sexta-feira, 24 de abril de 2015

Resignação

Saiu de casa naquela manhã decidido a sumir. Queria, finalmente, buscar a felicidade perdida há tantos anos. 
Os filhos criados, a esposa falecida há 2 anos, os netos indo para a faculdade, os amigos nem sabia mais por onde andavam.
Nada mais fazia sentido. Sentia há muito tempo que tinha mais passado do que futuro. 
Na infância o que nos motiva são os sonhos para a vida adulta e os empurrões que os pais vão nos dando. Estude, se comporte, faça amigos, vá brincar. Depois, na adolescência, os desejos de liberdade e descobertas. Faça faculdade, arrume emprego, ganhe dinheiro, namore, perca a virgindade, fique noivo, conheça gente nova. Por fim, na vida adulta, as preocupações com a família nos fazem seguir, embora já sintamos o cansaço pela rotina. Trabalhe mais, compre uma casa, tenha filhos, pague um bom colégio para as crianças, troque o carro, conserte o portão que está rangendo, espere o filho chegar da festa, mantenha-se fiel e casado.
Já havia cumprido todas as etapas e, felizmente, com sucesso. Sabia que a esposa havia partido satisfeita com o marido e pai que ele sempre foi. Deu aos filhos a infância segura e a base para uma vida adulta feliz. Aposentou-se como um funcionário respeitado dentro da empresa, mesmo nunca tendo feito algo que realmente o orgulhasse naquele emprego burocrático e mecanicamente repetitivo. Mas nunca, em momento algum, reclamou de acordar às 6:00 am, mesmo no inverno, mesmo no verão, mesmo doente, mesmo infeliz. Se precisava fazer, que fosse feito. Era assim que se forçava a sair da cama todos os dias e era com a certeza de dever cumprido que ia dormir todas as noites, após ajudar os filhos com o dever de casa, lavar a louça do jantar e recolher o cachorro.
Tinha tudo planejado na cabeça há meses. Sairia para caminhar como todos os dias, logo após o café da manhã e, certificando-se de ter deixado o lixo na rua e as contas pagas, levaria apenas carteira e documentos e sumiria no mundo. Sem se despedir, sem explicar nada, sem pedir permissão aos filhos. Simplesmente deixaria de existir naquela vida para tentar existir em outra vida, uma nova vida com o pouco de vida que sabia que ainda tinha pela frente.
Caminhou alguns quarteirões, pensou em ir pela última vez à missa do bairro, mas que sentido havia nisso? Começar uma vida nova com um velho hábito? Não. Entrou na rua antes da igreja e seguiu mais alguns metros até perceber que o tempo estava fechando e ele não tinha um guarda-chuva. Dane-se, pensou, me molho e começo a nova vida assim, de forma inconsequente e imprevisível. Mas, com a idade já avançando, não seria muito inteligente arriscar-se na chuva e dar chances a uma pneumonia. A intenção era viver mais o pouco tempo restante, não encurtar mais o tempo que lhe restava da vida. Deu meia volta e pôs-se a pensar onde estaria o guarda-chuva ou a capa de chuva.
No caminho para casa foi pensando no grande absurdo que estava prestes a fazer. Considerou mais uma vez a possibilidade de arriscar-se na chuva que talvez nem chegasse a cair e, antes que pudesse concluir seu raciocínio, sentiu o primeiro pingo gelado molhar seu nariz.
Colocou a mão na barriga, como se pudesse agarrar ou conter o buraco que só fazia crescer dentro dele, respirou fundo com o peso de quem tenta dar o último suspiro debaixo de toneladas de escombros e, finalmente, assumiu-se um covarde.


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A foto que ilustra o post e me inspirou a escrever esse conto meio mal contado, é da Gabriela Romeiro (@quandocoisa), que fotografa e escreve lindamente.


