segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Antes da Meia-Noite

Ultimamente tenho feito valer a pena a minha assinatura do Netflix e assisto quase toda noite aos episódios do seriado Medium (A Paranormal, no Brasil). É um seriado muito bom, misturando estilos que gosto (policial+sobrenatural). Só que ele tem uns enredos meio pesados às vezes, uns temas que se te pegam num dia errado acabam te perturbando mais do que distraindo.
Resolvi ver algo diferente hoje. Já queria assistir há meses o Antes da Meia-Noite, continuação do lindo Antes do Amanhecer e do mediano Antes do Pôr-do-Sol; aproveitei que tem ele no acervo do Netflix e dei o play macaco.

Before Midnight
clique na imagem para ver de onde eu peguei.

O que eu tenho a dizer é: que filme lindo!
Começa meio devagar, o Jesse se despedindo do filho Hank no aeroporto depois de passarem férias em família na Grécia. Aí emenda numa cena um pouco longa da Celine, Jesse e as gêmeas Ella e Nina* no carro, voltando para a casa dos anfitriões gregos onde estão passando o verão.
Pensei "pelo jeito vai ser arrastado igual ao segundo filme". Mas eu queria muito ver, então segui em frente.
Quando percebi, eu já estava envolvida na mesa do almoço, rindo e pensando sobre as histórias de amor contadas pelos casais à mesa.
Não vou dar mais detalhes porque não tem como contar sem reproduzir os diálogos, que são exatamente o foco da trilogia, mas o que me prendeu foi parecido com o primeiro filme: a expectativa pelo destino do casal.
A história agora acontece 20 anos depois que eles se encontraram pela primeira vez e, aqui não há spoiler se você pensar no que acontece com quase todos os casais juntos há mais de 20 anos e com filhos: rotina, trabalho, insegurança, vida sexual morna, ausência de privacidade e quase nenhum romantismo.
Aconteceu com Jesse e Celine. Aconteceu com os seus pais. Acontece com os seus vizinhos. Vai acontecer com você. E comigo e qualquer pessoa que se entregue a um relacionamento de tanto tempo. É isso o que me encanta nesses filmes, essa identificação com a vida real, como se durante 1h30 você estivesse vendo uma gravação de um dia comum na vida de um casal comum, que poderia ser qualquer casal que conheço ou eu mesma e meu marido. Discutindo sobre o rumo de suas vidas, sobre os problemas que estão por surgir, sobre mudanças, sobre o passado, sobre mágoas não superadas, sobre quem o outro era e o que ele se tornou. Tudo tão normal, tão simples, que chega a ser bobo, mas ganha brilho pela química entre os atores, os diálogos inteligentes e a personalidade tão bem definida dos dois. Jesse continua charmosamente imaturo e sonhador e Celine continua encantadoramente arrogante e ranzinza, como uma boa francesa deve ser (pelo menos no imaginário popular).
Nesse terceiro filme tudo fica ainda mais lindo graças ao ambiente: Grécia no verão. Tudo tão iluminado e romântico e ao mesmo tempo tão natural e devastado, com ruínas por todos os lados... Exatamente como o relacionamento deles.
Uma cena que me chamou a atenção foi quando eles estão sentados observando o Pôr-do-Sol. Penso que seja uma referência ao filme anterior. A cena é linda, até poética, eu diria.
Enfim, não quero alongar muito no post, mas quero dizer que recomendo muito Antes da Meia-Noite. Mas aconselho que seja assistido por último, na ordem certa e, se possível, com um intervalo de alguns dias, para que você sinta a emoção de reencontrar o casal tempos depois, como um casal de amigos que você torce para que fiquem juntos, mas perde o contato e não sabe o destino deles até encontrá-los um dia, por acaso, numa viagem a trabalho em Paris ou de férias na Grécia.

Clique na imagem para ver de onde eu peguei.

*Os nomes das meninas provavelmente façam referência à Ella Fitzgerald e Nina Simone. Se você assistir ao segundo filme até o final, entenderá o motivo da homenagem à Nina Simone.


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Agora, espero sinceramente que não haja um quarto filme. Acho que há espaço para mais histórias, mas ficou tudo tão lindo, amarrando as pontas que os outros dois filmes deixaram, que dá medo de um quarto filme chegar e deixar novas pontas que podem se embaraçar e estragar tudo.


