sábado, 25 de julho de 2026

Sobre o post anterior e a velha internet

Tem um desenho que gosto muito (e assisto desde que eu estava no ensino médio), Futurama, que se passa no ano 3000, na Nova Nova York.
A Nova Nova York foi construída em cima da velha Nova York, que virou uma espécie de esgoto ou depósito de tudo o que o futuro despreza e não tem mais utilidade.
Enquanto escrevia o outro post, me dei conta que é como a internet: existia uma comunidade aqui, uma "civilização", uma coisa viva e em crescimento.
De repente, não sei bem quando e nem como, construíram uma nova internet em cima dessa velha internet e todo mundo foi pra lá.
Ninguém destruiu a velha internet, nem nos expulsou daqui ou nos forçou a ir para a nova internet. As pessoas só escolheram ir embora para a nova internet e deixaram suas coisas aqui "embaixo". De vez em quando alguém volta, tira a poeira, fala com o vento, brinca de gritar pra ver se o eco responde e depois vai embora, de volta para a nova internet. Porque todo mundo está lá. E o "lá" é bem aqui, logo acima.
Talvez por isso eu tenha a sensação de que estou sozinha aqui, enquanto todo mundo também está aqui, mesmo que eu não veja ninguém.
É só uma questão de superfície e subterrâneo. Ou de porão e terraço.


***
Trilha Sonora: The Smashing Pumpkins - Tonight, Tonight. Curiosamente o clipe combina com o que acabei de escrever sobre mundo subterrâneo, mundo novo e tal.

Quase 20

De todas as vezes que larguei esse blog abandonado e tentei voltar, essa tem sido a tentativa de maior sucesso, ainda que eu escreva bem menos do que eu gostaria e muito menos do que eu costumava escrever.
Em tempos de "sucesso" desse blog (que nunca foi famoso, mas tinha bastante leitor assíduo e interação nos comentários), teve dia que eu postava 3... 4 vezes por dia. Acho que teve semana que postei todos os dias.
Eu gostava muito de escrever e, principalmente, tinha muito para falar. Muitas opiniões, muitos achismos, muitas certezas, muitos pensamentos escorregando pelos meus dedos.
A internet parecia maior, mais cheia de gente, mais cheia de lugares para ir. E a internet, propriamente dita, funcionava muito precariamente, com baixa velocidade em computadores extremamente lentos. Especialmente no meu caso, que nunca tive computadores potentes para jogos e a conexão em casa era sempre a mais em conta, suficiente para baixar música, fazer pesquisas e usar o MSN. No meio disso, tinha o blog.
Depois, conforme a internet deixou de ser um lugar de lazer e passou a engolir tudo, virou esse monstro que existe agora, que todo mundo é obrigado a estar na internet todos os dias, querendo ou não (precisa dela pra trabalhar, pra usar banco, para falar com a família, para mandar um recado, para matar saudade, ouvir música, assistir TV, saber previsão do tempo, ver receita de bolo, estudar, tirar dúvida, conhecer gente nova.... Credo!), eu também me vi sendo levada para caminhos novos na minha própria vida, responsabilidades e preocupações que não tenho mais tempo de descarregar aqui, problemas que em algum momento passei a achar que são pessoais demais para expor tanto.
Se antes era aqui que eu me acalmava, colocava a cabeça no lugar, agora é longe da internet que faço isso. Descobri hobbies novos e tenho investido cada vez mais tempo e dinheiro nesses hobbies justamente para ficar menos tempo na internet, que, vejam só, era o meu hobby preferido.
Não sei... Talvez antes a internet fosse como um clubinho secreto que, embora tivesse muito mais gente passeando e se falando, tinha muito menos gente conhecida em contato. O offline e o online pareciam nunca se cruzar.
Agora, com absolutamente todo mundo na internet, parece que a qualquer momento alguém pode achar meu blog e compartilhar um print no TikTok ou Instagram, marcando minha @ e acabando com a minha privacidade. Mas se for pensar racionalmente, isso nem faz sentido, já que as pessoas nem acessam mais sites e blogs pessoais. Tudo é app e rede social da moda.
É estranho. Ao mesmo tempo que tá todo mundo aqui na internet, parece que não tem mais ninguém aqui na internet. É uma coisa "Quanta gente!!! Cadê todo mundo?" e isso me deixa desconfortável.

Enfim, tudo o que eu queria dizer é que ano que vem, 2027, esse blog fará 20 anos. E 20 anos é tempo demais!
Muita mudança, muita coisa nova, muitos sentimentos, muitas memórias. Tudo (ou quase tudo) registrado aqui, nesse meu puxadinho esquecido na velha internet.

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Trilha Sonora: The Jesus And Mary Chain - Sometimes Always

terça-feira, 21 de julho de 2026

R.I.P. Fada do Dente

ou O Dia Que a Fada do Dente Morreu (spoiler: eu a matei)


Desde que me tornei mãe, quase 14 anos atrás, decidi que seria o tipo de mãe que incentiva o lúdico, que estimula a criatividade, que valoriza e embarca junto na imaginação. Mas não bastava só incentivar e estimular. Eu escolhi me esforçar, escolhi ter trabalho, escolhi "performar", como diria a propria Minha Filha.
Daí, assim que ela passou a entender datas, tivemos as super produções do Calendário do Advento (farei um post a respeito. Tá no rascunho há anos, literalmente. E eu sei usar corretamente o "literalmente"), as médias produções de páscoa, as brincadeiras do dia a dia e chegou o dia em que ela perdeu o primeiro dente.
Quando a criança perde o dente, o que os pais fazem? Podem optar pelo "coloca o dente debaixo do travesseiro e a fada vai deixar um dinheiro pra você em troca do seu dentinho" ou simplesmente "Ok! Caiu o dente. Joga no lixo e se prepara que os próximos cairão em breve". Avaliei as opções e achei pouco. Confiei no meu potencial para fazer melhor.
Pois então, confiando no meu potencial, me enfiei em uma aventura que durou uns 2 anos.
No primeiro dente, avisei pra ela que a fada do dente viria deixar um dinheirinho pra ela. No meio da noite eu troquei o dentinho pelo dinheiro e, não satisfeita, escrevi um bilhete pra ela agradecendo pelo dentinho, pedindo para ela cuidar bem dos outros que estavam prestes a cair e "polvilhei" a cama com glitter. Debaixo do travesseiro deixei um tanto a mais de glitter e o tal bilhete, escrito com uma letra cheia de firulas. Letra de fada, na minha cabeça.
Quando ela acordou, aquela alegria, aquela festa! E daí pra frente foi só loucura e megalomania materna. Fui dobrando a aposta, sendo que eu estava apostando comigo mesma, contra mim mesma, nem sei. Eu era a banca, o apostador, os dados, a roleta. Assim, fui ganhando e perdendo ao mesmo, porque eu ganhava a satisfação de ver a magia acontecendo e perdia horas de sono pra esperar Alice dormir e eu poder fazer toda a maracutaia da fada.
No segundo ou terceiro dente, tivemos um problema: o dente foi engolido enquanto ela comida batatinha e deu-se o desespero.
"AfadaDOdenteNÃOvaiMEvisitarPORQUEeuENGOLIoMEUdeeeeeeete!!!!" *choro + choro + choro + choro*
Nada disso. A fada vai visitar minha filha, sim! A magia não vai ser engolida com batatinha, não! Eu não permito!
Entrei no Google Imagens, achei uma ilustração bonitinha de uma fada do dente. Mandei a imagem para a minha cunhada e pedi pra ela mudar a foto do whatsapp dela e me enviar um áudio fazendo voz de fada e falando que ficou sabendo que o dente foi engolido por acidente, mas que ela já tinha resolvido tudo. O dente era valioso demais para ser perdido, então ela pagou um pouco de queijo para os ratos mágicos do esgoto acharem o dente dela, já que ela já tinha ido ao banheiro e o dente foi embora pro esgoto, onde moram os ratinhos mágicos. Problema resolvido. Mais tarde a fada faria uma visita.
No meu celular, mudei o nome do contato da minha cunhada para Fada do Dente e apaguei o histórico da conversa, porque Alice nunca foi boba e ia questionar o que mais eu tinha falado com ela antes daquele áudio.
Alice ficou MUITO feliz com o áudio da Dona Fada do Dente. Melhor do que apenas uma cartinha.
E aí a história foi, foi, foi, foi... Até que Alice fez 7 anos e achei melhor acabar com essa história para evitar que ela contasse na escola sobre as visitas da Fada do Dente e, por isso, virasse motivo de chachota dos colegas que não acreditavam mais (ou talvez nunca tenham acreditado) na Fada do Dente.
Esperei um dente cair e deixei a última cartinha dizendo que agora ela estava um pouco grande, já não tinha muitos dentes para cair e a fada precisava coletar dentes novos, de crianças menores. Foi uma bela despedida e pensei que a história seria encerrada ali.
Mas não. Alice acordou, leu a carta e caiu no choro.
"AfadaDOdenteNÃOvaiMEvisitarMAAAAAIS!!!!" *choro + choro + choro + choro*
Foi nesse  momento que tomei a decisão: matar a fada do dente.
Comecei dizendo que ela já estava grande, que os amigos também estavam grandes, que eu precisava que ela soubesse que a fada do dente era a mamãe. E que foi lindo incentivar e criar tudo aquilo, mas ela não podia seguir acreditando nisso porque eu temia que os colegas fizessem piada sobre isso, caso surgisse o assunto.
"AfadaDOdenteNÃOexiste?!?!?" *choro + choro + choro + choro*
Ela questionou o áudio, os bilhetes, o brilho mágico, o dinheiro... E eu tive que explicar: "Era eu, meu bem. A mamãe fazia tudo. O áudio foi a tia quem mandou porque eu não queria que você ficasse triste por causa do dente que engoliu".
O luto pela morte da Fada durou alguns dias, entre indignação e incredulidade.
No fim, passou e ela seguiu a vida dela perdendo mais alguns poucos dentes.
Se eu tivesse outra criança pequena, faria muita coisa diferente, mas a história da fada do dente, do começo ao fim, sinceramente? Eu faria tudo de novo.
Da criação ao assassinato da fada, não mudaria um grão de glitter nisso tudo.

