sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Amor Preferencial

Acostumado a andar sozinho desde que ficou viúvo, vinte e tantos anos atrás, Seu Oswaldo não esperava nunca mais encontrar outra companheira para a vida toda. Ou para o que ainda lhe restava da vida.
Mas ao embarcar no ônibus de costume, a caminho do centro da cidade, para onde ia com frequência resolver as coisas da aposentadoria, jogar dominó com os amigos do clube da terceira idade ou comprar um remédio para uma doença qualquer que ele gostava de achar que tinha para se ocupar com alguma preocupação que ele já não precisava ter naquela fase da vida sempre saudável (os médicos diziam, ele duvidava), Seu Oswaldo avistou, no banco preferencial, a senhorinha mais linda que ele já havia visto nos últimos anos, desde a partida de Dona Esmeralda. Foi amor à primeira vista, apesar da vista já um pouco fraca pela avançada idade. Limpou bem os óculos, tornou a colocar as lentes no rosto e, estufando o peito, pediu licença e sentou-se ao lado dela.
Puxou uma conversa como quem não quer nada, mas sentia-se um adolescente por dentro, frio na barriga e tudo. Ela sorria. Ela sorria com os olhos quando falava! E ele sorria de volta.
A viagem de 40 minutos parece ter passado em 5, tanta coisa ele queria saber, queria conversar...
Deveria descer no próximo ponto, mas decidiu aproveitar que não pagava mais passagem e fez-se de bobo, perdeu o ponto de propósito, torcendo para que ela não desembarcasse no próximo, antes que ele pudesse pelo menos saber o seu nome, como encontrá-la de novo.
Foram até o ponto final de ônibus e o motorista, acostumado a ver sempre Seu Oswaldo naquela linha, mas nunca até aquele destino, interrompeu os dois:
- Ô, vovô! Esqueceu de descer hoje ou veio passear pra essas bandas?
Seu Oswaldo, entre constrangido e humilhado, disse que precisava resolver qualquer coisa ali por perto, não tinha errado o ponto, não e aproveitou a oportunidade para perguntar se a sua nova amiga morava por ali.
A senhorinha respondeu que havia ido visitar uma amiga.
Alceu, o motorista muito esperto e acostumado a ver romances começando em seu ônibus, tratou de adiantar o lado dos dois:
- Então, até amanhã Seu Oswaldo. Amanhã é dia do Sr. ir jogar dominó no clube da terceira idade, né? Já decorei sua agenda. Lá pelas 14:30 eu passo no ponto perto da sua casa. E a senhora, dona Laura, sai tão pouco de casa ultimamente. Ainda mora ali perto da catedral? Já conhece o clube da terceira idade aqui da cidade? Conta pra ela, vovô. Convida ela pra ir lá. Até amanhã, então!

Seu Oswaldo e Dona Laura seguiram em rumos opostos naquela tarde. Mas no dia seguinte, às 14:00, ela já estava dentro do ônibus, aguardando no banco preferencial, ansiosa pelo momento que veria novamente o adorável Seu Oswaldo, por quem ela havia perdido a consulta médica marcada há meses, mas que poderia ser remarcada depois. Ela sentia que teria ainda todo o tempo do mundo para isso. Urgente agora era rever o seu Seu Oswaldo.


***
A ideia e o título desse continho estavam na minha cabeça há muitos anos, sem que eu tivesse sentado para desenvolver direito a história. Até que lembrei dessa notícia aqui e aproveitei o momento de ócio e silêncio raros para resolver esse assunto.

