sexta-feira, 18 de julho de 2014

5 Coisas Para Fazer No Inverno

Inverno é coisa linda de Deus pra quem tem pele oleosa e não curte muito tomar sol e se divertir na praia, o que é exatamente o meu caso.
No frio você pode fazer tudo o que pode fazer no calor, só que sem a sensação de estar derretendo e, mais importante, sem ficar fedendo e suando com meia hora de esforço físico.
Mas de tudo o que faço no inverno, o que mais gosto é:

* Dormir com dois cobertores
Se você me chamar pra dormir na sua casa, favor providenciar um cobertor, porque não consigo dormir direito se estiver descoberta ou se estiver coberta com um lençolzinho fino. Gosto de sentir o peso das cobertas em cima de mim pra ter uma noite tranquila de sono.
* Me vestir como gente
Não sou exatamente a pessoa mais vaidosa do mundo, mas no inverno acho muito mais fácil me vestir bem e até usar maquiagem. A roupa é quase sempre mais elegante, o blush não some, a sombra não escorre, o lápis de olho não borra e o cabelo colabora mais. Fico até parecendo uma moça. A menos que eu esteja em casa, porque aí eu adoto o mendigo style e meus dias viram a Mulambo Fashion Week, com meias por cima da calça, moletons velhos e calças furadas, o que também é bastante agradável e confortável, apesar de não ser bonito.
* Sopa
Mano. Eu amo sopa. Sério. Amo sopa. Por mim eu viveria de sopa. Até tomo no calor se minha mãe inventa de fazer, mas no inverno ela tem o poder de literalmente aquecer por dentro. Sopa, caldo, creme, Vono, tanto faz. Pratos fundos e canecas gigantes viram meus melhores companheiros. Eu realmente amo sopa. Muito.
* Banho quente
Não ligo de tomar banho frio se precisar, mas sempre que possível escolho o banho quente. Só que no calor é meio ruim, porque já fico derretendo o dia todo e entrar no chuveiro é o único jeito de refrescar. No inverno é exatamente o contrário: já estou quentinha de agasalhos, então tomo banhos bem quentes, daqueles de fumaçar o banheiro todo, me visto lá dentro mesmo e continuo aquecida. Sem contar que banho quente relaxa os músculos que ficam bem mais tensos no frio e tem coisa mais gostosa que sentir as costas relaxando enquanto a água cai?
* Fumacinha com a boca
Por quê? Porque acho divertido, oras.

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Esse mês o Rotaroots colocou 3 temas bem legais para os memes e até pensei que faria todos, mas acho que não vai rolar por motivos de: um deles é sobre a banda favorita e, sinto muito, mas não posso escolher uma só.
Fiquemos com esse por enquanto e, se eu achar um jeito de responder tudo, posto até o fim do mês.

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Trilha Sonora: No Excuses - Alice in Chains. "And if we change, well I love you anyway"

Cachorro Mudo

Chegou aqui a avó, o neto de uns 4 anos e um filhote de cachorrinho choramingando. Uma pessoa foi mexer com o cachorrinho e, naquela atitude típica de quem vê (e gosta de) filhotes humanos ou peludos, começou a falar com voz fininha:
- Oh! Que coisinha mais bonitinha, bebê! Você tá chorando? Por quê? Por que tá chorando, coisinha fofinha? *mimimimimi*
O netinho, olhando a cena, disse, bem sério:
- Ele não fala.
PAF!!!
Crianças e sua objetividade. Tem como não amar?