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Trilha Sonora: ouvindo entrevistas no Youtube.

segunda-feira, 4 de maio de 2026

40

Sexta-feira, dia 01/05, foi meu aniversário. 40 anos!
Daqui de onde me vejo (não sei se consigo explicar direito) parece que não tenho "tudo isso". Parece pouca vida vivida. Mas, também daqui de onde me vejo, me lembro quando minha mãe fez 40 anos e ela parecia tão... adulta? Mãe? Experiente? Não sei se era isso. Talvez seja 'madura' a palavra correta.
Nessa época, quando minha mãe fez 40 anos, dei pra ela um livro chamado Quarenta: A Idade da Loba, que eu não faço a menor ideia de como foi que veio parar nas minhas mãos, mas estava lá e achei que pudesse ser interessante para ela, já que (assim como eu agora) ela nunca tinha feito quarenta anos antes. Ela leu, disse que adorou e de tempos em tempos se lembra do livro e comenta a respeito. Ele voltou pra minha estante depois de um tempo.
Semana passada lembrei dele e pensei que talvez seja uma boa leitura agora que posso saber do que falam as mulheres de quarenta anos, apesar de ainda não ter certeza absoluta se eu tenho as credenciais para fazer parte do tal clube das lobas.
O que fazem as mulheres de 40 anos? Trabalham, cuidam de filhos, administram seus relacionamentos amorosos, tentam manter contato com os amigos, aprendem a ser as mães dos seus pais que agora agem como crianças? Porque, se for isso, eu já faço isso tudo há alguns anos. Então estou apta a usar minha carteirinha para entrar no clube. Mas se as mulheres de 40 anos sabem exatamente o que querem da vida ou se já estão exatamente onde planejaram estar aos 40 ou se elas já têm estabilidade financeira e emocional suficiente para fazer todo o resto sem que nenhuma ruga de preocupação ou dúvida surja na testa... Bom... Aí eu tô fora do clubinho.
Refleti muito esses dias e, realmente, estou bem longe de onde sonhei que estaria hoje. Mas também estou muito longe de onde eu estava quando sonhava com os 40 anos. Talvez eu tenha sonhado com a estrada mais ao leste e acabei pegando uma entrada mais ao sul, desviei a rota e encontrei um caminho diferente. Não é o caminho que o meu mapa estava indicando, mas é um bom caminho.
Enfim, feliz novo ciclo pra mim. Feliz nova idade. Feliz.
Estou feliz, bem aqui onde estou.
:)


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Trilha Sonora: Coisas da Vida - Milton Nascimento, tocando na rádio Nova Brasil, porque eu sou uma jovem senhora que ouve rádio, sim. 

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

É Assim Que Acaba

Roberto levantou naquela quinta-feira e fez tudo exatamente igual vinha fazendo nos últimos anos: desligou o despertador, chamou a esposa, preparou o café para a família enquanto as crianças arrumavam as mochilas e em pouco tempo todos estavam prontos para sair.
Ele foi para o trabalho depois de deixar os filhos na escola. Precisou dar conta das burocracias do escritório, atender clientes e sorrir fingindo simpatia para os colegas com quem precisava conviver. Se esforçou para dar risada de uma piada que não tinha a menor graça e já tinha ouvido o chefe contar e recontar pelo menos umas três vezes nos últimos 5 anos que trabalhava ali.
Olhou para o relógio pontualmente às dezoito horas, já acostumado a olhar para o relógio quando estava na hora de ir embora. Arrumou suas coisas, guardou suas canetas, se despediu dos colegas e foi para casa.
Chegou quase junto com a esposa, que trazia as crianças.
Tomou um banho, brincou com os meninos enquanto a esposa terminava de colocar a mesa para o jantar. Comeram juntos, contaram sobre os seus dias, lavaram a louça.
Colocou os filhos para dormir, conversou com a esposa sobre dinheiro, sobre a saúde do pai dela, debochou da piada sem graça do chefe, trocaram carícias e apagaram as luzes. 
A esposa adormeceu em poucos minutos, como de costume. Roberto, por sua vez, demorou para pegar no sono porque tudo o que conseguia pensar girava em torno de Cristina, o grande amor da sua vida que havia falecido três dias antes e, depois de tantos anos sem contato, tudo o que ele podia fazer para se despedir era reagir com um emoji de choro no post que o viúvo publicou avisando aos amigos sobre o local do velório. Graças ao algoritmo ou por culpa do algoritmo, ele nem sabia mais, o post só apareceu para ele naquela madrugada. Tarde demais para enviar flores ou ir pessoalmente para um novo e último adeus.
Olhou para o relógio, quase meia noite. Precisava dormir. No dia seguinte a rotina o esperava e ele havia prometido levar a esposa para jantar.
- 10 anos de casamento! Precisamos comemorar, Roberto! Haja o que houver, vamos sair para jantar.