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Trilha Sonora: Estou há dias tentando concluir esse conto (faltou tempo, faltou internet, faltou humor), então rolou muita música nos meus fones durante o processo todo. A última coisa que ouvi foi Hole ( ♥ ) - Malibu.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Um Recado

Tô num nível de preguiça barra cansaço barra mal humor barra irritação barra vontade de ficar em paz barra vontade de ter silêncio que não garanto post nenhum por muitos dias e isso compromete a meta de postar toda semana mas estou tão pouco me fodendo pra isso que veja só não tô usando ponto nem vírgula e estou preferindo escrever barra ao invés de usar a barra de verdade que é aquele sinal gráfico representado por um traço torto para o lado direito que usamos para separar coisas e se você não sabe o que é uma barra não deveria nem estar aqui deveria estar estudando sobre barras e pontuação para contar quantas eu deixei de usar aqui.


Gif aleatório engraçadinho só porque sim.

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Trilha Sonora: queria ver TV mas não tô ouvindo bosta nenhuma aqui.

quarta-feira, 25 de março de 2015

Enriquecendo o Vocabulário

Dia desses eu estava com a Alice no sofá e ela subiu no meu colo falando:

- Dezulive. Dezulive, mama*.
- Quê?
- Dezulive. Dezulive, mama. Pode falar Dezulive?
- O quê?
- Dezulive! Eu "podo" falar Dezulive?
- Eu "posso" falar.
- Eu posso falar? Posso falar Dezulive?
- Ahn... Deus o livre?
- É! Dezulive! Posso falar Dezulive, mama?
- Pode, filha. Quem te ensinou?
- A vovó que fala "Dezulive!"
- É, ela fala.
- Quero mamar**, Dezulive! Dá mamá**? Dezulive!
- Vem mamar.
- Dezulive! Mamá! Dezulive!

Bom, aprender, ela aprendeu. Só falta entender o contexto para usar a expressão. E que não seja me pedindo para mamar, né? Dezulive!

*"Mama" sou eu, a Mamãe. **Mamá/mamar é no peito, porque aqui a gente ainda tá nessas de aleitamento materno em livre demanda e recomendo muito.

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Trilha Sonora: Música gospel, porque eu não escolho a trilha sonora dos colegas de trabalho.

domingo, 22 de março de 2015

101 em 1001: Atualizando #4

Essa atualização está uma vergonha, porque não cumpri nenhuma meta nova e estou mais "pretendendo" do que de fato fazendo. 
Refiz 2 que já tinha riscado da lista e só estou mantendo em andamento as que já comecei e são para cumprir ao longo dos 1001 dias. Olha só:

13- Ir ao cinema.
Pretendo ir para ver Cinderela com a Alice. Tô apaixonada pelos trailers que saíram.

Não era bem exótico, mas foi uma mistura diferente. Deixei o Douglas escolher pra mim e ele veio com um suco de laranja, mamão e morango. Gostoso. Então, meta cumprida pela segunda vez.

23- Marcar uma consulta com um clínico geral para pedir exames completos de tudo.
Essa tá encaminhada. Dia 30 vou ao médico e pretendo pedir pra fazer até exame do pezinho. Marquei a consulta por causa de uma fadiga que não passa há meses, um sono que não controlo e um desânimo que não sei de onde vem. Tá atrapalhando toda a minha vida, minha rotina e meu convívio com pessoas que não deveriam estar pagando por nada disso que ando sentindo. Tenho minhas suspeitas, mas prefiro procurar um médico pra resolver isso de uma vez.

24- Dormir antes da 1:00 am de domingo à quinta-feira.
Definitivamente não estou conseguindo cumprir essa meta.

25- Acordar antes das 10:00am todos os dias.

Também só tem funcionado em dias de trabalho. Fora isso... 10:00am é madrugada pra mim.

28- Não tomar refrigerante por 1 ano.

Essa semana passei 5 dias sem beber nenhuma gotinha. Daí no sábado me liberei e tomei uns 2 ou 3 copos. Pretendo continuar com esse esquema até parar de vez e poder completar 1 ano sem beber nada de refrigerante. Vamos ver...

39- Atualizar o blog pelo menos 1 vez na semana.