Fonte: Razões Para Acreditar ( ♥ amo esse site ♥ )


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Trilha Sonora: Estava ouvindo essa playlist delicinha aqui, feita pela Raquel do Draminha.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Como Uma Música Salva Uma Pessoa

Em março desse ano, acho, eu fiquei doente. Não foi gripe ou catapora (aliás, nunca tive catapora) e nem precisei fazer cirurgia. Fiquei doente da cabeça mesmo. Ou da alma, como dizem.
Os 3 médicos que me atenderam naquela semana disseram, um sem saber do diagnóstico do outro, que eu estava passando por uma crise nervosa. Até que, numa noite qualquer, eu surtei. Eu travei. Eu fui para o hospital numa ambulância e passei uma semana descansando em casa, sem trabalhar e evitando me estressar. Foi bem sério, mas não é sobre o colapso em si e as causas dele que eu quero falar.
Quero falar que, naquele momento, apesar de um restinho de racionalidade me fazer sentir medo de acordar minha filha e ela me ver daquele jeito; o que me manteve lúcida mesmo foi uma música. Não foi o amor pela minha filha, não foi o desejo de vê-la crescer, não foi a vontade de viver (e tudo isso existe e existia mesmo naquele momento). Foi uma música.
Enquanto eu estava semi consciente, no chão, sem conseguir me mexer, sem conseguir falar, sem conseguir enxergar absolutamente nada, alguma coisa me dizia que, se eu fosse capaz de continuar repetindo mentalmente os versos de Need You By My Side, do The Sun Parade, eu conseguiria me manter sã. Foi como se eu estivesse me equilibrando em uma linha muito fina entre a loucura e a sanidade. E essa linha era essa música. Eu repeti mentalmente muitas e muitas vezes os versos "I fell it collapsing inside me My life while I struggle inside Could you please be my constant? Cause I have fifty thoughts at a time" e de alguma forma que nunca saberei explicar, sei que eles mantiveram parte do meu cérebro funcionando como deveria funcionar.



Poderia ter sido qualquer música de uma lista enorme de músicas que eu gosto e ouço a vida toda, há muitos anos ou há algum tempo... mas foi essa. Postei aqui quando conheci e me apaixonei por essa banda e citei essa música, inclusive. Continuo ouvindo muito, mas naqueles dias, não sei o motivo de ter "escolhido" ela pra me salvar do que eu nem sei. Mas foi ela.
Desde então, tenho prestado atenção aos sinais de qualquer cansaço aparentemente fora do normal, mas quando sinto que estou prestes a surtar de novo, eu ouço essa música, eu canto, eu me lembro dela e eu me mantenho em pé, seguindo meu caminho.
Nunca pensei que uma música se tornaria tão importante pra mim, mesmo sempre tendo sido apaixonada por música, mas essa, naquela ocasião, tenho certeza que me salvou de um destino muito diferente do que eu quero pra mim.

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Trilha Sonora: Comecei com Need You By My Side e passei por várias outras enquanto escrevia, mas tive que ouvir de novo quando abri o vídeo pra pegar o link. 