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Trilha Sonora: O ventilador de madrugada é o meu ASMR preferido.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Hidratação é importante

De vez em quando a minha cabeça tá tão doida que uns diálogos meio absurdos acontecem de forma tão natural que só depois eu percebo o que eu falei.
Domingo, por exemplo, tinha uma garrafa de água bem gelada no quarto e outra garrafa de água quente, do dia anterior.
Alice foi tomar um remédio e pegou a garrafa quente. Bebeu um gole e reclamou:
- Que água quente!
- Mas você bebeu a água seca, né? Por que não bebeu a água molhada?
Enquanto eu estava falando, fazia total sentido esse pensamento. Logo depois eu percebi que, opa! Tô dando defeito.

sábado, 16 de agosto de 2025

Maratona Particular

Não sei se é a crise dos 40 ou se é o coitado do Mercúrio retrógrado que todo mundo adora culpar por tudo, mas ultimamente estou meio que me comparando com outras pessoas e às vezes me sinto meio bosta, meio deslocada.
Eu deveria ter conquistado muita coisa que não conquistei ainda. Eu deveria ter muitas responsabilidades que a vida ainda não me obrigou a assumir. Eu deveria saber fazer muitas coisas que ainda não sei fazer.
Mas deveria mesmo? Ou eu acho que deveria porque fico me comparando com outras pessoas?
Será que as pessoas com quem me comparo também não olham pra mim e desejam a minha vida? Será que não sonham com uma rotina mais tranquilinha como a minha parece ser quando posto story de hobbies legais e meio bobos?
Não fossem os hobbies meio bobos, aliás, eu ja estaria tomando remédio pra não ter um treco porque esse inferno de rede social nos faz ver e mostrar só o lado leve da vida, enquanto o pesadão, os dramas e perrengues ficam no offline, bem escondidos. Os meus, pelo menos, ficam e o que não falta é drama tentando acabar com a minha saúde mental ultimamente. 
E se eu não quero ver drama de ninguém, que eu não pago internet pra ficar de baixo astral, também não perco tempo expondo publicamente os meus problemas (pra 30... 40 pessoas, mas ainda assim).
Eu gostaria de estar trabalhando com algo mais interessante? Com certeza. Gostaria de estar morando numa casinha bem decorada e confortável? Claro. Mas não estou, não dá, nada disso é possível agora.
Meu desafio tem sido me convencer de que está tudo bem nada disso ter sido possível ainda. 
Tento me convencer lembrando sempre que cada um tá correndo sua própria maratona, com seus próprios obstáculos e seu próprio trajeto. Tem gente correndo com a ajuda de uma equipe enorme. Tem gente correndo sem apoio, descalço e debaixo do sol. Tem gente que pega atalho e tem gente que pega a via errada e precisa recomeçar.
Eu tô só correndo, sem saber quando a maratona acaba. Às vezes com equipe de apoio, às vezes sozinha. Peguei caminho errado e precisei recomeçar. Teve trecho de chuva e eu tava de guarda-chuva. Teve trecho de asfalto quente e eu tava descalça. Teve trecho que entrei num ônibus e adiantei uns km sem correr, trapaceando.
Por mais que eu acabe reparando na maratona alheia, nessa competição a única adversária que tenho sou eu mesma.
Um dia eu chego lá.


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Acho que era isso que eu queria dizer no post anterior quando me vi perdida entre pratinhos girando e aros de fogo chegando.
Meu cérebro anda me levando por caminhos inesperados ultimamente.

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Trilha Sonora: Paciência - Lenine. Bem a calhar, heim! 

Equilibrando Pratinhos e Pulando o Aro de Fogo

Ano que vem vou fazer 40 anos.
Fazer 40 anos pode e não pode ser uma grande coisa. Quando eu tinha, sei lá, uns 12... 13 anos, olhava para mulheres de 30 e achava que elas eram todas super adultas. As de 40, então, nossa! Eram mulheres maduras, senhoras vivendo suas vidas de senhoras.
Agora que estou nesse lugar, esse meio fio entre os 30 e poucos e os 40, olho pra mim mesma e não sei bem se sou uma jovem senhora, uma jovem, uma mulher madura. Sou só... Eu.
Tenho uma filha adolescente, tenho um emprego estável há 16 anos, um relacionamento de 17 anos com um casamento de 5 anos, muitas amizades de mais de 20 anos de existência (ainda que nessa idade a gente veja os amigos muito menos do que gostaria). Meus pais já estão com 60 anos e muitos sinais do que é a vida aos 60 anos (saúde mais delicada, cabeça mais dura), meus irmãos todos formados, trabalhando, um deles casado. Eu vi meus irmãos nascendo, carreguei dois deles no colo, ensinei um deles a tomar banho, desfraldei e dei comida na boca dele. Tá aí agora, 25 anos, iniciando a carreira como psicólogo. Era um bebê até ontem. Eu mesma me sentia uma bebê até ontem.
O tempo vem e vem com força.
Mas, estranhamente, mesmo vindo com força, o tempo também parece vir lento dentro de mim. Por fora, pros outros quando me olham, sinto que enxergam a tal da mulher madura-jovem senhora que eu deveria ser (e talvez seja). Por dentro, quando eu mesma me olho, não sei.
Tento dividir meu tempo entre montar quebra-cabeça, fazer colagens e colecionar cacarecos* enquanto educo minha filha adolescente, trabalho 40 horas semanais e guardo a roupa recém lavada. Eu não tenho uma casa minha. Ainda moro com os meus pais. Eu não tenho um quarto só meu e nem tenho condições de dar pra minha filha um quarto só dela. Eu não tenho dinheiro guardado porque a junção de muitas situações da minha vida me fazem sempre gastar um pouco mais do que ganho, me enrolar com cartões de crédito e empréstimos consignados. Eu não atuo na minha área de formação porque a estabilidade do meu emprego ainda é mais importante do que o sonho de ganhar dinheiro escrevendo ou revisando textos. Fiz da minha paixão pela escrita uma renda extra e eventualmente essa renda extra é a salvação da minha lavoura. Aliás, a minha formação demorou 15 anos pra finalmente acontecer. A maternidade foi a coisa mais especial da minha vida, mas foi também um dificultador para muitos dos meus objetivos de vida. Alguns objetivos eu até larguei pra trás porque não cabem mais na vida com filhos. Outros objetivos eu adiei e o que foi possível tocar adiante, toquei como pude.
Mas, de repente, ser adulta, ser a mulher de 40 anos e coisa e tal... De repente é isso mesmo: equilibrar vários pratinhos girando enquanto pulo por um aro pegando fogo diante de uma plateia que às vezes aplaude e às vezes joga tomates.
Acho que eu nem deveria ligar pra plateia, na real, porque quem escolheu equilibrar pratinhos enquanto pula através do aro flamejante fui eu. Ninguém me obrigou a esse número bizarro e maravilhoso. Sim, eventualmente a vida me deu mais um pratinho pra equilibrar mesmo enquanto eu dizia que não daria conta de 2 pratinhos e depois a vida me deu mais 2 pratinhos enquanto eu dizia que ia cair tudo e, quando eu vi, estava girando 7 pratinhos e dando conta. Mas olha aí o aro pegando fogo! Vou ter que pular! E eu pulei e deu certo. Mas ninguém me obrigou. Eu poderia jogar tudo pro alto e simplesmente não fazer nada disso.
De vez em quando olho o circo ao lado e tem outras pessoas equilibrando os mesmos pratinhos que eu, mas com muito mais treino e graciosidade. E tudo bem. Até porque, do outro lado da rua, em outro circo, alguém já quebrou 2 pratinhos e saiu com a bunda queimada depois do aro de fogo.
Tem gente que consegue, tem gente que não consegue.
Tem gente que equilibra mais pratinhos e atravessa aros mais estreitos antes dos 40 anos. Tem gente que nasce equilibrando pratinhos. Tem gente que nunca vai girar um pratinho na vida, muito menos aprender a saltar o aro.
A plateia segue aplaudindo e jogando tomate em todo mundo, independente do quão infame ou incrível seja esse tal show da mulher de 40 anos que eu nem sei ainda se estou atuando bem.
Quando o show acaba, eu vou pro meu camarim montar quebra cabeça e cuidar dos meus cacarecos.
E eu não sei mesmo se é isso aí a vida da mulher de 40 anos, se é esse circo todo, se tem toda essa graça que eu gostaria que tivesse, se é tão difícil quanto parecer ser pra mim em alguns dias. Não sei se também era essa a vida das mulheres de 40 anos que eu admirava quando eu ainda estava sentada na plateia. 
Talvez o meu erro seja ficar bisbilhotando o show alheio. Cada um com seus pratinhos, eu deveria cuidar dos meus. Talvez o meu erro seja ficar esperando aplausos e temendo tomates. Vai ter um e vai ter outro, inevitavelmente. 
Enfim, eu ainda não sei se eu estou onde deveria estar e nem sei se vou chegar aos 40 do jeito que sonhei e sonho. Falta bastante coisa ainda e tenho pouco tempo. Mas sigo equilibrando meus pratinhos, fazendo analogias que fazem mais sentido na minha cabeça do que por escrito.
Acabei de deixar cair um pratinho.


