terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Recomendo #2

Esse post atrasou como sempre, porque não tenho comprometimento nenhum com esse blog e eu nem deveria ter, estou aqui só pelo passatempo. mas saiu!
Os links do que andei vendo, lendo, ouvindo e fazendo nos últimos dias:

Pra ouvir
- Radio Garden - Nesse link você consegue ouvir rádios diversas, pelo mundo todo. Quando você abrir, ele vai te levar para as rádios da sua cidade ou proximidades. Daí você vai clicando nas bolinhas verdes, girando o globo terrestre e ouvindo coisas do mundo todo. É bem legal pra quem gosta de música e quer gastar um tempinho à toa. Agora, por exemplo, acabei de descobrir que tem um lugar no PR chamado Borrazópolis.

Pra fazer
- Bullet Journal - Quem acompanha os pins mais recentes do Pinterest já deve ter visto imagens de journaling bullet journal, bujo e semelhantes. Comecei a fazer em outubro e é uma agenda misturada com uma terapia misturada com um planner misturado com scrapbok misturado com uma diário misturado com listas... Mas pode ser apenas uma agenda. É uma delícia de fazer e me ajuda muito na organização da minha rotina.

Pra ler
- Gravidez não é doença, mas é debilitante - Esse post aqui da Isa Kanupp, do Para Beatriz é ótimo para as grávidas e as pessoas que convivem com grávidas. Só quem passou por uma gestação sabe o tanto de julgamento e palpite que a gente enfrenta. Chega a nos atordoar a ponto de questionarmos se estamos no caminho certo, se somos normais, se vamos conseguir cuidar do bebê... É foda. 

Pra instalar
- Rando - Um app de troca anônima de fotos com pessoas do mundo todo. Você tira uma foto de qualquer coisa e manda. Alguém recebe em alguma parte do mundo e imediatamente uma foto que essa pessoa tirou chega pra você também. Não tem como saber quem recebeu porque só dá pra ver a localização da pessoa num mapa. Esse app funcionava há uns anos e parou de repente. Fiquei bem decepcionada. Um dia eu fui fuçar e descobri que tinha voltado a funcionar. É bem legal pra brincar quando você está à toa na vida, vendo a banda passar.

- Jogo do Futurama - É estilo um Candy Crush, mas com o tema do Futurama. Achei gostosinho de jogar. Tem umas piadas entre uma fase e outra, tudo bem divertido se você gostar do desenho.

- Neko Atsume - Um jogo que nem é bem um jogo. A sua tarefa é colocar comida e brinquedo para os gatos que eventualmente visitarão seu quintal e, em agradecimento, te deixarão presentes e dinheiros (tem o dinheiro dourado e o dinheiro prata). O dinheiro você usa para comprar mais comida e mais brinquedos e decorações para o quintal. De vez em quando vem algum gato raro visitar e, para todos os eles, há um álbum de fotos que você deve preencher fotografando os peludos quando abre o app e eles estão lá de bobeira no seu quintal. É bem simples e bobinho, mas estamos viciadas nele há tempos, Alice e eu. Até já tirei e fiquei um tempo sem usar, mas acabei instalando de novo.

Pra ver
Essa foto que tirei da janela da minha casa um dia desses. Gosto de morar aqui? Não. Gostaria de morar em outra cidade? Sim. Agradeço a Deus pela vista maravilhosa? Sempre.



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Trilha Sonora: Abertura do desenho Caillou, culpa da Alice.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Recomendo #1

Faz tempo que quero começar uma série de posts aqui, recomendando coisas diversas por 2 motivos:
- Uso internet o dia todo e vejo muita coisa legal.
- As pessoas sempre perguntam surpresas onde eu encontro todos os links interessantes/divertidos/diferentes que compartilho e mostro a elas.
Então, isso seria um bom jeito de atualizar mais esse bolologue e ainda espalhar bons links por aí, nessa internet de meu Deus (porque obviamente meu blog tem milhões de acessos e leitores fiéis, né?). De quebra ainda resolveria uma meta antiga minha de pegar mais firme com isso aqui, que eu gosto, mas ando meio desanimada.
Acho que eu até já rascunhei um post desse tipo de recomendações. Talvez até tenha postado, mas não lembro mesmo e não vou procurar por motivos de tempo é dinheiro (não tenho nem tempo e nem dinheiro).
Vai funcionar assim: vários temas e o que achei de mais legal dentro desses temas nas últimas semanas, meses, anos (tem coisa que descubro e esqueço de recomendar, ué). Isso até eu me encher ou descobrir um jeito melhor de fazer essa série.