Acho que tá funcionando, né? Não lembro de ter falhado ainda com essa meta. Mas posso estar enganada e, de qualquer forma, tem muito chão pela frente ainda.

42- Fazer as unhas em casa a cada 15 dias.

Meus dedos anões no Instagram.

Estou cumprindo. Semana passada (retrasada, se considerar que hoje, domingo, já é outra semana) eu lixei, tirei cutícula e pintei as unhas de vermelho. Durou pouco porque o esmalte era velho e abençoado seja o óleo de banana. Depois que descascou, limpei direitinho. E depois que quebrou, cortei tudo certinho. Então tô indo bem com essa meta das unhas. Ponto para as meninas! Ponto!

44- Rir até doer a barriga.
Essa meta já estava riscada, mas como rir nunca é demais, teve também o dia que assisti Toy Story 3 e, mano! como eu dei risada! Chorei de rir em mais de uma cena. Adorei! (depois chorei porque o fim é emocionante, mas vamos focar no riso.)

49- Usar maquiagem pelo menos 1 vez no mês.
Estou cumprindo com menos entusiasmo do que no mês de janeiro, mas continuo firme. O rímel, lápis e batom estão sendo usados pelo menos 1 vez por semana, que já é mais do que a meta. Sombra e blush não tá dando por motivos de pele oleosa no calor do sertão, daí a coisa toda derrete e fica feio.

76- Prestar um novo concurso.

Inscrição feita e paga. Aguardando a prova agora. E que Deus me ajude, porque não tá fácil viver com o meu salário atual.

81- Jogar fora ou doar tudo o que não uso mais.

Fiz uma limpa nas gavetas outro dia. Mandei embora também as bolsas todas que fiquei juntando e nunca mais usei. Próximo passo é fazer isso com os objetos de decoração que estão encaixotados e os xerox da faculdade que estão esperando que eu os leia desde 2005 mais ou menos, ou seja.

91- Pintar o cabelo.

Essa tá precisando ser cumprida com urgência porque, vejam que absurdo: tô cheia de cabelo branco bem no topo da cabeça. 

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Trilha Sonora: TV ligada, mas não tô vendo nada. Tentei ouvir música, mas a Alice não gosta muito de me ver usando fone de ouvido e precisei tirar tantas vezes pra ela usar também, que acabei desistindo.

domingo, 15 de março de 2015

Minhas Músicas Preferidas da Alanis Morissette

Conheci as músicas da Alanis por influência das minhas amigas, lá em 1998, na 7ª série ainda (que agora se chama 8º ano). Um dia uma delas apareceu com o Jagged Little Pill e começamos a ouvir e ouvir e ouvir e ouvir até que comprei um pra mim e continuei ouvindo e ouvindo e ouvindo...
Hoje em dia já não ouço tanto e nem conheço muito bem o trabalho recente dela, mas continuo amando as músicas mais antigas.
Muitas letras falam diretamente comigo ou por mim, com lições que aprendi sozinha ou refletindo sobre as composições dela. Tipo a letra de Hand in My Pocket, que funciona como um cutucão quando começo a ver só o lado ruim das coisas.

Tá ruim, mas tá bom.

Como faz tempo que não crio listas aqui, vamos lá:


(não em ordem de preferência porque aí seria crueldade demais com o meu coração musical)
  1. Head Over Feet
  2. Ironic
  3. Hand in My Pocket
  4. You Learn
  5. You Oughta Know
  6. Wake up
  7. Everything
  8. Crazy
  9. Hands Clean
  10. Precious Illusions
  11. 21 Things
  12. So Unsexy
  13. UR
  14. Unsent
  15. So Pure
  16. Thank You
  17. No Pressure Over Cappucino
  18. Princes Familiar
  19. King of Pain
  20. That I Would Be Good
(se o player não funcionar, tem link direto pra ele antes da lista O player não funcionou, mas tem link antes da lista, direto pro Grooveshark)

Bonus: O cover de My Humps, do Black Eyed Peas, só pelo senso de humor do clipe e da escolha da música, que não tinha nada a ver com o estilo original da Alanis, mas ela conseguiu transformar numa típica música (melodia) "dela". E, como o legal é ver uma Alanis diferente e rebolativa, não a incluí na playlist para que, quem não viu ainda, veja o clipe mesmo.