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A internet nos chama de "cacareco girl", porque somos o tipo de """garota""" que gosta de colecionar tranqueirinhas fofas, os cacarecos. Ainda que essa garota tenha quase 40 anos.


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Trilha Sonora: Vieste - Ivan Lins. Música de tia, né? Mas eu adoro Ivan Lins desde que eu era criança. Nasci com alma de tia.

terça-feira, 29 de julho de 2025

Não Estou Falando Sozinha

Faz uns anos que esse blog está um pouco abandonado, meio morto-vivo, como muitos outros internet afora.
Coisa rara é alguém interagir nos comentários, mas vez ou outra acontece.
Essa semana recebi um comentário e fiquei super feliz, mesmo sem saber quem comentou.
Outro dia também recebi um comentário da Aline Love, amiga virtual que acompanhou muitas aventuras minhas durante alguns anos, até que sumiu.
Também fiquei muito feliz.
Fico feliz porque, embora seja gostosa a sensação de falar as maiores abobrinhas ou colocar pra fora algumas coisas mais íntimas sem ninguém pra me julgar, também é gostosa a sensação de que as coisas que falo ainda são importantes para alguém a ponto desse alguém lembrar de mim, se perguntar se eu atualizei o blog e digitar o endereço no navegador na esperança de ler qualquer coisinha que eu tenha resolvido dividir com o mundo.
É interessante pensar que, ao mesmo tempo que esse post está ao alcance do mundo todo, anônimos e conhecidos, ele também está restrito aos poucos que ainda consomem conteúdo de blogs na internet.
Essa internet que virou vídeo, barulho, engajamento, meme, influencer, like... Mas aqui, nesse pequeno pedacinho de terra, a internet segue silenciosa, calma, quase como uma casinha na beira do lago, com cadeira na área e cortinas voando pro lado de fora da janela da sala enquanto a gente bate papo e observa a vista do outro lado do lago.
Aliás, lá do outro lado do lago parece que tá rolando uma festa, tá vendo? Tem gente correndo com a cueca na cabeça! E aquele cachorro ali?! Parece que ele late no ritmo de uma música famosa que eu não conheço. Acho que isso ajuda a monetizar, né?
Ainda bem que desse lado do lago a gente não liga pra essas coisas e se recusa a monetizar nossos hobbies.
Ainda bem que vocês ainda estão aqui.
Vou buscar mais suco e bolo pra nós. Já volto.

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Trilha Sonora: vídeo no YouTube é minha religião ultimamente. O canal Matando Matheus a Grito e Neuraverso são meu Pai Nosso e Ave Maria, toda noite, antes de dormir.

quinta-feira, 22 de maio de 2025

Post it pra mim

Quando o cansaço mental é tão intenso que o corpo dói. Sim. Dor física causada por cansaço mental.
Esse é um lembrete para que isso não se repita. Eu preciso do dinheiro, ele é necessário e vai me ajudar, mas não posso mais fazer isso e não quero mais fazer isso.
Voltar para lugares e situações que sugaram (e continuam sugando) minha energia, minha alegria, minha vontade de ser melhor... Não vale a pena.
Essa é a última vez mesmo.

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Trilha Sonora: vídeos aleatórios no youtube para relaxar a cabecinha cansada.

quarta-feira, 7 de maio de 2025

As coisas que aparecem e desaparecem

Do nada, um dia comecei a usar um anel. Era um anel lindo, de prata, que eram 7 anéis entrelaçados um no outro, como se fossem alianças.
Do nada, do nada, na verdade não foi. Só que eu não lembro quando foi. Não lembro de onde esse anel veio. Não faço a menor ideia se eu ganhei de alguém, se achei em algum lugar. Só lembro dele no meu dedo por alguns anos.
Estava tomando banho agora há pouco e, aí sim, do nada me lembrei desse anel. Ele sumiu. Não sei se eu perdi na rua, se tirei em algum lugar e esqueci. Se ele está em alguma caixa de tranqueiras esquecidas aqui em casa. Só sumiu.
Do jeito que ele veio, ele foi. Eu não sei mais nada sobre isso. Mas eu gostava dele e, por alguns anos, ele fez parte de mim (nunca tive um estilo específico pra dizer que ele fez parte do meu look ou do meu visual).
É engraçado como algumas coisas aparecem e somem das nossas vidas e a gente não percebe direito quando cada coisa aconteceu. Claro, na época, logo que comecei a usar esse anel, eu saberia responder de onde ele veio. Quando ele sumiu, obviamente eu não reparei de imediato, até porque, se eu soubesse, ele não teria sumido. Mas o ponto é: eu gostava dele e ele sumiu.
E não tem lição nenhuma nisso, nenhuma história que eu possa relacionar com esse surgimento e sumiço do tal anel. É só a constatação de que algumas coisas aparecem e somem e a gente nem percebe. A gente não percebe até que. Do nada.

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Trilha Sonora: Ouvindo o vídeo da Lorelay Fox aqui na aba ao lado, com os Conselhos Ruins.

domingo, 13 de outubro de 2024

A angústia da espera

Na última semana o assunto "envelhecer" tem sido o foco de quase todos os meus dias. Eu penso nisso, eu falo disso, eu lamento, eu celebro.
Meu pai está internado há alguns dias, tratando os problemas de rim e coração (que normalmente ele não cuida como deveria e, justamente por isso, foi parar no hospital). Há poucos dias meu pai completou 60 anos e, embora seja ainda muito novo, já não tem mais a juventude que se fixou na minha memória porque foi a fase da vida dele que eu mais presenciei.
Quando meus pais se casaram, tinham em torno de 20 anos. Meses depois eu cheguei. Pouco tempo depois veio minha irmã. Alguns anos depois, o meu irmão. Alguns poucos anos depois, meu outro irmão.
Entre o primeiro e o último nascimento, 13 anos se passaram. Meus pais ainda eram jovens. Mais jovens do que eu sou hoje. E aí a questão se desenrola ou se enrola, dependendo do ponto de vista.
Agora que meu pai está com a saúde frágil, vejo a materialização de tudo o que tenho observado e é fato para qualquer ser vivo: o tempo passa e a vida tem um fim. Quanto mais o tempo passa, mais perto estamos do fim. Eu aceito, não questiono. Lamento, mas não questiono. Muito menos tento lutar contra, porque sei que é uma batalha que eu não vou ganhar e, além de não ganhar, posso sair mais machucada do que o necessário.
Minha filha completará 12 anos no próximo domingo. Meu marido fez aniversário essa semana. Todo mundo faz aniversário todo ano. Eu celebro os aniversários e gosto de pensar na sorte que temos por vencer mais um ano porque todo dia, a todo instante, a gente poderia simplesmente cair morto no chão e não cai. E o aniversário é a soma de mais 365 dias em que poderíamos ter caído mortos no chão e não caímos.
Saber que meu pai pode não ter mais um aniversário pela frente enquanto todos nós vamos continuar comemorando nossos aniversários me faz olhar as coisas por uma ótica que não gosto. A ideia de "quanto mais o tempo passa, menos tempo de vida temos". Acho triste pensar assim e acho triste quem não celebra aniversários por causa dessa ideia. Mas estar inserida nesse momento da vida do meu pai, diante da possibilidade concreta de que, sim, ele não tem mais tanto tempo de vida quando tinha quando eu e meus irmãos nascemos, me obriga a pensar na finitude da vida mais do que penso no tamanho gigantesco que uma vida pode ter.
Pode ser que em uma reviravolta do destino eu mesma caia dura aqui e morra antes dele, que os médicos sejam tão competentes e Deus tão brincalhão a ponto de concederem a ele mais algumas décadas de vida. A gente não sabe. A gente nunca sabe. E esse não saber, quando ficamos tentando entender as coisas, é o que me consome.
Estou a semana toda repetindo que não acho que ele vá morrer agora, no hospital. E, do fundo do meu coração, não acho. Mas estar encarando a morte tão de pertinho me faz lembrar que, pode não ser agora, mas em breve.
E dentro de alguns anos essa situação se repetirá com a minha mãe. Em mais alguns anos com o meu marido, meus irmãos, amigos. A vida passa e a gente passa junto.
A vida está passando agora.