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Tom,
Ainda não nos conhecemos e, nesse momento que escrevo, você conhece poucas coisas além do som da voz da sua mamãe e os barulhos do corpo dela, que, até então, eram tudo o que você conhecia como o mundo.
Há dias eu queria te escrever uma carta, que deveria ter ido junto com o presente que comprei pra você. Cheguei até a rascunhar alguma coisa em um papel lindo, mas por mil razões, acabei adiando. Os adultos sempre fazem isso, Tom: adiamos coisas que são importantes, mas não urgentes naquele momento. De vez em quando isso nos faz perder o fio da meada e boas ideias acabam escapando. Mas, outras vezes, pode acontecer diferente e, nessa de "depois eu faço", a ideia vai ganhando mais forma e sai do papel no momento certo. E ainda bem que me atrapalhei um pouco e acabei não escrevendo dias atrás, porque acordei hoje e no caminho para o trabalho, pensei em você e na sua mãe. Fiquei imaginando se ainda faltava muito tempo para você sair do quentinho e gostoso que era sua antiga casa e se a sua mãe estaria bem. Pelas minhas contas, mais ou menos naquele momento vocês deviam estar se conhecendo ainda e pouco depois, quando eu soube da sua chegada, a inspiração veio toda de uma vez para escrever.
Você não imagina ainda, mas é um garoto muito amado e querido por pessoas que moram em todo canto do mundo e, assim como eu, foram se enfiando na sua vida mesmo antes de você chegar, sem te pedir permissão para participar desse grande evento que começa hoje, com o seu nascimento. Parece falta de educação chegar sem ser convidado, mas é só amizade. As amizades começam assim mesmo. Um conquista o outro e, sem aviso ou permissão, as pessoas se enfiam nas vidas umas das outras e vão ficando, ficando... Mas deixa isso pra depois, que você tem uma vida muito longa pela frente e terá tempo e chances infinitas de aprender o que é amizade e como se faz um amigo, que é coisa muito importante, mas não é urgente agora.
Urgente agora é aprender a respirar, aprender a sugar da sua mãe todo o amor e a proteção em forma de alimento líquido que ela vai te dar por alguns meses e, confiem em mim (você e a mamãe): serão os momentos mais mágicos e intensos desse seu comecinho de vida. Sua mãe vai descobrir coisas incríveis, coisas lindas, coisas assustadoras e coisas divertidas por um bom tempo. Mas tenha paciência com ela, Tom, porque ela está tão recém nascida quanto você nessa coisa de ser mãe e ter nos braços uma coisinha tão pequena de tamanho e tão grande de importância que é um bebê, um filho. E nos primeiros meses ela deve ficar meio chorona ou assustada. Cuide bem dela, da mesma forma que ela vai cuidar bem de você. 
Quando você tiver idade para perguntar e entender o mundo, não se esqueça de perguntar a ela como é a Terra do Nunca. Foi lá que conheci sua mãe, alguns anos atrás. É um lugar divertidíssimo e cheio de coisas loucas. Pergunte também da Terra do Gelo e de tantos outros lugares que ela já conheceu. Sua mãe deve ter muita coisa pra te contar e te mostrar. Fique grudadinho nela o máximo que puder e saboreie cada palavra das histórias e músicas que ela deve ter pra você.
Por muitas razões que você vai aprender a reconhecer ainda, você é um menino de muita sorte. Mas a sua maior sorte foi ter nascido dessa mulher linda e corajosa que é sua mãe. Tenho certeza que você terá uma vida incrível com os cuidados dela e ela terá uma vida cheia de alegrias e orgulho cuidando de você.
Seja bem vindo ao mundo, Tom! Não é grande coisa, eu admito, mas a sua chegada acaba de fazê-lo um lugar melhor para muita gente. 
Espero poder te ver em breve, garoto.
Um cheirinho e um afago (não pode dar beijinho e nem apertar bebês tão pequenos como você),


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Trilha Sonora: Escrevi enquanto trabalhava, então não tem trilha sonora. Mas eu estava ouvindo Amazing - Aerosmith pouco antes de saber da chegada do Tom.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Um dia minha mãe enlouqueceu.
Não. Não foi assim, um dia. Hoje eu sei que tudo foi acontecendo aos poucos, até que ela…
Começou quando eu era pequena demais para perceber qualquer coisa. Achava divertido minha mãe estar sempre em casa, disponível para brincar comigo e ficar na cama até tarde quando eu não tinha escola. Depois, conforme fui crescendo, passei a achar constrangedor receber amigos em casa e minha mãe estar sempre de camisola e despenteada pela casa. Eu evitava receber amigos em casa. Atendia todos no portão e de lá a gente seguia pra qualquer canto que não fosse a minha casa.
Minha mãe parou de pentear os cabelos e foi adquirindo aos poucos um ar de selvagem, como se estivesse sempre fugindo de alguma coisa que não lhe dava tempo de parar e pentear os cabelos. Quando ela estava medicada, ela prendia os cabelos no alto da cabeça, num rabo de cavalo desajeitado e volumoso que, nas primeiras vezes eu achei graça por ficar parecida com uma couve flor ou um brócolis. Depois aquilo perdeu a graça e ela só se parecia com uma louca mesmo.
De vez em quando ela chorava enquanto prendia o cabelo e, conforme o tempo passou, percebi que era um choro de dor. Amarrar aquele emaranhado de fios era tão dolorido quanto apertar dentro da cabeça dela aquele emaranhado de pensamentos, de lembranças e passado. Ela só tinha passado. Não tinha mais futuro nenhum há muito tempo e, conforme eu desenhava o meu futuro longe dela, aceitando que ela acabaria mesmo cada vez mais louca, sob os cuidados dos meus avós ou de alguma clínica, eu sentia a gente se afastando cada vez mais.
Quando fiz 19 anos, saí da casa dos meus avós. Passei a visitar a cada 15 ou 20 dias e mandava o dinheiro que podia para ajudar com os médicos e remédios que já não ajudavam em nada aquela cabeça tão doente e despenteada.
Eu sentia dó. Eu sentia raiva. Eu queria entender o que aconteceu.
Hoje, 5 anos depois que ela se foi, acordei e senti vontade de não pentear os cabelos. Semana passada descobri que estou esperando um bebê e antes de comprar o primeiro sapatinho, decidi cortar meus cabelos tão curtos que eu nunca mais precise pentear.
Acho que foi assim que começou com ela, mas talvez eu tenha encontrado um jeito de nunca precisar prender os cabelos e não sentir a dor que ela sentia.
Em vez de oferecer um pente, devia ter oferecido a tesoura.