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Trilha Sonora: Só Agora - Pitty.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Bagagens

Quando você entra em um relacionamento, você não chega de mãos abanando. Ninguém chega, mesmo que seja o primeiro relacionamento, você traz a sua experiência de vida, o que aprendeu observando relacionamentos alheios, os seus pais, os amigos, o casal fictício da série que você acompanha, o casal de pinguins que você viu no documentário da aula de ciências.
E essa experiência que a gente carrega é o que nos faz buscar isso ou aquilo em uma outra pessoa. Não é do nada que você quer o que você quer, seja lá o que for que você queira.
Minha bagagem é pesada, admito. Não que eu tenha me relacionado muito ao longo dos meus 28 anos. Muito pelo contrário. O problema é que os poucos relacionamentos que tive e até o relacionamento que sonhei anos e não vivi me deixaram marcas profundas demais. Fui feliz, sofri, aprendi, superei, mas não apaguei nada.
Já me disseram que eu estava castigando uma pessoa pelos erros de outras pessoas. Sim, sou dessas. Me fecho e me protejo do que pode nem acontecer, apenas baseada no que já aconteceu. É que sempre há a possibilidade. Até que me provem o contrário (e nunca provaram) os erros podem sempre se repetir, mesmo que o autor do erro seja outro, mesmo que a intenção seja diferente, o erro pode sempre acontecer duas, três vezes e mais, enquanto eu permitir que aconteça. E "permitir" não é me culpar pelo erro do outro. É dar tempo para que ele aconteça antes que eu pule fora e termine a relação.
Com cada relação que termina, adiciono mais alguns itens na minha bagagem e o próximo que entrar na minha vida precisará ser sempre mais forte que o anterior, porque ele vai ter, sim, que aguentar essa bagagem enquanto não provar que posso me desfazer de tudo e começar do zero. Ou quase do zero, porque vou sempre acreditar que algumas coisas a gente não pode se desfazer de forma natural e sem dor. Como os quilos que ganhamos depois dos 20 anos, as marcas que outras pessoas nos deixam são pra sempre e, de certa forma nos moldam e nos tornam o que somos. Para o bem e para o mal.
Então, se eu fiz alguém sofrer pela bagagem deixada por outros, pode ter certeza, farei o próximo sofrer também pelo que foi deixado agora.
É como um karma a ser pago por outras pessoas. Você comete o erro, mas quem paga é alguém que ainda nem sabemos quem.
A má notícia é que essa bagagem não tem rodinhas e fica cada vez mais pesada.

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Trilha Sonora: Rooster - Alice in Chains.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Sobre o Cabeçalho Cagado

Só pra avisar aos leitores (oi, leitores!) que estou tentando mudar o cabeçalho aqui e ainda não ficou do jeito que quero. A imagem é essa, até que me mostrem ou façam uma melhor. O problema é que estou apanhando para fazer ficar do tamanho que quero sem ficar assim, torta, "esmagada".
Se alguém souber resolver, dá um socorro aqui  (comentários, e-mail, fb, skype, qualquer coisa). Caso contrário, acostumem-se até eu ter tempo de mexer nisso de novo.
Até eu ter tempo = dormir, acordar, cuidar da minha filha, cuidar das minhas coisas, esperar a pequetuxa dormir e aí, sim, voltar aqui pra resolver.
Então, até lá, não olhem muito pro alto do blog.
Obrigada, de nada, beijo, até mais.

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Apanhei, mas ajustei o tamanho sem perder a qualidade da imagem. Só preciso acertar umas coisinhas depois e aí ficará exatamente como quero.
Se alguém tiver alguma dica ou sugestão, já sabem (comentários, e-mail, fb, skype, pombo correio, etc e tal).
Volto a mexer quando eu tiver tempo de novo, o que deve acontecer na próxima madrugada.
Até lá, admirem meu trabalho de colagens (usando imagens quase todas achadas internet adentro e se você for o dono de alguma delas ou souber quem é, PELO AMOR DE DEUS, NÃO ME PROCESSA! Fala comigo e eu tiro a imagem ou dou os créditos necessários) e aplaudam minha paciência, porque isso demorou pra porra até chegar nesse resultado.