Whatcha gonna do with all that ass?

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Trilha Sonora: Alanis, claro.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Whatsapp Web - Como Usar o Whatsapp Direto do Seu Computador

Hoje, fugindo um pouco do centro do meu umbigo, vou dar uma dica marota pra você, leitor comunicativo que tá sempre com o celular na mão pra falar com os amigos no Whatsapp e fica dividindo seus dedos entre digitar no tecladinho do seu celular e digitar no tecladão do seu computador. A dica é: Whatsapp Web. Não é app de terceiros e nem esqueminha xing ling. É coisa oficial.
Vou ensinar:

1 - Veja se o Whatsapp do seu celular está atualizado na última versão. Se não estiver, tente atualizar (google play, etc e tal).


A tela é essa, dentro da Google Play. Se o meu estivesse desatualizado, aqui haveria um botão "Atualizar".

2 - Depois que atualizar, entre no menu principal do Whatsapp, os "três pontinhos" que ficam no alto da tela principal e veja se tem ali a opção Web. Se tiver, selecione.

Tela do meu celular, na versão atualizada do app.

3 - O Whatsapp vai te orientar a abrir no navegador (que tem que ser o Chrome, Firefox ou Opera) do seu computador o endereço web.whatsapp.com (sem o www ou http:// mesmo). Obedeça e abra.

4 - Agora no computador, o site exibirá um QR Code (aquela imagem quadradinha em preto e branco). Pegue o seu celular e aponte para a tela do computador para que a sua câmera leia o código.

5 - O celular e o computador entrarão em sincronia e as conversas do celular ficarão visíveis na tela do computador. Pronto!

A tela que você verá será assim:


Ao lado dos nomes ficam as fotos dos grupos e contatos, exatamente como no celular. Apaguei por questão de privacidade, claro. E não estou na onda do Movimento Brasil Livre, não. Estava respondendo uma pergunta sobre o assunto.

Único problema que encontrei até agora é que o celular precisa estar ligado e com internet ativa para funcionar a versão web. Caso contrário, se o sinal de internet cair ou estiver fraco, ficará aparecendo uma mensagem de que o aparelho não está ativo e você não conseguirá usá-lo até a internet voltar.
Então, vamos supôr que você esqueça seu celular em casa e queira usar o Whatsapp no trabalho, por exemplo. Você até vai conseguir, desde que o celular tenha ficado ligado e conectado à internet.
Fora esse inconveniente, achei bem legal usar. A versão web é bonita e praticamente idêntica à versão mobile, além de ser super simples e rápida para configurar (nem vou dizer instalar porque, na real, não instala nada. Só tem que configurar pra "espelhar" o celular no computador)
Outra coisa que gostei foi a possibilidade de enviar arquivos de fotos e vídeos (não tentei outros formatos) direto do seu computador para os seus contatos. Bem prático por não precisar puxar os arquivos pra nuvem pra depois pegar do computador pro celular ou ter que jogar do computador pro micro SD do celular ou... etc.
Enfim, recomendo.

Se quiser conferir o passo a passo mais técnico, detalhado e oficial, aqui você acessa o site oficial do Whatsapp Web.

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Estou ensaiando esse post há mais de 1 mês, então é possível que muita gente já esteja usando a versão web. Em todo caso, sempre tem quem não conheça e achei válido divulgar. Aproveitem!