***
Conto publicado há alguns dias no Medium. Tive a ideia do primeiro parágrafo e depois, quando sentei pra escrever, o resto foi saindo naturalmente. Não sei ainda se gostei ou não, mas publiquei pra não deixar guardado como tantas coisas que ando escrevendo e não publicando.

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Trilha Sonora: Heart's Out - The Sun Parade. Continuo viciada, apaixonada, encantada e ouvindo muito essa banda. <3

quinta-feira, 10 de março de 2016

Ouvindo Toda Hora: The Sun Parade

Não sei quando foi a última vez que uma banda surgiu na minha vida de forma totalmente aleatória, sem indicação de ninguém ou sem que eu tivesse ouvido uma música como trilha de qualquer coisa.
Até que, há algumas semanas, recebi no meu email uma newsletter de algum site de música que já não me lembro mais qual era e, entre várias recomendações, havia uma que me chamou a atenção: The Sun Parade. Fui procurar no Spotify e desde então estou ouvindo, ouvindo, ouvindo, ouvindo e amando.


O som me lembrou um pouco The Kooks (Naive, especificamente), mas não é exatamente parecido. É que tenho uma coisa de ouvir certas bandas e lembrar de outras que não se parecem de verdade, mas meu cérebro acha que sim.
Dentro da minha rotina é o tipo de música que gosto de ouvir enquanto leio e escrevo. Me ajuda a relaxar e focar no que estou fazendo, servindo de música de fundo, sabe? Aí eu paro um pouquinho, canto um verso ou outro, distraio uns segundos e volto a me focar.
Das que ouvi (acho que todas) estou mais apaixonada por todas por duas três quatro: Need You By My Side, Taste, Heart's Out e Waiting for Life to Drastically Change. Mas tem I'm Still Here, que é uma delícia de ouvir e vai pra minha trilha de músicas para ouvir e cantar no banho. E se eu for ficar listando todas que gostei, vou ter que listar tudo, porque eu realmente gostei de tudo. Nenhuma delas teve aquela coisa de "ai, chatinha! próxima!" e isso acontece muito até com bandas que adoro há tempos.
Fui ver os clipes no Youtube e estou igualmente apaixonada! Bem feitos, divertidos, com um clima meio "chama o pessoal pra fazer figuração, vai ser divertido" e aquela coisa moderninha, cheia de filtros e edições legais. O clipe de Need You By My Side (status: amando cada verso dessa música), por exemplo, parece que foi filmado dentro de um sonho, umas cenas esquisitas, meio nada a ver... exatamente como quando a gente sonha e vai contando os pedaços para alguém e explicando que não faz mesmo sentido nenhum aquilo tudo. Olha só:


Sobre a banda, ela é composta pelo vocalista e guitarrista Chris Marlon Jennings (achei gatinho), pelo Jeff Lewis que também faz vocal e guitarras, Jared Gardner no baixo e Karl Helander na bateria. Eles são de Northampton, Massachusetts (EUA).