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Trilha Sonora: Alanis. Overdose de Alanis essa noite.

terça-feira, 8 de julho de 2014

8 on 8 #1

Dias atrás, através de um tópico aberto no Rotaroots, entrei pra um projeto de fotografias. É um 8 on 8.
- É um o quê, fia?
8 on 8. Poderia ser 6 on 6, 7 on 7, 9 on 9, etc...
Funciona assim: 8 pessoas postam 8 fotos no dia 8 sobre um mesmo assunto (mesmo que seja tema livre, será tema livre pra todos).
Decidimos usar a estação que nos inspira como tema para fotografar.
Antes das fotos, um aviso: não sou fotógrafa profissional e nem amadora, já que 90% das fotos que costumo tirar são da minha filha e 95% delas não fica legal o bastante para um porta-retrato. Só sei apertar o botão de disparar e essa é toda a minha técnica nessas fotos. Algumas fotos (vou avisar nas legendas delas) não ficaram com a luz legal, então coloquei filtro nelas pra dar uma ajeitadinha.
Então, todos avisados, vamos aos cliques:

Season Favorites
A estação que me inspira é o inverno. Bom pra sair de casa, pra dormir, pra ficar sozinha, pra namorar, pra engordar, pra emagrecer (quando tá muito frio, me recuso a sair da cama pra beliscar no meio da noite)... Por mim, no Brasil teria até neve.

 Resumo das minhas noites: cobertor e internet.

 Adoro o céu meio cinza do inverno. Não é cinza pra chuva, mas não é azul pra sol. Foto tirada do quintal da casa da minha madrinha, em Pirapora-SP.

 Tá aí uma coisa que sempre quis e nunca tive, até ganhar de presente esses dias: luvas. (foto com filtro)

 Andar de meia pela casa. Muito cara de infância, né? Alice faz isso sempre, já que se recusa a usar chinelo. 

Não gosto de sol, mas no inverno, quando fica aquele geladinho dentro de casa, adoro achar um pedacinho de sol pra me esquentar uns minutos. 

Ficar agarrada em quem a gente ama é quase impossível no verão, todo mundo grudando e suando e brilhando a testa oleosa e ECA! Nojinho! Mas no inverno dá pra ficar de mãos dadas pra esquentar, dá pra dormir abraçado, dá pra sentar pertinho e dá até pra respirar sem medo porque o perfume até dura mais. 

 
 Dormir de meia é gostoso, mas dormir de pantufa ou com esses sapatinhos que a Alice usa, é coisa linda de Deus! Você dorme e acorda com o pé quentinho e ele não cai no meio da noite, como acontece com as meias quase sempre. E isso só é possível no inverno (a menos que você não se incomode de acordar com o pé suando no verão).

E por último, uma das partes que mais gosto do inverno: me agasalhar! Adoro usar casaquinho e só consigo usar quando esfria. Daí aproveito e até me arrumo mais bonitinha. E sobre a minha cara de tédio, é porque eu estava trabalhando, fim de expediente, nada pra fazer e, principalmente, não sei e nem gosto de selfies. (dá pra ver que tem filtro aí, né? É, pesei a mão pra esconder o máximo possível da minha cara de "não estou me divertindo".)

Agora, as outras meninas que estão participando do projeto:

Marô
Raquel
Ana Luiza
Marta
Katharine
Aline
Sabrina

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E então, como me saí nessa nova empreitada? Muito ruim? Mês que vem dá pra participar de novo ou é melhor cair fora antes de passar mais vergonha? Critiquem à vontade. Estou querendo aprender a fotografar e vai ser bom ouvir umas dicas. Aproveitem que não vou me ofender.  ;)


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Trilha Sonora: I'm Like a Bird - Nelly Furtado. Acho que é a música dela que mais gosto. Tão diferente das outras coisas que ela gravou depois, que nem parece a mesma cantora.