Pra Ouvir

  • First Aid Kit - Ouvi numa playlist que a Raquel, do Draminha, compartilhou num post dia desses e eu achei ótimo.
  • A trilha do revival de Gilmore Girls - A mesma vibe lalala das 7 temporadas originais, as mesmas vozes suaves meio roucas e uma ou outra voz mais famosa. Reflecting Light, por exemplo, que música maravilhosa. ♥
  • Liniker - Ouvi por recomendação de um vídeo da Jout Jout. Já tinha ouvido falar e lido algo a respeito, mas ainda não tinha parado pra ouvir a música. Que voz! Que ritmo bom! Que letra gostosa!

Pra Ler

  • Ando meio sem tempo e concentração pra sentar e ler um livro, mas estou tentando começar A Insustentável Leveza do Ser. Já parei e comecei outro. Estou tentando Uma Curva no Tempo e acho que por ser uma leitura mais fácil, me prendeu mais. Faz uns 3 dias que tô andando com o livro pela casa e lendo de verdade.
  • Apesar de andar com bastante preguiça de notícias (só roubalheira, pilantragem, tragédia, Deus me dibre!), tenho lido meio por cima a newsletter do Brio com resumo diário das principais notícias dos principais portais e jornais. Pra quem gosta de abrir a Uol pra dar aquela atualizada ou ligar no JN pra saber o que aconteceu no dia, essa newsletter é bem legal, dá pra usar de introdução antes de se aprofundar em determinados fatos.
  • Draminha tem sido o único blog que leio com fidelidade, a cada novo post. Mas, apesar de adorar, admito que só consigo ler porque assinei pra receber por email as atualizações e como fico com o email aberto o dia todo, o post chega e eu já vejo. Se não fizer assim, acabo esquecendo de visitar e ler. E é uma pena, porque tenho perdido esse hábito de visitar e comentar blogs que gosto.

Pra Assistir

  • One Day at a Time merece tanto ser assistida que já fiz até um post recomendando.
  • Orphan Black já está caminhando para a 5ª temporada e, confesso, muitas vezes eu fico boiando nos conceitos e explicações científicas, mas a ideia da série é ótima, o roteiro tem ficado cada vez melhor e mais tenso. Eu sento pra ver um episódio e quando percebo já foram 2...3. Quando quero ver, tenho que estar sem sono nenhum pra prestar atenção na trama e com tempo para ficar até tarde vendo, sem preocupação de acordar cedo no dia seguinte.
  • Barbie Life in The Dreamhouse. É sério. Eu vejo com a Alice desde que ela era pequenininha, porque ela começou a assistir e fui ver junto, mas quem acabou viciada fui eu. É muito engraçado! Se você teve Barbies na infância e conhece um pouco a história dela e os nomes dos bonecos clássicos, vai pescar várias piadinhas que crianças não entendem de cara se um adulto não explicar. Por exemplo: antigamente a irmãzinha da Barbie se chamava Kelly. De uma hora pra outra o nome mudou pra Chelsia. E tem a Raquelle, que é a "vilã" e insiste em chamar a Chelsia de Kelly, o que deixa a garotinha louca da vida. Fora as referências às mil profissões da Barbie e o mistério da idade dela, eternamente jovem. Tem na Netflix também, mas só a 1ª temporada.

Pra Jogar

  • The Simpsons - Tapped Out é um jogo de clicar e coletar dinheiro/cumprir tarefas pra subir de nível. Tem todos os personagens dos Simpsons, incluindo uns que eu nem nunca vi. Tem os prédios, o roteiro ácido, referência aos episódios... Pra quem gosta do desenho, é um jogo bem legal. O único problema é o tamanho dele. Semanas atrás precisei tirar ele do meu celular porque não tava dando mais pra excluir coisas e evitar instalar outras para poder manter ele. Estou em abstinência. Mas se você tem um celular ou tablet com memória sobrando, vale a pena.
  • Fantastic Dizzy é um jogo antiiiiiigo (de uma série de outros jogos com o mesmo personagem, Dizzy), que eu jogava num vídeo game que tive nos anos 90. É um dos melhores jogos que já conheci. E estou recomendando ele, apesar de antigo, porque descobri recentemente que ele está disponível on line, sem precisar baixar nada, completinho. É uma aventura meio quebra cabeça, viciante. E não é fácil.
  • Where's Waldo? - é o Onde Está Wally? conhecido dos anos 90 que achei disponível no site do personagem. É bem gostoso pra passar o tempo. Você tem que ir localizando naquelas ilustrações mega detalhadas todos os itens que ele pede, entre personagens e objetos. São 4 mapas diferentes e igualmente difíceis.