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Trilha Sonora: Aproveitando o sossego da manhã de domingo, passarinho cantando, uma moto passando ao fundo e meu teclado tec tec tec aqui.

segunda-feira, 9 de setembro de 2024

Revendo os meus filmes do coração

Estava no Blue Sky (agora que fomos despejados do Twitter) e surgiu o assunto "Oscar roubado da Fernanda Montenegro". Entrei na conversa e o assunto chegou em "Shakespeare Apaixonado é uma bomba".
A atriz trombadinha de estatueta eu acho beeeem sem graça mesmo, embora eu goste de alguns filmes que ela fez, pesar dela. Mas o filme, na minha memória, era bom ou pelo menos bonitinho.
Aí falaram "mas a gente gostava de muita bomba mesmo" e pensei que talvez seja a hora de rever esses filmes queridos da jovem Camila, porque eu era mesmo bem emocionada, como dizem hoje em dia. Qualquer romance água com açúcar anunciado na programação semanal do jornal (tinha isso, lembram? Canal por canal, programação da semana toda no jornal), eu já tava colocando o VHS no vídeo e apertando REC + PAUSE para deixar a fita no jeito e poder gravar assim que o filme passasse na TV.
Enfim, resolvi rever esses filmes do meu coração para ter certeza se eu ainda gosto mesmo deles.
A lista, por enquanto, será:

1 - Shakespeare Apaixonado 
2 - De Volta Para o Presente 
3 - Agora e Sempre
4 - Romeu + Julieta (versão do Leonardo DiCaprio)
5 - 60 Segundos
6 - Da Magia a Sedução
7 - Grandes Esperanças

Coloquei 10 Coisas Que Eu Odeio Em Você na lista, mas obviamente que o filme continua bom. Eu revejo até hoje e sigo gostando. Fora de discussão.
Os outros eu vou rever e volto para contar o que achei.
Quanto tempo isso vai demorar? Sabe Deus. Mas vou tentar.

segunda-feira, 5 de agosto de 2024

Rua 15, às 6h45

Quando eu estudava, por morar pertinho da escola, ia caminhando com amigas ou com a minha irmã e, chegando na rua da escola, não me importava com o sono ou com o frio das 6h45... 6h50 da manhã. Meus amigos estavam lá, o pessoal da escola estava lá e, eventualmente, algum garoto bonitinho específico ou aleatório também estava lá.
Era divertido encontrar tanta gente querida e conhecida todos os dias e todos os dias parecer um reencontro depois de muitos anos sem contato. Não faltava assunto, não faltava novidade, não faltava risada. Muita coisa acontecia entre meio dia do dia anterior e 6h45 do dia atual. Se fosse uma segunda-feira, nossa! Muito mais coisas aconteciam entre meio dia de sexta-feira e 6h45 de segunda.
Olhando daqui, de hoje, nada muito importante acontecia, mas muita coisa acontecia. E lá atrás era, sim, tudo muito importante.
Todo acontecimento depois do horário da escola era cuidadosamente guardado junto com a ansiedade para poder compartilhar com o grupinho de amigos na porta da escola. Não tinha o WhatsApp pra mandar foto do bonitinho que vimos na padaria e falou "oi" sorrindo pra gente. Não tinha Instagram pra postar para os melhores amigos um story na festa da sua prima. Não tinha nem SMS ou MSN para mandar um "que saco! Minha mãe tá me enchendo o saco por causa das notas de matemática de novo!". Um TikTok pra postar transição de looks usando Pakalolo ou Side Play ou Planet Girls com uma música da Shakira ou das Spice Girls. Nada.
Telefone até rolava, mas como fofocar em sigilo se só tivesse linha na sala, com toda a família ao redor? Telefone sem fio era coisa de rico. Às vezes, até o próprio telefone fixo era coisa de rico.
Tudo era urgente e imediato naquela época, mas, ao mesmo tempo, tudo precisava esperar algumas horas para ser compartilhado. Na porta da escola. Era lá que começava o nosso dia.
A gente acordava mais cedo pra sair mais cedo de casa e chegar na escola antes do sinal bater, porque assim sobrava mais tempo para conversar e contar tudo o que precisava ser contado nos mínimos detalhes enquanto o resto do grupo soltava gritinhos de alegria e "não acredito!!!".
Mais tarde tinha o intervalo e duas vezes na semana tinha a educação física, que era como um intervalo de 50 minutos, já que o professor sumia e a gente aproveitava pra tomar sol no gramado enquanto lia a revista Capricho ou a Toda Teen. Revista Carícia, de vez em quando aparecia, mas ninguém ligava muito. Legal mesmo era fazer os testes da Capricho e ler o horóscopo.
Mas a hora da entrada... Tinha uma magia ali, um frescor juvenil misturado ao frescor das manhãs do fim dos anos 90 e começo dos 2000. Uma urgência de aproveitar todos os minutos possíveis porque, não falávamos disso, mas sabíamos que aquilo não seria eterno.
Minha última manhã na porta da escola aconteceu em dezembro de 2002. Depois disso veio uma tonelada de mudanças e distâncias, faculdade, trabalho, casamento, filhos... A vida foi passando.
Hoje eu levei minha filha para a escola e chegamos um pouquinho mais cedo. Me despedi na esquina e fiquei observando ela descer a rua. Ao invés de entrar, ela parou na rodinha de amigos e ficou ali na calçada.


***
Trilha sonora: Tela Quente - Maglore. O título da música combinou com o clima do post.

quarta-feira, 17 de julho de 2024

Maglore - Minha (atual) banda nacional preferida

Alguns anos atrás, assistindo Shippados, uma série da Globo Play com a Tatá Werneck e o Eduardo Sterblitch (criação de Fernanda Young e Alexandre Machado), ouvi uma música que me tocou lá no fundo do peito: Motor. Fui procurar a música completa, achei a banda Maglore, mas parei por ali.
Segui encantada com a letra. Tanto que, um tempo depois, ouvi a Pitty cantando uma música lindíssima e pensei "já ouvi isso antes". Bingo! Ela regravou Motor e deixou tão linda quanto a original, mas com um toque diferente, mais a cara dela.
Pouco depois, mais uma versão: Gal Costa. Outra vez, parecendo uma música nova, com jeito de Gal, me apaixonei pela 3ª vez pela mesma música como se ela fosse inédita.
Não lembro em qual ponto aconteceu, entre Pitty e Gal, que resolvi ouvir o resto da Maglore e meu Deus do céu! Que banda boa! Já são anos ouvindo muito, ouvindo tudo e desejando um show deles que eu possa ir.
Em novembro eu quaaaaase consegui ir a um show que eles fizeram em SP, enquanto eu estava por lá. Cheguei a reprogramar minhas rotas e passeios daquele dia, mas a Buser deu o maior vacilo, um rolo de passagem cancelada e tive que voltar pra casa na manhã do dia 15/11. O show foi na noite do mesmo dia. Uma pena, mas um dia vai dar certo.
Agora, especificamente sobre as músicas, recomendo muito que comecem pelo disco V e daí sigam para os outros, conforme o coração mandar. Quando já estiverem apaixonados, ouçam o Ao Vivo deles e terminem com o Maglore Acústico, lançamento mais recente até aqui.
Algumas músicas são gostosinhas de cantar sozinha no chuveiro, como Dança Diferente. Outras são boas para cantarolar mesmo sem prestar atenção na letra (mesmo elas sendo todas ótimas), como Se Você Fosse Minha, que outro dia a Alice estava com ela grudada na cabeça por causa do refrão meio chiclete. Ou ainda, a gostosinha Café Com Pão, que tem um lá lará lará muito bom de cantarolar o dia todo.
Tem as poesias maravilhosas também, como é o caso de Motor, Não Existe Saudade no Cosmos (Erasmo Carlos gravou, tá? Não é qualquer coisa essa banda!), Amor Antigo e mais umas dezenas que eu posso listar e recomendar que sirvam de trilha sonora para lindos e grandes amores ou grandes amores perdidos.
Uma, em especial, me deixa sempre impressionada quando ouço: Maio, 1968. Essa poderia facilmente ter sido escrita e gravada pelo Secos e Molhados. Tem a cara de Ney Matogrosso com um toque de Beatles. Uma melodia maravilhosa, uma letra daquelas que você ouve e visualiza as cenas... Além de ser uma aula de história sobre os fatos de maio de 1968 em forma de música. Hipnotizante.
Inclusive, falando em Secos e Molhados, eles gravaram Fala e ficou boa demais!
Algumas eu escolhi como minhas trilhas pessoais: 
  • Dança Diferente, que eu já citei e dá vontade de dançar como no clipe.
  • Mantra, que sempre me faz pensar e repensar muita coisa.
  • Aquela Força, que sempre me dá uma força extra quando tô precisando recuperar o fôlego.
  • Espírito Selvagem, que sempre me deixa feliz quando ouço, de um jeito que eu sorrio sozinha enquanto canto.
  • Calma que, bem, me acalma mesmo.
Ah... Muito difícil ficar listando aqui, porque eu gosto muito de todas, algumas por mais de uma razão, inclusive. Poesia + ritmo + identificação + reflexões... É o caso de Transicional, que tem uma melodia e letra lindas e, mesmo não falando diretamente comigo, me deixa muito encantada com a beleza dela.
Sério:

"Ela vai se apaixonar outra vez
De novo e de novo
E até sem querer
E perceber que não são os outros
É perceber tudo que se é
Por tanto tempo teve que viver
Na sombra dos que os outros vão entender
E não há certo
E não há errado
É sobre ser
Tudo que se é"

Que coisa linda! De um jeito super simples, mas lindo!
Se vocês forem clicando nos links que eu postei aí, vão entender porque a Maglore é a banda nacional que eu mais ouço nos últimos tempos.

***
E para quem quiser conhecer melhor a banda, ver agenda de shows, curtir umas fotos etc. e tal, tá aqui:
Instagram deles
Canal do Youtube
Wikipedia deles, um pouco desatualizada
Bônus: playlist das músicas que tocam na série Shippados. Tem muita coisa boa além da Maglore. Vale a pena ouvir!

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Trilha Sonora: Maglore, claro.

quarta-feira, 19 de junho de 2024

Diálogos Memoráveis

De vez em quando eu me enfio em situações que, no momento em que estão acontecendo, parecem perfeitamente normais, mas quando recordo ou comento com alguém, percebo os absurdos que ouvi ou falei.
Essa conversa, por exemplo, aconteceu anos atrás, quando eu estava devendo um cartão de crédito e ligaram pra cobrar:
- Blá blá blá pague a dívida blá blá blá nome negativado blá blá blá.
- Não tenho dinheiro.
- Mas e se a gente parcelar? Ficaria bom para a senhora?
- Depende.
- Podemos fazer em N vezes de X reais. Qual a melhor data para o pagamento do boleto?
- Não posso. Não tenho esse dinheiro.
- E em N vezes de X reais?
- Também não.
E ele seguiu me propondo parcelas de menor valor em mais tempo. Nenhuma cabia no meu orçamento. Eis que:
- Tudo bem, Senhora. Qual valor ficaria acessível para a Senhora?
- R$ 15,00.
- Desculpe, Senhora. Não entendi.
- R$ 15,00. Só posso pagar R$ 15,00 por mês.
- Não, Senhora. Por esse valor não é possível emitir o boleto.
- Então não posso pagar. Tchau.

Não lembro como foi, mas um tempo depois eu paguei esse cartão.

***
Trilha Sonora: gritaria de aluno e professor enquanto estou escrevendo (estou ociosa no momento).

quinta-feira, 23 de maio de 2024

Parece Que Voltamos? Parece Que Voltamos

Tenho visto no Twitter muita gente lamentar o fim dos blogs, naquela onda saudosista de "no meu tempo é que era bom! Não tinha essas frescuras de rede social pra tudo! Era blog diarinho! A gente comentava no blog do amigo, arrumava namorado no blog dos outros, vendia carro nos comentários dos blogs de carros! Nada de OLX! Volta blogs!".
Acontece que se estão (estamos) reclamando na internet sobre a saudade dos blogs e os blogs dependem - olha só! - da internet pra existir, qual a dificuldade de voltarmos a postar nos blogs se temos justamente a internet à disposição e - veja só! - o desejo de voltar aos blogs?
Pois foi pensando nisso que me animei essa semana e resolvi que vou voltar pra cá.
Eu seeei. Trocentas outras vezes eu disse que ia voltar, que queria voltar, que tava voltando e... Sumi dias depois. Acontece.
É meio que aquela coisa do "vamos marcar um café! Vamos nos falando!" e ninguém marca nada, ninguém se fala e a gente vive anos "vamos nos falando".
Não é má vontade. É a vida mesmo. Ela vem atropelando a gente e tem os filhos, tem o trabalho, tem a faculdade, tem o trabalhinho pra renda extra, tem os pais envelhecendo e demandando mais atenção (os meus ainda são jovens), tem o marido que vai pra UTI absolutamente do nada (o meu foi mesmo outro dia. Maior fita, mano! Mas tá tudo bem agora), tem a mudança de emprego, tem o carro da nebulização que passa às 08h de sábado e te obriga a faxinar tudo até 12h desse mesmo sábado (foi foda)...
A gente até quer, mas não dá tempo pra sentar e escrever umas bobajadas no blog. Mas dá tempo pra escrever micro bobajadas no Twitter, né?
A gente até precisa, mas não dá tempo de abrir o coração no blog. Mas dá tempo pra se expor no Instagram, né?
Acho que consegui chegar no ponto que eu queria: a gente direciona a nossa energia e tempo virtual pra tanta coisa, mesmo com os atropelos da vida, então acho que também dá pra direcionar um tanto de energia e tempo pro blog.
Vamos ver. Qualquer coisa a gente vai se falando. Vamos marcar, sim! 

***
Trilha Sonora: Tô escrevendo e ouvindo um vídeo de react de um outro vídeo de uma menina contando causos de quando ela foi amante. Prometo selecionar melhor minha trilha sonora em breve.

Gastei e Gostei: Mini Impressora

Faço aniversário no começo de maio e meu irmão, morando longe, me mandou um dinheiro de presente de aniversário.
Fiquei pensando no que gastar aqueles inesperados reais e resolvi, depois de muito rodar com meu carrinho vazio nos corredores da internet: uma mini impressora!


Faz anos que enrolo para comprar porque agora tá cara... Agora acho que não vou usar muito... Agora vou usar bastante, mas tenho outras prioridades no momento... Agora tá barata, mas não tenho dinheiro nenhum...
E assim fui me enrolando até resolver me dar esse presente semanas atrás.
"Mas o que você vai fazer com isso, Camila?"
Muitas coisas que minha imaginação vai inventar. Mas, de modo geral, vou imprimir adesivos e coisinhas para os meus planners, bullet journals, caderninhos e et ceteras.
Para quem gosta de art journal, colagem, scrapbook e coisas do tipo, essa impressora é bem interessante.
A maior vantagem dela: imprime sem tinta, usando calor. Igual impressora de nota fiscal, sabe? Então. É uma impressora térmica.
A desvantagem: ela só imprime preto e branco.
Outra vantagem: tem papel adesivo pra ela, então você pode fazer seus próprios adesivos.
Outra desvantagem: possivelmente as impressões acabem sumindo com o tempo, se você não cuidar bem do que imprimir, tipo deixando exposto ao calor. Mas isso é uma suspeita minha. Daqui uns 5 anos eu volto pra atualizar essa informação, confirmando ou negando esse ponto. Aguardem.
Vejam só o que eu imprimi:

Foto originalmente colorida (de um coreano de kpop que a Alice quis imprimir)


Foto originalmente preta e branca (de uma mãe recém nascida e sua bebê cabeluda, quase 12 anos atrás)


Texto (foi uma frase da Inês Brasil, mas poderia ser uma poesia, uma música ou um trecho da bíblia)


Meme colorido (estreou a impressora, já que eu tenho bastante bobeira salva no celular e, afinal, por que não?)