Na página deles no fb tem bastante foto (inclusive essas do post, peguei de lá e do site oficial deles) e informações atualizadas sobre shows e lançamentos.
E pra encerrar, mais um vídeo deles, que eu achei bem divertido. Heart's Out:



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Trilha Sonora: The Sun Parade, lógico. Tô ouvindo muito, há dias e logo, logo vai ultrapassar as bandas e faixas mais ouvidas do meu perfil na Last.fm.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Por Onde Andei

Eu não andei em canto nenhum. Tô sempre por aqui admirando os trocentos rascunhos que tenho e fico evitando publicar porque posso causar algum mal estar, porque posso causar algum sentimento reverso ao objetivo de me aliviar a alma, porque posso me arrepender depois e acabar apagando como já fiz em outras ocasiões, porque posso... Enfim.
Estou sofrendo um bloqueio criativo, além disso. Nem as listas mirabolantes que eu costumava fazer, eu tô conseguindo organizar pra postar.
Estou também sofrendo um bloqueio intelectual e ando bastante insegura, achando que toda frase que escrevo contém um erro grosseiro de gramática (isso é um caso a ser estudado seriamente, porque desde que minha filha nasceu eu notei que eu realmente estou com problemas semelhantes a uma dislexia, trocando letras, errando para escrever coisas simples, etc.).
E, como se não fosse o suficiente, tenho sentido que a minha vida simplesmente pausou. Vejo as coisas mudando à minha volta, vejo minha filha crescer, vejo as pessoas evoluindo e fazendo coisas e vivendo histórias e se divertindo e conhecendo gente nova e eu estou sempre no mesmo lugar, na posição no sofá, lendo as mesmas coisas e tendo a sensação de que eu deveria estar fazendo mais, eu deveria estar produzindo mais, eu deveria estar existindo mais. Mas não posso. Não consigo. Não quero.
Dia desses sonhei que eu estava na faculdade, um curso novo, um lugar novo, com pessoas novas. Tava rolando uma festa de recepção, algo assim. E então eu conheci 5 pessoas tão legais que ali nos definimos como amigos pro curso todo. Um entrosamento espetacular, coisa de sonho mesmo. Até selfie em grupo a gente fez, antes de entrarmos todos numa banheira de hidromassagem para 6 pessoas, bebendo cerveja e dando risada. Foi a coisa mais divertida que fiz nos últimos tempos!
Daí, quando acordei, dei um sorriso e em seguida lembrei que, opa! Era sonho! Não tenho vida social nenhuma há muito tempo e, na real, acho que nem tenho mais afinidade com as pessoas que eu chamo de amigas há um bom tempo.
Não sei se a culpa é minha, por ter estacionado nesse ponto da vida e ter me tornado desinteressante para qualquer um ou se é delas, que seguiram em frente e me deixaram aqui, sem notícias e sem retorno dos emails que eu segui mandando por um bom tempo, contando como minha vida estava nos eixos e eu estava feliz. Porque em algum ponto, eu estava realmente feliz e tudo estava caminhando bem. Até que desandou. Até que eu emperrei. Até que foi todo mundo embora e eu fiquei aqui esperando algo mágico acontecer e eu, de repente, estar fazendo selfies e rindo com amigos numa banheira de hidromassagem pra seis pessoas.
Não acredito em mágicas, só pra deixar claro.
E esse monte de chororô foi para explicar a falta de posts.
Resumindo: não tenho nada pra falar além das peripécias da Alice, que são ótimas, mas não quero me tornar repetitiva e nem usar a vida dela como centro de um blog pessoal que, opa! é meu. Portanto: vida pessoal eu não tenho, post novo muito menos.
Pelo menos até que o bloqueio acabe ou eu mande tudo à merda e publique tudo o que eu tenho guardado e tenho receio de postar.