sábado, 5 de julho de 2014

Velhos Hábitos

Outro dia estava distraída, trabalhando, quando me peguei torcendo meu dedo indicador em busca de um anel que eu costumava usar no polegar da mão direita.
Acontece que não uso anéis há mais de um ano. Mas me peguei buscando o tal anel do polegar e estranhei por alguns segundos quando não o encontrei ali, preso ao meu dedo, preso a mim.
Estranhei e, como num pulo de espanto dentro do meu peito, pensei rapidamente "perdi!" e antes de concluir a retrospectiva dos lugares onde eu poderia, talvez, ter deixado o anel, me lembrei que aquele anel que eu estava procurando estava guardado, bem guardado no lugar onde eu mesma resolvi guardar.
Logo que tirei do meu dedo, eu costumava fazer o mesmo movimento do indicador em direção ao polegar, mas não para buscar a peça ausente. Fazia para sentir a marca que ficou depois de tantos anos com ele ali, me apertando quando eu engordava um pouquinho, me distraindo enquanto eu o girava segurando com os dedos da outra mão, enfeitando minha mão de dedos curtos e gordinhos.
Acostumei a não tirar. Não tirava para tomar banho. Não tirava para lavar louça. Não tirava para combinar uma roupa ou outro acessório. Tudo devia combinar com ele, tudo seria adaptado ao estilo dele e eu não precisaria tirá-lo, eu decidi. Era só adaptar todo o resto à minha volta para que combinasse com ele.
Só que um dia eu precisei tirar o anel do dedo. Tirei e guardei na caixinha de jóias. Continua lá.
De vez em quando eu sinto a falta dele agarrado tão apertado no meu dedo que nem parecia que não era parte de mim.
Me esqueço que escolhi colocar e escolhi tirar. É quando abro a caixa onde o guardei, tiro, admiro, tento colocar no meu dedo e percebo que não me serve mais, não combina mais com o resto das coisas que uso. Talvez até entre, mas tenho medo que não saia nunca mais e acabe necrosando meu dedo ou me obrigando a usar uma serrinha para tirá-lo aos pedaços.
Então o devolvo no lugar dele e afirmo pra mim, numa tentativa de desapegar: "esse anel não serve mais no meu dedo".
Não é que eu não queira usar ou não goste mais dele. Só não serve mais no meu dedo como antes. E é só isso.

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Trilha Sonora: Grão de Amor - Arnaldo Antunes e Marisa Monte. Coisa linda essa música e esses dois cantando juntos.

terça-feira, 10 de junho de 2014

O Meu Brasil Pra Gringo Ver

Nunca saí do país (posso dizer que nem do estado de SP eu saí, porque a única vez que pisei fora do limite de estado foi por algumas horas, só pra ir até o Paraná, que é aqui do ladinho, na formatura da minha irmã).