Para imprimir você precisa instalar um app no seu celular e conectar a impressorinha via Bluetooth. Não sei se existem outros apps, mas o que eu instalei é o Fun Print (meu celular é Android).
Nesse app você tem opções prontas para imprimir post it, banner (mini banner, né? Ainda que super comprido, continua sendo pequeno), fotos, ilustrações, joguinhos, imagens para colorir etc.

Direto ao ponto
Comprei na Shopee, nessa loja. Mas se você quiser pesquisar mais, vai achar em tudo que é biboca virtual, trambiqueiro online, importadores honestos, trapaceiros cibernéticos e alguns marktplaces de confiança.
Procurem por mini printer, Phomemo, mini impressora térmica... No Google as primeiras opções que aparecem são essas:


Tem bastante opção de cor, marca, qualidade e preço. É só achar uma combinação disso tudo que te agrade e caiba no seu bolso.
Paguei R$ 75,00 e ela veio com um rolo de papel térmico. Parece pouco, mas dá pra bastante coisa.
Dias depois, quando vi que ia mesmo usar, comprei 5 rolinhos de papel adesivo e paguei R$ 32,89. Aqui é um rolinho adesivo sem uso, pra dar uma noção do tamanho.


Se quiser rolinhos coloridos, tem azul, amarelo, rosa... Mas, particularmente, não acho muito legal. Como ela só imprime em preto, acho que o fundo branco fica melhor.
E, além das opções de rolinhos coloridos, se quiser outros modelos de impressora, tem também, inclusive sem essa cara de gatinho.
Agora vou imprimir etiquetas para temperos, adesivos para os meus bullet journals, fotos, bobeiras, joguinhos para passar o tempo na rua, bilhetes, listas e zaz e zaz!

****
Vamos fazer de conta (mais uma vez) que eu sempre estive aqui. Vou postar mais nos próximos dias e se alguém estiver aí, dá um oi pra eu saber que superamos aquela fase dos blogs abandonados.

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Trilha Sonora: Ouvi música, ouvi umas entrevistas, ouvi tagarelice de Alice...

sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

Clássico balanço de fim de ano

*passando um espanador enquanto falo*
Quando eu escrevia mais, em blogs e diários, fazer um balanço de fim de ano era simples: reler as coisas todas dos últimos 12 meses, reler a lista de metas do ano anterior e ver pra que lado eu, de fato, caminhei.
Geralmente eu caminhava para lados doidos, nem sempre tentando cumprir minha própria lista de metas e desejos.
Até porque, eu fazia a lista em dezembro, mas chegava fevereiro... março, eu já tinha esquecido metade das metas. Eu perco o foco muito rápido para algumas coisas. O que pode ser muito bom em alguns momentos, mas para não perder o foco aqui, outro dia eu volto e explico melhor o quanto perder o foco pode ajudar a viver em paz.
Voltando ao balanço: como o meu hábito de escrever diários e blogs foi engolido pela rotina de mulher adulta, mãe, trabalhadora, estudante (pois é, eu estou terminando a faculdade), esposa/namorada; repensar o meu ano e organizar minha retrospectiva pessoal é um pouco mais trabalhoso. Preciso queimar alguns neurônios tentando lembrar o que teve de marcante em cada mês.
Tenho meus bullet journals e planners que ajudam a lembrar que em maio eu trabalhei que nem burro de carga, mas não tenho muitos registros sobre como me senti nesse período, quais eram os meus conflitos pessoais, o que me fez chorar naquele período (eu choro quase toda semana. Às vezes choro quase todo dia. Hoje mesmo, por exemplo, já chorei), o que me fez gargalhar... Vou saber que no mês de novembro eu estive com um amigo querido, mas quais foram os assuntos que conversamos, quais as reflexões depois da nossa conversa, como me senti na companhia dele... não tenho registros disso.
Esses registros eu fazia aqui, fazia no meu diário. Aqui, como podemos ver (podemos? Tem alguém aqui além de mim?), raramente tem post novo. Meu diário eu tenho me forçado a escrever pelo menos 1 vez por mês e isso tem sido o máximo que consigo mesmo.
Então, pensando em 2023, foi um ano de correria. Tanta correria e tanto trabalho, que eu deixei de lado coisas que eu gostava muito, como escrever.
Porém, me dediquei e investi bastante tempo e dinheiro em um novo passatempo: colorir. Comprei muitos livros do tipo Jardim Secreto, comprei muito lápis de cor, ganhei um kit com 100 cores de canetinhas e pintei muito. Isso me ajudou a não surtar em muitos momentos que meu cérebro estava dando defeito.
Também me dediquei um pouco mais a passar tempo com o Douglas. No dia a dia, ainda mais por não morarmos juntos, muita coisa vai surgindo e servindo de motivo para adiar os momentos a dois. "Hoje não dá porque trabalhei demais, estou cansada". E se eu fosse ceder sempre a esse argumento (que é muito válido, porque eu ando mesmo muito cansada e trabalhando muito), não teria passado tempo a sós com o Douglas. Então, muitas vezes, mesmo com vontade de ficar em casa de pijama, vendo vídeo de caso criminal ou ouvindo ASMR, busquei ânimo no fundo do meu coração e saímos para jantar e lembrar do porquê sermos um casal há 15 anos. 2023, no fim das contas, foi o ano em que eu exercitei o "melhor não, mas bora!".
Esse espírito do "melhor não, mas bora!" precisa ser bem dosado, porque é de bora em bora que você se vê fazendo sempre o que o outro quer e nunca o que você quer. Sabendo que melhor não, preferindo fazer outra coisa, desejando estar em outro lugar, sempre bora, bora, bora... Quando é que você faz o que você quer? Quando é que as pessoas também fazem o que você quer?
E eu consegui administrar isso com maturidade. Entendi que estar em uma relação é falar muitos "melhor não, mas bora", mas também ouvir muitos "melhor não, mas bora". Porque se só um lado está cedendo e agradando o outro, em algum momento isso vai pesar para os dois.
Nessa, de cuidar melhor da minha relação, me vi mais tolerante em relação ao convívio com a minha sogra e, de verdade, me sinto mais leve e de consciência tranquila porque sei que estou fazendo o meu melhor. Entrar em um relacionamento com alguém é entrar em um relacionamento com as pessoas que orbitam esse outro alguém. Amigos, parentes, pai, mãe, irmãos... Não precisa fazer amizade com todos, trocar pulseirinhas, escrever depoimento no Orkut, mas precisa ser gentil, respeitar e aceitar que haverá contato pelo menos em algumas ocasiões. O que custa tornar esse contato um pouco menos desagradável quando não pode ser realmente agradável?
Essa postura de fazer a minha parte em nome do bom relacionamento com pessoas que eu gostaria de nem me relacionar, embora seja trabalhosa em alguns momentos, acaba sendo mais fácil do que administrar tudo o que vem no pacote da inimizade: raiva, mágoa, constrangimento, picuinhas, desprezo... Cansa, sabe? E eu não gosto de me sentir cansada.
E a minha mudança de postura começou ainda em 2022, por causa de uma pessoa que trabalha comigo e eu não suportava. Não me esforçava para ser simpática, não fazia questão nenhuma de ser agradável com essa pessoa. Mas coloquei a mão na consciência e percebi que "Opa! Reformas da previdência vieram e virão, mudanças de governo vieram e virão e eu tenho somente 14 anos de Estado. Sou efetiva e não pretendo exonerar. Vou trabalhar aqui por mais uns 30 anos, se não mudarem as leis e eu tiver que trabalhar até os 95 anos de idade. E o coleguinha que eu não gosto também, porque temos quase a mesma idade e ele tem menos tempo de Estado do que eu. Não quero viver esse clima azedo por tantos anos, diariamente." Foi aí que eu decidi mudar de postura.
Não doeu, mas deu trabalho. Só que o clima melhorou 90%. Não ficamos amigos, ainda tenho muitas críticas e ressalvas com relação a ele, mas conseguimos sentar e almoçar juntos, conversar e fazer favores um pro outro sem parecer falsidade ou uma obrigação imposta pelo trabalho. Resumindo: valeu a pena.
Por isso, ao longo de 2023 decidi colocar isso em prática com mais pessoas. E, novamente, valeu a pena.
Talvez seja um traço de evolução espiritual ou simplesmente maturidade da mulher de quase 40 anos? Não sei, mas alguma sabedoria eu tinha que adquirir com o tempo, não é?
Outra área que precisou ser remodelada e me reiventei para dar conta em 2023: maternidade. Deus do céu! Como é difícil ser mãe de semi-pré-adolescente! E a Alice é um doce de menina, não dá trabalho na escola, é inteligente, é bem educada... Mas as questões pessoais de uma pré-adolescente dos anos 2020 e tantos são diferentes das questões dos anos 90, que eu vivi. Além, claro, de cada pessoa ser diferente da outra e lidar com as próprias questões de modo totalmente diferente de como eu lidava com as minhas.
Minha mãe foi e é uma boa mãe, preocupada, presente e tal. Meu pai idem. Mas agir como minha mãe agiu comigo na adolescência não funciona com a Alice. As demandas são outras, as expectativas dela são outras, os tempos são outros. Os nossos conflitos não são outros: são únicos.
Eu nunca tive problemas com a minha mãe. Não sei muito como agir com a Alice porque não tive o exemplo da minha mãe nesse sentido. O que funciona para resolver conflitos com a sua filha, quando você nunca viu sua mãe resolver um conflito simplesmente porque você não viveu conflitos com a sua mãe? Difícil.
Então, a solução foi e tem sido me reiventar. Me descobrir como mãe novamente, nessa fase que a bebê não existe mais e uma adolescente está sendo gerada diante dos meus olhos. Não posso mais decidir pela bebê, não posso mais colocar as roupas que eu quero na bebê, não posso mais escolher o que a bebê vai assistir na Netflix. Não posso isolar a bebê no meu colo e evitar que outras pessoas tenham contato com ela. A bebê quer ver o mundo, quer conhecer coisas, quer viver experiências que nem sempre são verbalizadas e eu não sei se posso ajudar, se ela quer que eu ajude.
Se eu oferecer ajuda, ela vai se sentir invadida? Vai pensar que eu acho que ela não consegue sozinha? Se eu não oferecer ajuda, porque sei que ela consegue sozinha, ela vai se sentir negligenciada? Vai achar que com a minha ajuda seria mais fácil? Vai evitar tentar porque precisa de mim e eu não estendi a mão?
Ainda não tenho as respostas para nada disso, mas sigo tentando responder (ao mesmo tempo que novas questões vão surgindo e se acumulando na minha mesinha imaginária do escritório da administração da empresa Mãe). 2024 vem aí e já tenho essa tarefa: como ser uma mãe melhor?
Mas ainda estamos aqui, em 2023, e com as memórias que tenho sem consultar diários e bullet journal ou planner, posso dizer que foi um ano bom. Trabalhei muito. Um pouco mais do que gostaria, mas o suficiente para bancar alguns prazeres e necessidades.
Agradeço a Deus (sou uma mulher de muita fé, mas sigo longe de qualquer religião) por ter me dado saúde e ter me permitido passar mais um ano perto das pessoas que amo e que me amam e agradeço a mim mesma por ter me esforçado diariamente para fazer tantas coisas que eu não gosto, mas preciso.
E é isso aí. Ano que vem tem mais. E ano que vem é daqui a pouco.