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Trilha Sonora: barulho de ventilador, vassoura esfregando o chão, conversa alheia lá fora, carro passando e a vida acontecendo por aí.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Diálogos Absurdos

ou Coisas Que Só Fazem Sentido Aqui Em Casa

"Ai!!! O Bisteca pegou a capivara da Alice!"
traduzindo: acode aqui, que o cachorro pegou a capivara de pelúcia da Alice.

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Trilha Sonora: TV, ventilador, família, skate na rua...

domingo, 23 de agosto de 2015

Soluções Práticas

Alice acabou de me perguntar como funciona um brinquedinho (uma mini beyblade, lembram disso?) de Kinder Ovo que ela achou na caixa de brinquedos. Só que ela me trouxe apenas uma pecinha de um total de três. Expliquei:

- Isso aí você precisa encaixar em outras duas peças e ele sai girando quando você solta. 
- Ah... 

Ela pegou, olhou e jogou longe a peça, com cara de muito esperta e disse:

- Pronto. Ele saiu girando.

Não posso nem contestar, né? Se é pra sair girando, ela fez o negócio girar e ponto final.
Queria eu pensar rápido como ela e resolver de forma tão prática probleminhas que sempre dependem de outras pecinhas que nunca tenho disponíveis.


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Trilha Sonora: Discovery Kids, Doki, coisas do tipo. Cadê meu fone de ouvido, gente?

domingo, 2 de agosto de 2015

Amém

É bom olhar para os lados e, pelo menos de vez em quando, agradecer pelas coisas que temos e agradecer ainda mais pelas coisas que não temos. Porque o que é certo e visível, a gente conhece e talvez até lamente, mas o que é incerto e a gente nunca vai conhecer, poderia ser algo muito mais lamentável e quem sabe se poderia suportar?
Então, agradeço, agradeço e agradeço por tudo o que tenho e pelo que não tenho e não sei o poderia ser.
Como diz Hand in My Pocket, da Alanis:

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Trilha Sonora: Deveria ser Alanis, mas é Garbage - Only Happy When It Rains porque tô ouvindo uma seleção aleatória que fiz no Rdio.

sábado, 1 de agosto de 2015

Como Eu Viveria Na Minha Cidade Fictícia Favorita

Seguindo um dos temas propostos pelo Rotaroots no mês de Julho, resolvi colocar a cabeça para trabalhar e imaginar como seria minha vida no meu lugar fictício favorito. E o meu lugar fictício favorito é Stars Hollow, do seriado Gilmore Girls, onde Lorelay Gilmore criou sozinha sua filha, Rory Gilmore.

Na abertura do seriado já dava para sentir o clima de eterno outono-inverno.
Stars Hollow é uma cidade bem pequena, com cara de interior, cheia de gente amiga e disposta a ajudar e cuidar da vida alheia (isso não é bem uma qualidade, mas ok). E tem esse coreto, coisa mais linda do mundo, no meio da praça principal (e única?) da cidade.

Cidade de interior que se preze, tem que ter um coreto na praça principal.

Pois bem, se eu vivesse lá, colocaria minha filha na escola de dança da Miss Patty e ela seria matriculada na escola local.

Além de ensinar dança, Miss Patty é uma das responsáveis por fazer circular todo tipo de assunto, fofoca e novidade na cidade.
Para ganhar a vida, eu abriria uma loja de discos (concorrendo com a loja local, Sophie's Music) e venderia todas as novidades do universo musical. Para me dar uma força na loja, empregaria a Lane, que ama música tanto quanto eu e contrataria o trovador da cidade para uns shows ocasionais. Aliás, o trovador é cantor de verdade e se chama Grant-Lee Phillips.