Só que ninguém precisa ter o passaporte cheio de carimbos pra saber qual é a imagem que os gringos têm de nós. Basicamente: carnaval, samba, mulata, e futebol. Isso com a floresta amazônica ao fundo e um copo de caipirinha na mão.
Mas quem é brasileiro sabe, o Brasil é muito mais que isso. E o Brasil é muito mais que muita coisa para cada um que vive aqui.
Se eu fosse guia turística, mostraria para os turistas o seguinte:
* Culinária basicona do Brasil. Nada das comidas baianas que todo turista conhece, nada do brigadeiro que já virou produto gourmet lá fora, nada da feijoada que toda escola de samba faz nas quadras pra engordar visitas. Eu mostraria o nosso arroz, feijão, bife e batata frita com saladinha de alface e o temperinho made in Brasil mesmo. E empadinhas de boteco. Coxinha não, que já virou estrelinha também. E escondidinho de carne seca com mandioca. E carne seca com cebola. E, a comidinha clássica da minha infância, ensinada pelo meu avô: arroz, feijão e farinha pra fazer bolinho e comer com a mão.
* Música brasileira além da Bossa Nova e Samba. Quando penso em música com cara de Brasil, Cordel do Fogo Encantado me vem na cabeça no mesmo instante. Acho que existe pouca coisa tão verdadeiramente brasileira do que Cordel. Já começa no nome da banda, fazendo referência à Literatura de Cordel, que apesar de ter vindo de Portugal, ganhou a cara do Brasil quando se popularizou no nosso Nordeste. Outra banda bem Brasil é Nação Zumbi.
São estilos que se parecem um pouco com ritmos africanos por causa da percussão bem marcada. Mas, como o Brasil adota um pouco de cada cultura e molda com a nossa cara, não tem nada mais brasileiro do que a música feita por essas bandas estilo Cordel e Nação Zumbi.
* Botecos. Acho que não tem em outro lugar boteco estilo os brasileiros. Tem pub, tem cafeteria, tem restaurante, tem lanchonete, mas botecão, aquele "pé sujo", com estufa de salgados e mesinhas dobráveis com logo das cervejas, isso só tem aqui. Ou não? Mesmo que tenha em outros lugares, o estilo botequeiro (eu disse boTEqueiro. Favor não ler errado) é uma coisa muito nossa.
* Pastel de feira com caldo de cana. Preciso explicar? Fica até numa categoria fora da culinária, porque não é SÓ comer o pastel e tomar caldo de cana. Tem toda a coisa de ir andar na feira, ouvir a gritaria, esbarrar nos carrinhos, escorregar num tomate caído no chão, sentir o cheiro dos temperinhos moídos na hora... É uma experiência sem comparação.