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Trilha Sonora: Serpente - Pitty. Acordei com ela na cabeça hoje e ainda bem que adoro.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Alice e Seu Vocabulário Surpreendente

Alice sempre me surpreendeu com suas habilidades linguísticas. Ela demorou bastante para aprender a andar, mas começou a falar relativamente cedo e resmungava muito desde bebê (bebê pequena, porque agora ela é bebê grande).
Vira e mexe ela solta uma nova que me deixa de queixo caído ou rolando de rir.
Ontem eu estava sentada no chão quando ela chegou, empurrando um carrinho de boneca:

- Estou indo na parada. Vamos, mamãe? Quer ir na parada comigo?
- Eu quero! *não faço a menor idéia de onde era a tal parada*
- Então vamos! Levante-se, mamãe!

Minha filha de 2 anos e 4 meses falou levante-se. Levante-se! Eu não falo levante-se, não conheço ninguém que fale levante-se. Só uso construções assim quando estou escrevendo e, como ela não sabe ler (por enquanto), sei que ela não aprendeu em livros ou posts meus.
E, falando em livros, ontem também, mais tarde, ela foi vasculhar a prateleira de livros dela. Perguntei o que ela estava procurando e ela me respondeu que queria um livro específico lá que não me lembro e completou com:

- Estou ansiosa para ler esse livrinho, mamãe!

Estou ANSIOSA. Gente.
Olha, não sei a filha dos outros, mas a minha é um encanto e só me dá orgulho.

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Trilha Sonora: Dois É Ímpar - Unidade Imaginária. "A gente se deixa levar e acaba esquecendo De não esquecer jamais de quem não podia ter partido..."

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Trauma (Não) Dançante

Alice está com 2 anos e alguns meses. Ela adora dançar. Ouve música e começa a balançar o corpinho, meio sem ritmo e ao mesmo tempo cheia de ritmo: o ritmo dela, conforme o corpo pequeno dela permite, conforme a inibição dela deixa, enquanto ela percebe que estamos observando e rindo.
O riso.
Sempre que a vejo dançar ou fazer qualquer outra coisa espontânea e ela se retrai quando nota que está sendo observada, deixo bem claro: "continua, filha! Tá linda!" e sorrio para que ela veja que estou olhando porque gosto e não porque é ridículo (porque, de fato, não é).
Agora, neste exato momento, ela está assistindo a um programa infantil no Discovery Kids e, sempre que ouve um barulho dos instrumentos musicais (é um programa meio musical, tem uma banda, não sei direito), ela começa a dancinha dela, toda animada e desajeitada, exatamente como toda criança faz se não for ensaiada para dançar assim ou assado.
Enquanto a admiro dançando, lembrei de uma cena da minha infância: não sei quantos anos exatamente eu tinha, por volta de 5 ou 6, não mais que isso. Eu estava no aniversário de uma prima minha e, junto de outras meninas da mesma faixa etária, começamos a dançar alguma música da Xuxa que estava tocando. Uma das meninas, acho que minha prima, me falou que eu estava dançando errado, que eu não sabia dançar. Aquilo me deixou constrangida e saí da rodinha. Nunca mais dancei em outras festinhas (só nas festinhas de escola, mas sempre com meses de ensaio e passos decorados com os colegas, sob supervisão da professora).
Passei anos me reprimindo quando ouvia música e queria dançar porque, oras, eu nem sei dançar. Dançar é só ir lá e balançar o corpo como todo mundo faz, como uma criança faz. Mas eu não sei fazer isso. Me disseram que eu não sabia. Então eu não sei e não posso dançar, certo?
Conforme o tempo passou, comecei a beber e isso ajudava na hora de me soltar e dançar. Mas eu sempre tenho a sensação de estar fazendo papel de boba, como se todos fossem bailarinos do Bolshoi Ballet e eu fosse a criança de 4 anos dançando sem o menor ritmo, sem a menor noção do que está fazendo em meio a tantos profissionais e especialistas em movimento corporal.
Acontece que, no fundo, eu sei que não sou assim tão desengonçada. O meu problema não está em braços e pernas descoordenados. Está na minha cabeça, na advertência maldosa que ouvi quando criança e ficou martelando minha memória desde então.
Mais uma vez, como no caso dos traumas sobre o corpo, evito fazer e permitir que façam com a Alice as mesmas coisas que fizeram comigo. Mesmo tendo consciência da origem da minha inibição, não é como um botão de liga e desliga que posso acionar para acabar com a vergonha e sair bailando livre por aí. Leva tempo, envolve álcool sempre que possível, envolve a segurança de estar no meio de uma multidão dançando para que eu não seja o centro das atenções. Mas para a Alice é fácil. É só elogiar e incentivar "Tá linda, meu amor! Você dança muito bem! Continua!" e ela
vai crescer sabendo que pode dançar quando e onde quiser, do jeito que quiser, coordenando ou não os membros do corpo dela, conforme a vontade dela.