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Vou ver se consigo manter uma média de 1 filme por semana em 2014. Comecei com este. Os próximos, se valerem a pena, venho recomendar no blog depois.


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Trilha Sonora: Kath Bloom - Come Here. Tema do primeiro filme, Antes do Amanhecer, em uma das melhores combinações entre trilha e cena romântica.

domingo, 15 de dezembro de 2013

Melhor Que a Original - Parte 3

Ressuscitando uma série esquecida aqui do blog, mas sem o formato de lista.
Estou bem. Calma, gente! Não vou fazer em forma de lista simplesmente porque quero mostrar uma música só. Aliás, duas: a original e a versão.
Já falei aqui no blog ou postei um vídeo, não me lembro, da banda Columbia. PUTA BANDA BOA DO CARALHO! Entenderam a intensidade da minha recomendação? É uma banda com letras boas, uma vocalista linda com uma voz deliciosa, músicas gostosas de ouvir o dia todo, em quase qualquer situação. A maioria delas é meio melancólica, mas de uma beleza que raramente vemos hoje em dia.
Enfim, ouçam e confiem em mim, vocês vão gostar.
O caso é que eu baixei todas as músicas deles e no meio delas veio uma chamada "Eu Queria Ser John Lennon". Ouvi, gostei, aprendi a cantar, grudou na minha cabeça algumas vezes e passou. Fiquei um tempo sem ouvir e, outro dia, organizando as pastas de músicas aqui, fui ler os detalhes do arquivo e vi que a música faz parte de um álbum com regravações de músicas do Odair José.
Olha, pra quem não conhece, vou dizer uma coisa e é tudo o que sei dele (e me corrijam se eu estiver muito equivocada): é um cantor brega dos anos... sei lá... 60.
Fiquei cismada com aquilo. Será? Vai ver era só uma música escrita por eles em homenagem ao Odair José. Vai ver ele queria ser um John Lennon brasileiro, daí a homenagem.
Esqueci o assunto. Até que ouvi a música hoje e, com tempo livre, fui ao Google ver qualé quié, afinal.
Achei o seguinte vídeo:

Pois é. Eis um caso de letra linda sofrendo preconceito e sendo ignorada (por mim, pelo menos) só por causa da fama brega do compositor. Confesso que eu jamais teria a curiosidade de ouvir uma música dele só porque sim. Se não fosse essa regravação da Columbia, eu nunca teria conhecido essa música.
Aqui a versão "pop" para quem ficou curioso.

http://www.youtube.com/watch?v=rpO4Et4fd38
(tentei incorporar o vídeo do Youtube e o player do Grooveshark, mas o blog tá de sacanagem e não deixou. Vai só o link mesmo e vocês que cliquem e sejam felizes).

E, embora a letra seja linda de qualquer jeito, a regravação supera a original, na minha humilde opinião.
O que vocês acham?

sábado, 7 de dezembro de 2013

Links dos Últimos Dias #1

Passo muito tempo na internet. Trabalho usando internet (não trabalho COM internet, mas dependo dela funcionando pra fazer 90% do meu trabalho) e, entre uma coisa e outra, dou uma espiada nos sites de notícias, nos links que chegam por e-mail, nos feeds que assino, etc.
Tô sempre vendo coisas legais e antes, quando tinha o abençoado Google Reader, eu compartilhava lá e o gadget dele atualizava tudo ali no cantinho do blog. O coitado do Reader foi descontinuado pelo Google, fiquei órfã (junto com milhares de outros usuários) e desde então sinto uma necessidade enorme de compartilhar coisas com pessoas além do Facebook. Porque, convenhamos, muita coisa que a gente gostaria de compartilhar ali, acaba sendo deixada de lado pelo risco de fulano ver e não entender, de sei lá quem ver e se ofender, de beltrano não ver e o link ter sido compartilhado exatamente para que beltrano visse... Enfim, o Facebook tá cheio de gente que adicionamos por educação e, entre essas pessoas, algumas a gente realmente não quer que fiquem chateadas com a gente e ficar alternando de "post público" para "restritos" enche o (meu) saco. Daí o pensar duas vezes antes de compartilhar.
Aqui no blog é diferente. Como era no Reader, eu posto o que eu quiser, lê quem realmente quer ler e quem está habituado a vir aqui já deve imaginar mais ou menos o que esperar de mim, então não tem susto, não tem drama, não tem choro, não tem "desfazer amizade/reportar como spam/bloquear".
Certo? Certo.
Então, não sei ainda com qual frequência nem por quanto tempo, vou dividir com vocês os links que achei boiando por aí nesse mar sem fim que chamamos de internet.
Não são necessariamente links novos, porque muitas vezes eu salvo coisas no Favoritos ou no Pocket porque estou na correria e só vou conseguir ler semanas (meses) depois. Daí, se for algo legal demais pra ficar guardado só comigo, vou jogar aqui.
Combinado? Combinado.