Então, turistas que queiram conhecer o Brasil fora do tradicional "carnaval+feijoada+mulata+floresta+futebol", procurem minha agência de viagens e agendem seus passeios.
Mentira.
Mas se quiserem impressionar uma galera gringa, experimentem minhas dicas. Acho difícil isso falhar e não fazer um estrangeiro se apaixonar pelo menos mais um pouquinho pelo Brasil.

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#VaiTerCopaSim - Outro tema proposto pelo Rotaroots.

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Trilha Sonora: Sem música hoje.

domingo, 8 de junho de 2014

Um Meme e Um Grupo

Internet Old School
A proposta desse meme é falar sobre o que eu fazia quando comecei a usar internet.

Em 1998...1999 meu pai chegou em casa com um trambolho chamado computador. Não sei quais eram as configurações, mas sei que ele rodava um Windows 95 e era de segunda mão, logo, não devia ser nada muito extraordinário em termos técnicos, mas era extraordinário porque, mano! era um computador de verdade! Igual aos que a gente só via em agências bancárias e filmes americanos.
O primeiro computador que vi e "mexi" na minha vida foi na casa de uma amiga da minha mãe, mas ele estava com algum problema ou tinha senha e por isso não chegava a sair da tela inicial do DOS, onde ficava escrito Energy Star com o desenho da estrelinha. Ele era usado pra brincar de escritório, mas na verdade não fazia coisa nenhuma, já que, além de não funcionar, a gente nem sabia o que podia ser feito com ele.
Então, voltando ao meu primeiro computador, quando meu pai chegou em casa com ele e vimos que um computador tinha mais coisas além da tela preta com o desenho da estrelinha, ficamos maravilhadas! Eu e minha irmã fuçamos em tudo o que pudemos: paciência, copas, free cell, campo minado, protetor de tela, papel de parede editável... eram tantas as possibilidades! Mentira. Era bem pouca coisa, mas era muito legal.
Pra ter uma noção, a gente nem tinha mesa pra colocar o computador e ele passou anos em cima da mesa de jantar mesmo, ocupando um lugar que nunca podia ser usado por alguém que quisesse comer na mesa.
Algum tempo depois meu pai apareceu com um CD de joguinhos. Nos divertíamos mais ainda! Super tecnologia!
Até que, um dia, ele chegou com um disquete em casa com um adesivo de um ursinho e o nome Bimba. 
Pausa dramática: pelo amor de Deus, se alguém souber o que era esse tal Bimba, me explica, porque até hoje não sabemos e meu pai não se lembra direito pra poder nos explicar. Só sei que funcionava como uma internet ou funcionava com internet, não sei bem. A gente colocava o disquete, uma tela preta abria, nessa tela tinha diversas opções de jogos, chat, piadas e...e...e... acho que era só isso. Mas pra época e pra nossa idade, era um universo de coisas.
Usamos aquilo por um tempo e depois não me lembro se cansamos ou se meu pai vendeu o computador e o tal disquete foi junto. Só sei que passamos um bom tempo sem ter nada parecido em casa e o máximo que tínhamos de tecnologia em casa era um Nintendo 64.
Fomos ganhar outro computador de novo em 2001. Só que nessa época, não sei bem o motivo, eu não usava e nem me interessava por ele. O máximo que eu fazia era jogar The Sims.
Internet mesmo, aquele medo de acordar a casa toda com o barulho da conexão discando depois da meia noite, aquela raiva da conexão cair no melhor da conversa no MSN, aquela alegria de ver que tinha scrap novo no Orkut e a emoção de receber um depoimento (testimonial) lindo... Tudo isso veio só em 2005, quando eu finalmente me interessei e  comecei a usar internet. E isso era basicamente o que eu fazia: MSN, Orkut, blogs... E o primeiro que eu li e comecei a acompanhar foi o Flocgel e, a partir dele, o Suburbia Tales e tantos outros que eu ia achando linkados em posts ou no blogroll deles. Assim foi o começo do meu relacionamento com a internet.
Fiz muitos amigos quando resolvi começar um blog e alguns eu trago até hoje como pessoas queridas.
Os caminhos e lugares mudaram um pouco desde que caí nessa rede mundial de computadores, mas os objetivos finais ainda são os mesmos: conhecer pessoas, conhecer coisas, conhecer histórias.
A internet era diferente antes? Era. Era melhor do que é hoje? Não, nem melhor e nem pior. Só era outra. Da mesma forma que eu era outra pessoa, nem melhor e nem pior.
Mas que dá saudade dá.

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Esse meme foi proposto pelo Rotaroots, um grupo super legal no facebook, que tá tentando resgatar o espírito blogueiro do passado, quando a internet tinha mais conteúdo inédito e os blogs eram mais atualizados do que hoje. Vale a pena conhecer, se você sente saudade da blogosfera de raiz.
Tem o grupo e tem a página, mas nenhuma delas tem o objetivo de divulgar blogs ou fazer trocas de link e parcerias. 


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Trilha Sonora: Na vibe coisas velhas, tô ouvindo Capital Inicial - Eu Nunca Disse Adeus.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Através do Espelho E O Que Encontrei Lá