Se eu puder vê-la dançando assim, sempre de forma natural, sempre de forma alegre, a Camila de 5 anos de idade estará dançando junto, em algum lugar dentro de mim. Até que, quem sabe um dia, ela resolva sair para dançar com a Alice.


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The Fresh Beat Band é o programa que ela estava vendo.

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Trilha Sonora: Fresh Beat Band, Dora Aventureira... Trilha sonora de mãe.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

101 em 1001 - Atualizando #3

Essa atualização está vergonhosa. Só 1 meta alcançada e 3 que já falhei.
Mas vamos lá:

24 - Dormir antes da 1:00 am de domingo à quinta-feira.
Tá bem difícil manter essa meta em dia. Tenho falhado quase todos os dias.

25 - Acordar antes das 10:00am todos os dias.
Em dias que vou trabalhar, cumpro essa mole, mole. Porém, fim de semana e feriado/mini férias (5 dias em casa essa semana por motivos de exaustão e o médico falou que pode, sim, ficar em casa)... Pelo menos 10h30 é meu horário oficial para começar a viver.

39 - Atualizar o blog pelo menos 1 vez na semana.
Esse post deveria ter sido publicado semana passada. Falhei. Mas eu vou me perdoar porque, como disse, ando exausta e, mesmo tentando, tirar 15 minutos para postar foi uma coisa impossível. Então já tenho 1 buraco nessa meta.

42 - Fazer as unhas em casa a cada 15 dias.
Semana retrasada eu consegui pintar de esmalte clarinho, já prevendo que não daria tempo de tirar e passar outro antes dele descascar todo. Ainda bem que me conheço, porque foi exatamente o que aconteceu. Porém, como a meta é de 15 em 15 dias, ainda estou em dia com ela. Vou ver se consigo limpar e deixar a unha respirar por 1 ou 2 dias, pra pintar de novo no fim de semana. Dessa vez pretendo arriscar um vermelhão que eu adoro, mas morro de preguiça porque sei como termina a história.

44 - Rir até doer a barriga.
Essa foi a melhor meta cumprida até agora. Semana passada, no trabalho, uma colega contou um episódio tão hilariantemente constrangedor (ou constrangedoramente hilário?) da vida dela, que chorei de rir, a barriga doeu, minha garganta secou e eu aprendi com a experiência alheia que devo sempre ir ao banheiro quando o intestino pede, sem esperar, sem deixar pra depois. Obviamente não entrarei em detalhes, mas garanto que qualquer um teria rolado de rir tanto quanto eu ouvindo a história triste.

***
Então é isso. Os indícios de fiascos já estão surgindo, como eu esperava, mas não vou desistir (ainda) do projeto. Fiz até uma frescurinha para colocar ilustrando os posts do projeto ou a página, não decidi ainda. Depois vejo.
O fato é que, mesmo com as primeiras falhas, estou gostando da brincadeira. =)

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Trilha Sonora: Tô vendo MTV Hits aqui e me sentindo uma tiazona velha que não conhece as músicas que os sobrinhos adolescentes ouvem. Tá passando um clipe com uns caras numa arena, tipo gladiadores ou coisa que o valha. Descobri: Fall Out Boy - Centuries.
Agora melhorou: 7 Vidas - Pitty. Conheço e adoro!

sábado, 31 de janeiro de 2015

Blogagem Coletiva: Parece que Todo Mundo Sabe, Menos Eu

Entrei para mais um grupo de blog no fb essa semana. É um grupo bem legal, estilo o Rotaroots, com gente que gosta de aprender os detalhes do mundo dos blogs, que gosta de criar, de debater, de interagir. Não por acaso, o nome do grupo é Blogs Que Interagem.
Lá também tem blogagem coletiva todo mês e, para janeiro, um dos temas propostos foi Parece Todo Mundo Sabe, Menos Eu e, cara, se tem uma pessoa que não sabe fazer coisas básicas, essa pessoa sou eu.