1 - O polvinho mostrou o pintinho. Nem tudo o que vemos nos filmes infantis é tão infantil ou fofinho.
via Nerd Pai

2 - Coisas que eu poderia ter escrito - Sabe quando você lê uma coisa que alguém escreveu e se enxerga perfeitamente naquilo, como se fossem suas próprias palavras? É, aconteceu comigo.
via Entre Todas As Coisas

3 - Dentes de Leão e Poesia - Achou um dente-de-leão? Aquela flor descabelada, que quando é assoprada sai voando os "cabelinhos" brancos todos. Então, achou? Tira uma foto e manda pro Palavras e Silêncio.
via Palavras e Silêncio

4 - Inglês na calçada - Uma canadense, em intercâmbio no Brasil, resolveu doar parte do seu tempo para ensinar inglês a moradores de rua. Saiu em vários lugares já, jornais grandes e sites variados, mas eu vi primeiro no Facebook.

5 - Testamento da Kombi - É, aquele carrinho meio feio, mas super versátil e espaçoso, que carrega de crianças a pacotes de café (meu tio trabalha com isso, em uma kombi) deixará de ser fabricado em breve (ou já deixou?). Aí, em uma ação incrivelmente criativa e sensível, a Volkswagen colocou no ar esse site de despedida, onde estão recolhendo histórias de pessoas e suas kombis ou das kombis que passaram por suas vidas de alguma forma marcante. O mais lindo e emocionante é o testamento que a "kombi" fez, deixando coisas para algumas pessoas que tiveram suas vidas transformadas em função de/dentro de uma kombi. Sério, dá vontade de chorar e vale muito a pena dar uma olhada no site.
via Ana no Facebook

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Trilha Sonora: Blue Poles - Patti Smith. Coloquei o Grooveshark pra tocar a estação de artistas/músicas semelhantes ao Iggy Pop e já tocou de um tudo aqui.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Músicas Que Ficam

Tocou no rádio essa semana uma música que me fez voltar no tempo por uns instantes.
Era aquela música, Velha Infância, que diz "Meu riso é tão feliz contigo O meu melhor amigo é o meu amor".
Na época em que ela ainda era muito tocada, eu namorava uma pessoa com a qual hoje eu não tenho o menor contato. No máximo uma notícia ou outra, vindas de amigos em comum, quando o nome dele surge em uma conversa e eu pergunto como ele está. Pergunto por curiosidade e porque, sim, ele foi importante na minha vida de inúmeras formas. Éramos amigos, antes de qualquer coisa e continuamos amigos, depois de tudo, apesar de tudo, por algum tempo.
Ouvi a música e fiquei pensando como as coisas mudam com o passar do tempo e letras que pareciam ter sido escritas pra você e uma determinada pessoa, de repente, já não fazem o menor sentido.
Ele não é mais o meu melhor amigo há muitos anos, não é mais o meu amor, meu riso tem outras razões para ser feliz e ele não é mais nenhuma dessas razões, ele não é mais um sonho pra mim, não penso nele desde o amanhecer e, muitas vezes, passo meses sem nem lembrar que ele existe.
Outra música que considerávamos "nossa música" era A Sua. Continuo gostando dela, mas também não faz mais sentido associar a ele. A não ser por um verso que posso dizer com sinceridade que é e sempre será verdade quando falo de qualquer um que tenha passado pela minha vida: "Eu te quero sempre em paz".
Em qualquer relacionamento, independente de como termine, não pode deixar de existir o desejo de que coisas boas aconteçam ao outro. Comigo por perto ou não, que a vida deles siga em paz, como desejo que a minha siga.
Não consigo entender pra onde vai todo o amor que se jura um dia, quando, de repente tudo acaba e vai cada um pra um lado. As músicas viram apenas uma coisa que toca ao acaso e nos faz pensar em alguém que já passou. Mas o sentimento de querer bem... Não é possível que acabe por completo se ele chegou a ser verdadeiro.
As músicas que não podemos proibir de tocar ao acaso, numa terça-feira qualquer, se ainda nos fazem pensar "Onde foi que erramos? Porque não deu certo? Onde andará fulano?", são a prova de que pelo menos um carinho fica de todo amor que passa.