Estava vendo no Catraca Livre sobre um projeto de uma fotógrafa que registrou o corpo de várias mulheres na gestação e as marcas que o parto deixou depois.
São fotos lindas, em preto e branco, sem photoshop, tudo muito delicado e transbordando maternidade (sabe relação de mãe e bebê, que só quem é mãe sabe? Aquela intimidade e amor puro? Então).
Fiquei olhando e pensando no que o parto fez com o meu corpo. Na minha dificuldade em aceitar as marcas que ganhei.
Falei disso poucas vezes desde que minha filha nasceu e, acho que das duas ou três vezes que falei, não senti nem metade do apoio que eu esperava e, por isso, me fechei mais sobre o assunto.
Nunca fui magra. Sempre fui de gorda a gordinha, passando por fases menos gorda, mas estando a maior parte do tempo no estágio gorda e ponto.
Quem é gordo sabe, o corpo não é só banha. É também estria e celulite. Tenho tudo. Já tive estrias roxas nas pernas, mas elas sumiram magicamente e só ficaram as estrias brancas, mas bem fracas, nem chamavam atenção.
Nunca me incomodei de verdade com a minha imagem no espelho. Podia olhar e não ficar satisfeita, aí fechava a boca por uns dias e perdia alguns números na medida do quadril e barriga. Mas eu sempre olhava meu corpo no espelho. Mesmo que procurando os defeitos, eu olhava meu corpo no espelho. Vestida, nua, depois do banho, me arrumando pra sair.
Durante a gravidez, eu não engordei como todo mundo imaginava e, pelo contrário, de certa forma perdi peso. Terminei a gravidez pesando pouco mais de 5kg além do que eu pesava no início, o que significa que o meu corpo perdeu gordura e ganhou peso de bebê+água+barriga. Como eu estava bem acima do meu peso, isso foi bom no fim das contas.
Acontece que, apesar da cintura estar mais fina, minha barriga estava tomada de estrias. Passei cremes conforme o médico recomendou, evitei tomar sol conforme todo mundo alertou, cuidei um pouco (muito pouco) da minha alimentação, mas não mudou nada. Quando a bebê nasceu, restou pra mim uma barriga flácida e cheia de estrias escuras.
Além disso, ela nasceu de uma cesárea, então ganhei também um corte cirúrgico logo abaixo da minha barriga e, por necessidade médica ou barbeiragem obstétrica (nunca saberei), uma tatuagem que tenho e me fazia gostar um pouco mais do meu corpo, foi estragada no parto porque o corte terminou bem em cima do desenho e depois que levei os pontos, ficou uma coisa meio remendada.
Tudo isso é coisa que ninguém vê e nem imagina se não tiver a oportunidade de me ver sem roupa. E tudo isso é coisa que nem eu vejo direito mais.
Há 1 ano e 7 meses eu não me olho direito no espelho. O corte da cesárea e a cicatriz que ela deixou, só tive coragem de olhar por poucos minutos há uns 2 meses. Todo o resto eu evito olhar. Tomo banho olhando pra frente, me visto olhando pra roupa, me arrumo sem me encarar no espelho e só foco o olhar nos detalhes que preciso num momento específico.
Tudo isso para dizer que não, não estou satisfeita com os efeitos da gravidez no meu corpo. Não é fácil aceitar uma cicatriz que eu nem sei direito como é. Não é fácil encarar minha barriga listradinha, mesmo que fotos na internet me encorajem a pensar que somente mulheres fortes como tigresas merecem listras no corpo.
Aí volto ao começo do post, às fotos das grávidas e mães recém nascidas. Como é estranha nossa mania de olhar o outro e conseguir ver beleza e graça nas exatas mesmas coisas que nós temos e não aceitamos... Como é hipócrita da minha parte, comigo mesma, admirar o corpo alheio e não ser capaz de encarar o meu próprio corpo com a admiração maior, justamente por ser o meu corpo.
E, por fim, se você, leitor ou leitora (mesmo que não comentem, eu sei que estão aí. O Analytics me disse), é do tipo infeliz ou traumatizado com o seu corpo, pára e pensa. Veja se não está cometendo com você a mesma injustiça que cometo comigo. Não tenho um conselho pra te dar e muito menos um final feliz pra esse post, nada como "então, a partir de agora amo meu corpo e me aceito e vou fazer topless na praia amanhã e vou usar blusa de barriga de fora e vou posar nua mês que vem". Nada disso. Continuo infeliz, insatisfeita e evitando me olhar, mas hoje, vendo as tais fotos, percebi o que estou fazendo. Se ter consciência dos erros já é o primeiro passo para a mudança, talvez esse seja um dia marcante. Se não for, valeu a reflexão e achei que devia dividir isso com mais gente porque, de vez em quando, a resposta para os nossos problemas está no espelho dos outros.