Não lembro onde achei o gif, mas estava voando pela internet.

Quer ver?

1 - Arroz
Já morei sozinha, sou mãe, já fui casada, tenho 28 anos e EU NÃO SEI FAZER ARROZ. Juro. Arroz na panela, método tradicional, ferve água, frita temperinho e coisa e tal. Não rola. Até já consegui fazer umas vezes, mas ficou uma nhaca. Ou ficou duro demais, ou mole demais, ou queimou tudo, ou grudou tudo. Nunca deu certo, então aceitei a derrota e desisti. Na panela elétrica eu faço, mas também não fica grandes coisas.

2 - Tsuru
Parece que essa dobradura é a básica no primeiro dia de aula de origami do curso que eu nunca me inscrevi, mas todo mundo fez. Sempre que eu digo que sei fazer origami de estrela, as pessoas ficam "ooooohhh!!!!" e sempre que as pessoas fazem tão facilmente um tsuru na minha frente eu fico "oooohhh!!!!" porque parece fácil, realmente, mas eu nunca consegui fazer.

3 - Feijão
Repetindo a ladainha do arroz: já morei sozinha, já fui casada, sou mãe, tenho 28 anos e EU NÃO SEI FAZER FEIJÃO. Mas aqui eu tenho uma explicação: eu tenho pânico de panela de pressão. De verdade, ouço o barulho dela pegando pressão e evito entrar ou permanecer na cozinha. Sempre acho que vai explodir, que vou morrer, que vai voar feijão na minha cara e me queimar toda... Então eu simplesmente aceitei a derrota² e desisti de ter uma panela de pressão (até que ganhei uma de uma amiga, mas nunca usei e continuei não fazendo feijão).

4 - Jogar Truco
Fiquei quase 5 anos na faculdade, frequente bares, festas universitárias, repúblicas e nunca aprendi a jogar truco. Na escola ainda, no último ano do Ensino Médio, meus amigos chegaram a me colocar pra jogar uma partida em conjunto com alguém que sabia, pra eu entender a dinâmica da coisa, mas sinceramente? Entendi bosta nenhuma. E pra ajudar, detesto gritaria, então nem faço questão de aprender um jogo que as pessoas costumam se exaltar a ponto de quebrar cadeiras e mesas (não é exagero. Já vi acontecer mais de uma vez).

5 - Matemática
Não tenho vergonha de falar: não sei fazer contas de cabeça. E, mesmo usando os dedos e a calculadora, eu preciso refazer pra ter certeza do resultado. Enfia porcentagem no meio do caminho e pronto, deu-se o desastre. Não entra na minha cabeça e a dificuldade é tanta que qualquer informação que envolva números já bloqueia meu cérebro e a memorização complica. Não tenho certeza, por exemplo, do peso e altura que minha filha nasceu porque, veja só, envolve memorizar uns poucos números. Telefone da minha casa? Não sei. Número do meu celular? Não sei. Número da minha casa? Tenho dúvidas. Daqui uns anos Alice vai saber fazer equação de segundo grau e eu ainda não vou responder com certeza quanto é 8x9.

***
E vocês, o que não sabem e todos sabem? Se quiserem responder nos comentários, fiquem à vontade, mas se postarem nos blogs, deixem os links pra eu poder ver e rir da cara de vocês também falar "noooossa! Como assim, você não sabe fazer isso?!".

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Trilha Sonora: Tava tocando Gaby Amarantos aqui, mas só porque estou vendo Caldeirão.