***
Escrevi um baita textão e vou abandonar o blog pelos próximos meses de novo. Não é o que eu gostaria, mas sei que é o que vai acontecer.



***
Trilha Sonora: Beija Eu - Marisa Monte. E tocou mais um monte de músicas na Alpha FM enquanto eu escrevia ouvindo rádio.

sexta-feira, 28 de julho de 2023

O universo quer falar comigo

Mas ele está falando em um idioma que eu não pratico há muitos anos e não estou entendendo muito bem o foco central dessa mensagem que o universo quer me passar.
É que assim: há alguns meses eu estou experimentando o mais próximo de telepatia e poder da mente que eu já pude experimentar.
Em momentos aleatórios do meu dia, um pensamento vem na mente e, minutos (no máximo horas) depois, algo relacionado acontece.
A mais recente foi hoje cedo, me arrumando com a Alice para sairmos de casa, ela disse que ia usar a blusa de frio que ela tomou¹ de mim². Ela disse:
- Vou com a minha... NOSSA blusa.
E imediatamente pensei no meme do Pernalonga comunista.
Agora, estou aqui lendo uma newsletter que chegou no meu email (o mais próximo de blogs que temos hoje. Não gosto, mas é o jeito...), coisa que eu não faço diariamente e não fazia há dias; até que citaram justamente o meme do Pernalonga comunista.

Pernalonga comunista, muito prazer!

E, mantendo os memes como referências, cada vez que isso acontece, eu fico totalmente Pikachu surpreso das ideias.

Pikachu surpreso, muito prazer!

Eu disse que eram coisas triviais, mas tem me acontecido com uma frequência absurda. Ontem mesmo, foram pelo menos 2 coincidências/recados do universo/mensagens telepáticas em um intervalo de meia hora ou menos.
Estava trabalhando e olhei meu relógio com o contador de passos dados. Aí me veio na cabeça o pensamento "quantos passos será que o prof de ed física dá no dia? Ele vai e volta pra quadra, dá exercícios..." em seguida o tal professor apareceu. Pouco depois, fui resolver um assunto longe da secretaria e quando voltei, vim pensando "vou ligar no Conselho Tutelar para resolver tal questão". Virei o corredor e dei de cara com um professor vindo da rua que brincou "o Conselho Tutelar veio me levar embora". Não entendi e ele explicou "o carro do Conselho Tutelar aí. Estão estacionando". Novamente Camila em estado Pikachu surpreso.
Essa semana ainda, no dia que a Sinead O'Connor morreu, pensei "poxa, vou mandar mensagem para o Thiago. Falamos dela aquele dia". Acabei me envolvendo em outras coisas e não mandei mensagem para o meu amigo. Pouco depois, ele me manda mensagem, depois de semanas que não nos falávamos.
Enfim, se eu for listar todas as vezes que isso rolou nos últimos tempos, vou fazer um post imenso.
E o meu ponto é: na minha cabecinha ex-totalmente-super-mística e atual acredito-em-tudo-mas-sejamos-racionais, entendi que o universo quer me mostrar algo e ainda não decifrei exatamente o que é, portanto estou fazendo a minha parte, evitando pensamentos negativos, me esforçando para manter na cabeça pensamentos sobre coisas que desejo conquistar, coisas positivas sobre mim e sobre as pessoas ao meu redor.
Aparentemente está funcionando. Coisas legais estão acontecendo (nada excepcional, mas são coisas legais, então aceito e agradeço), estou conseguindo resolver questões que me preocupavam e estou bem satisfeita com os resultados.
Então, vamos seguir assim, com o universo na linha, mandando seu recado que eu ainda não entendi direito, mas sigo na chamada, de vez em quando gritando "O QUE VOCÊ FALOU? NÃO ENTENDI DIREITO! PICOTOU A LIGAÇÃO, UNIVERSO. REPETE, POR FAVOR?" e uma hora a gente se entende, se é que eu ainda não entendi mesmo.
Vai ser era só isso mesmo: pense positivo, tonta.
 :)


¹ E
ra minha blusa de frio velha preferida. Ela vestiu um dia, serviu, gostou e nunca mais ela voltou para o meu guarda-roupa.
² Pois é. A Alice já está na fase de pegar roupa do meu guarda-roupa emprestada para sempre.

***
Trilha Sonora: Sei lá. Tô ouvindo rádio, mas tem mais propaganda do que música. Agora há pouco tocou Life, da Des'ree.