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Trilha Sonora: Tem uma melodia na minha cabeça, mas não sei se inventei ou se ouvi e não sei o nome. ;ou tô louca e nem tem nada.

terça-feira, 20 de maio de 2014

Aqueles lugares onde ninguém se atreve a entrar

Estou lendo um livro novo, Caderno de Um Ausente (do João Anzanello Carrascoza, depois falo melhor do livro) e, logo no começo, tem uma frase que fala assim:
"...apesar do que dizem sobre os casais - que tanto se conhecem a ponto de se confundirem - o mistério de cada um só a ele pertence, há regiões nossas às quais nem nós mesmos alcançamos."
O livro me parece todo lindo (estou nas primeiras 20 páginas ainda), mas essa frase em especial ficou martelando na minha cabeça e voltei várias vezes nela.
Quantos relacionamentos eu mesma não estraguei com a minha mania de querer penetrar tão intimamente na vida do outro e, ao mesmo tempo, não permitindo que o outro fizesse o mesmo quando foi o caso dele querer?
Não falo somente de relacionamentos amorosos, embora isso fique mais evidente quando estou apaixonada por alguém, mas falo também dos relacionamentos familiares, com amigos... afetivos em geral.
Sou o tipo de pessoa que gosta muito de ouvir, quero saber de tudo, quero detalhes, não me contento com histórias contadas de forma resumida (quando a história é do meu interesse, claro). Quero que o outro reproduza as falas exatamente como ocorreram, quero que me conte com detalhes e imitações de tom de voz e entonações corretas em cada palavra que foi dita numa conversa da qual eu não tenha participado, mas por um ou outro motivo, eu ache que tenha o direito de saber como foi.
Eu me acho no direito.
Mesmo que eu nem sempre peça ou deixe isso claro, eu espero que as pessoas se abram totalmente comigo, me contando detalhes e deixando suas histórias todas expostas como feridas abertas, mesmo que ainda não tenham cicatrizado nelas e, nesses casos, exijo tanto que não me importo em ver as feridas abertas, sangrando, em carne viva bem na minha frente. Só quero ver tudo, saber tudo.
Mesmo que o assunto me magoe e principalmente quando o assunto me magoa. Sou forte e aguento ver o sangue jorrar bem na minha cara sem desmaiar.
Acontece que, mesmo me expondo mais do que eu deveria em alguns relacionamentos, eu nunca me abro o suficiente o tempo todo. Há sempre em mim, lá no fundo, uma porta trancada cuja chave foi jogada fora há muito tempo. Eu até sei onde está a chave, porque eu estava lá quando ela foi atirada pra longe, mas eu não quero buscar, não quero destrancar porta nenhuma e, principalmente, não quero que ninguém tente abrir essa porta.
De vez em quando, sem que ninguém perceba com clareza, eu permito que uma coisa ou outra trancada atrás dessa porta apareça na janelinha escura (porém devidamente trancada e coberta por uma cortina escura) e olhe o mundo aqui fora ou eu mesma vou dar umas espiadas lá dentro, sem entrar e sem deixar que me vejam por ali. Só para ver como as coisas estão e ter certeza de que o lugar delas é exatamente onde estão, trancadas e esquecidas.
E quanta coisa, então, eu penso que sei sobre os outros e não sei? Se tanta coisa as pessoas pensam que sabem sobre mim e não sabem, mesmo achando que eu já falei tudo, que eu mostrei todos os lados de todas as histórias, que eu abri todas as minhas feridas... Nada me garante, então, que as pessoas não estejam me proibindo também de entrar nesses cantinhos escuros que eu mesma também escondo delas.
O que eu quero dizer é que, por mais que a gente queira, tente e ache que conseguiu, a gente nunca conhece de verdade e totalmente a história das pessoas.
E, no fim das contas, isso não é uma coisa ruim se você espiar pela sua frestinha de janela e conseguir enxergar bem o tipo de coisa que anda escondida lá dentro, atrás daquela porta que você fez questão de trancar e perder a chave. Se você não aguenta certos monstros seus, que você mesmo criou ou acabou abrigando, como é que vai aguentar os monstros alheios?
É melhor que cada um mantenha suas chaves bem escondias mesmo e que não se fale mais nisso.

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Trilha Sonora: Nem tem. Tô ouvindo pouca música ultimamente.