Os dias quentes onde nada acontece. As pessoas (quase todas) de mente tão pequena quanto um caroço de uva. As garotas que competem entre si para ganhar um estranho concurso de quem vai vestida com mais glamour às aulas. As pessoas que fazem cara de pavor quando me ouvem dizer "minha bunda" em vez de dizer "de jeito nenhum" para coisas que eu, definitivamente, não vou fazer. Aquela sensação desagradável de andar na rua e entrar em todo canto sabendo que todo mundo sabe quem é você, quem são seus pais, o que você faz da vida e qual a cor da sua roupa de baixo. Aquele estranho hábito regional de anunciar em carro de som pela cidade quando alguém morre. Aquela tal romaria que acontece todos os anos por causa de um menino canonizado pela opinião pública. Os religiosos que vão à missa de manhã para pecar à tarde enquanto falam da vida alheia e cometem outros deslizes nada cristãos. Uma mania muito esquisita que identifica e, pior, qualifica as pessoas pelo sobrenome que elas carregam. O tédio dos finais de semana. O tédio dos dias de semana. Sentir-me um peixe fora d'água, mas não sentir a menor vontade de pular nestas águas.
É. Tirando pais e irmãos, não vou sentir falta de nada mesmo.
***
Trilha Sonora: "Eu não caibo mais nas roupas que eu cabia Eu não encho mais a casa de alegria (...)" dos Titãs, na minha cabeça, porque eu realmente não vou me adaptar.

