encaixotado.
Então, como minha resolução nº4, tentarei me desapegar dessas coisas materiais que, agora eu sei, na hora de uma mudança só servem para pesar as caixas e ocupar espaço. Vou tentar me desfazer, pouco a pouco, das coisas que eu não uso e nem sei quando vou usar. Isso inclui desde roupas a enfeites de estante.
Talvez eu até consiga depois de um pouco de treino, terapia e muita oração, me desfazer de parte da minha coleção de joaninhas que ocupa enorme espaço na minha vida.
Não quero virar aqueles monges que vivem só com a roupa do corpo, mas não quero mais carregar coisas que pesam e não servem para nada além de enfeitar.
Coisas com valor sentimental estão fora dessa história.

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Trilha Sonora: Uma música do LS Lack na minha cabeça. Vergonha alheia define o que vocês sentem por mim nesse momento. Em minha defesa digo que a música na verdade é dos Titãs, mas em minha acusação (sou auto-suficiente nesse tribunal: sou ré, advogada de defesa, acuso e julgo), digo que é a versão do LS Jack que tá tocando na minha cabeça mesmo.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Resolução nº3

Fiquei órfã do recurso de compartilhar do Google Reader. Era a segunda melhor coisa do Reader (a primeira é o próprio leitor de feeds) e isso já é assunto velho, super debatido e lamentado pela internet toda. Acabou, acabou, uma pena, sinto muito, paciência.
Daí que eu resolvi que sou muito legal e quero continuar dividindo com o mundo todas as coisas super interessantes que eu vejo no Reader e, como eu tenho também este bloguinho que vive mais abandonado que atualizado, tcharam! vou inaugurar a sessão (ainda sem nome) de compartilhamentos semanais das melhores coisas que achei através do Reader.
Assim eu aproveito e mantenho um ritmo constante de atualizações do blog, como ele era no começo e me fazia tão feliz.

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Trilha Sonora: Acabou - Roberta Campos.