Uma coisa meio Rivers Cuomo com um toque de lá lalá lá lalá. 
Eu também faria questão de aprender a tricotar para poder participar da maratona de tricô, organizada pelo prefeito Taylor, com o objetivo de arrecadar fundos para ajudar alguma coisa que já não me lembro mais, mas que ele julga super importante, como todos os eventos que ele organiza e o Luke é contra. 
Festival dos bonecos de neve: outro evento super importante organizado pelo Taylor.
Aliás, o Luke. Ai, ai, o Luke! Só a lanchonete dele já seria um ótimo motivo para eu querer viver em Stars Hollow, por motivos de: Luke. Tudo o que ele fez pelas Gilmore durante as 7 temporadas já seria motivo para considerar esse bruto de camisa xadrez o homem mais fofo de todos os tempos em todos os seriados. Mas o que ele faz pela Rory no último episódio... Coisa mais linda do mundo ele costurando toda aquela lona, sozinho, sem dormir. Tô emocionada só de lembrar enquanto escrevo, juro!

Que homem, meu Deus! Que homem!
Voltando aos eventos da cidade, no festival de quadros vivos, eu adoraria participar encenando um quadro de Klimt (O Beijo, por exemplo,coisa linda aquele quadro!). O festival foi a coisa mais linda, cheio de quadros assim, encenados pelo pessoal da cidade.

Rory, como Antea (de Parmigianino) e Lorelai representando Dança em Bougival (Renoir).
Para mobiliar minha casa, eu compraria alguns móveis no antiquário da Sra. Kim, apesar do péssimo humor dela e do atendimento rude e nada hospitaleiro. Aliás, ela trata os clientes da mesma forma grosseira e dura que ela trata a filha, Lane.


Quando recebesse visitas demais para acomodar na minha casa, mandaria uma parte dos hóspedes para o Dragon Fly, o hotel da Lorelai e da Sookie.

E os hóspedes podem desfrutar de toda a antipatia e arrogância do Michel, o recepcionista francês de sotaque carregadíssimo.
Aliás, a Lorelai e a Sookie: eu queria ser amiga delas. Lorelai poderia me ensinar uns truques para ser uma mulher tão independente, incrível e próxima da filha adolescente.

Ser amiga da Emily, mãe da Lorelai, já seria uma tarefa mais complicada.

E a Sookie poderia me dar os ótimos conselhos dela ou os deliciosos pratos que ela cria e quer que todos provem e provem e provem enquanto ela SEMPRE acaba se acidentando na cozinha.

É assim que ela acaba se acidentando na cozinha.
E, por fim, para entrar mais ainda no ritmo calmo de vida no interior, mudaria meus hábitos alimentares e passaria a comprar coisas mais saudáveis no mercadinho do Taylor (além de ser o prefeito, Taylor Doose é também o dono do mercadinho e de alguns outros estabelecimentos comerciais da cidade) e legumes e verduras fresquinhas do Jackson, marido da Sookie.

Um casal quase tão bom quanto a Lorelai e o Luke.
Eu poderia fazer um parágrafo para cada evento memorável de Stars Hollow, poderia deixar esse post muito maior e cheio de gifs e imagens dos personagens e diálogos maravilhosos do seriado, mas né? Já demorei 1 mês exatamente pra terminar esse post, que deveria ter saído nos primeiros dias de julho, dentro do cronograma do Rotaroots, mas tempo é uma coisa que me falta cada vez mais e, bem, hoje já é dia 1º de agosto. Portanto o post fica por aqui, não vai entrar na lista de divulgação do mês de Julho do grupo e neste momento nada me define melhor do que essa frase da Sookie:

Sookie me representa.
Sobre as imagens e gifs, cacei de trocentos sites e posts sobre a série. Alguns eu encontrei pelo We Heart It e outros pelo Pinterest. 

Um ponto em comum com a Lorelai: eu também falo muito "Jesus, Maria, José e o camelo!".

***
Trilha Sonora: Como todo post que demora dias para ficar pronto, esse também teve muita trilha sonora. O que está tocando agorinha, enquanto termino e publico, não é música. Estou ""vendo"" Daniel Tigre com a Alice. Como sempre, no esquema meia tela pra mim e meia tela pra você.