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Trilha Sonora: Velha Infância ficou na minha cabeça a semana toda.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Green Jones / Norah Day

Acabei de ouvir Outro dia ouvi uma música que preciso eu precisava compartilhar aqui (no facebook eu já compartilhei na mesma hora).
Primeiro a música, depois as minhas opiniões de crítica musical de show de churrascaria:




Sim. É o Billie Joe Armstrong, vocalista do Green Day, aquela banda de punk rock (?*) e a Norah Jones, aquela cantora da voz doce, que canta lindamente as músicas que você pode usar para quase tudo na vida: de dormir a dirigir, passando por namorar e andar de elevador.
Não sei ainda como e quando começou, preciso dar uma procurada, mas eles estão cantando juntos e parece que a coisa foi até que bem divulgada já. Eu, desatualizada como estou, nem estava sabendo de nada e fui pega de surpresa quando alguma página de música que curto no Facebook publicou o vídeo acima. Fui ver correndo por dois motivos: adoro os dois em suas carreiras e achei isso muito inusitado. Nunca pensei que um cara que canta músicas como as do Green Day fosse capaz de mudar de estilo assim cantando com aquela fofura-meiguinha-bonequinha da Norah Jones.
Mesmo nas músicas mais tranquilas deles, o estilo é bem diferente, mais rock mesmo, não fugindo nunca do jeitão moleque do Green Day.
Já no caso da Norah Jones, não há muita surpresa, porque nessa dupla com o Billie Joe, eles estão fazendo um som bem folk, aquela coisa que combina com violão e lembra férias no campo, outono, coisa marrom (só eu penso nessas coisas quando ouço folk? Desculpa, então. Sou louca.). Não muito diferente do estilo original dela que, embora não seja folk, também é uma coisa bem tranquila de ouvir, traz aquela sensação de que nada mais é urgente, que o mundo deu uma desacelerada e que só importa o quê ou quem está ali com você naquele minuto.
A surpresa maior foi a parceria dos dois por causa do Billie Joe mesmo. Pra mim, humildemente palpitando, foi uma coisa estranhamente boa de ver e ouvir.
Achei que ficou muito bom, a voz deles combinou, ele se mostrou um cara corajoso e de voz versátil arriscando um estilo tão novo pra ele e uma parceira tão diferente dele, como a Norah Jones.
Enfim, pra quem não é profissional no assunto, falei demais já. Só queria indicar a dupla pra vocês e, se gostarem de Long Time Gone, tem mais músicas aqui, clicando na imagem:

https://itunes.apple.com/br/album/foreverly/id728775523?wmgref=http%3A%2F%2Fwmuk-apache.co.uk%2FLS%2Fbplayer%2Findex.html&affId=2082724&ign-mpt=uo%3D4


Sobre as músicas: todas elas são regravações do disco lançado em 1958, Songs Our Daddy Taught Us,  dos Everly Brothers, uma dupla que fez sucesso nos anos 50/60.
Espero que gostem!

(*Adoro Green Day, mas nunca tive muita certeza se devo ou não dizer que eles são uma banda de punk rock. Rock é, mas punk... Não sei, é um "rótulo" que não gosto de usar pra eles. Até porque, rótulo nenhum é legal de se usar em coisas que não sejam produtos industrializados que necessitem de informações nutricionais, procedência e data de validade, né?)