Pra Aquecer o Coração


  • Razões Para Acreditar sempre me faz sorrir ou chorar de emoção quando leio alguma notícia de lá. Bom para recuperar as esperanças na humanidade, lembrar que podemos ser melhores com o mundo e que nossos problemas podem parecer bem pequenos perto de problemas alheios.
  • Abrindo Sorrisos é um projeto lindo que conheci em um grupo materno no fb. Desde que soube da construção da brinquedoteca no Jardim Ângela, em SP, venho tentando ajudar com doações e divulgação entre meus amigos. Atualmente está rolando uma rifa de R$ 5,00 o número para ajudar com umas coisas que ainda faltam por lá. Quem puder ajudar, doe, compre números da rifa, separe brinquedos... Quem não puder ajudar, divulgue. É muito importante e vai ajudar muita gente.
  • RatherNice é uma extensão que coloquei no Chrome e, cada vez que abro uma nova aba, ele me fala uma frase bonitinha. Agora, por exemplo, ele disse isso:




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Trilha Sonora: Sam Phillips - I Don't know How to Say Goodbaye to You foi a última que ouvi aqui. Mas como o post demorou uns dias pra sair, teve mais coisa. Me lembra muito Cyndi Lauper.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

One Day at a Time - Netflix

Agora em janeiro, entre uma angústia e outra, me permiti começar um seriado novo assim que acabei de ver a última temporada disponível de Orphan Black  ("me permiti" porque, veja bem, minha vida é feita de escolhas: ou eu vejo séries ou eu durmo cedo. Ou eu cuido da minha filha ou eu durmo no meio do dia, caso tenha optado por ver séries até de manhã).
Nem rodei muito o catálogo da Netflix, vi em destaque nas recomendações pra mim a série One Day at a Time. Li a sinopse, vi o trailer e me interessei.



Comecei a ver e amei!
A série é uma refilmagem de uma outra série de mesmo nome, dos ano 70. Não cheguei a ver a antiga, mas vendo os temas abordados nessa da Netflix, imagino que tenham dado uma modernizada nos temas abordados e no roteiro de forma geral.
É uma sitcom que mostra a rotina de uma mulher, Penelope, filha de uma família cubana, que cuida dos filhos com a ajuda da mãe, Lydia. Os filhos, Elena e Alex, adolescentes criados nos EUA encontram-se sempre no meio das tradições cubanas que a avó não quer que eles percam e faz de tudo para que seja valorizada, enquanto a mãe, separada, busca o sustento da família trabalhando como enfermeira após sair do exército, onde serviu no Afeganistão. A filha, Elena (só eu achei que ela é uma versão mini da atriz Anne Hathaway?), está prestes a completar 15 anos e, como manda a tradição, a mãe e a avó querem que ela tenha sua quinces, a festa de debutante tradicional, mas a garota se recusa por tratar-se de uma tradição com raízes machistas e ela, feminista, não aceita participar de uma coisa assim.
A primeira (e por enquanto única) temporada da série gira basicamente em torno disso, com a família entrando no assunto já no primeiro episódio e voltando a ele nos episódios seguintes, que trazem outros temas como: feminismo (muito), padrões de beleza impostos pela sociedade, estereótipos latinos nos EUA, o drama dos imigrantes ilegais deportados e refugiados, homofobia, diferença salarial entre homens e mulheres, as dificuldades de uma mãe solo, alcoolismo, militares que são esquecidos depois de servir o país, tradições latinas (cubanas especificamente) e o preconceito dentro do contexto americano, com uma pitada de crítica ao governo cubano de Fidel Castro.


Em meio a tudo isso, tem a presença de personagens como o dono do prédio onde eles moram e amigo da família, Schneider, que cumpre as vezes de senhorio, amigo, "pai", motorista e até marido de mentirinha (sem spoiler, mas tem um episódio que ele tenta se fingir de marido e... não funciona). Tem também o Dr. Leslie, chefe da Penelope, que vive em crise com a própria família e meio que se enfia na família dos Alvarez para não se sentir tão sozinho.
Como são episódios curtos, fica meio difícil detalhar mais sem soltar uns spoilers, mas garanto que tudo isso que falei surge em maior ou menor quantidade nos 13 episódios de 30 minutos da série.
Eu vi tudo em poucos dias, até porque os episódios são rápidos e dá pra emendar uns 3 seguidos, pelo menos. E enquanto eu assistia, eu ri demais, eu chorei, eu refleti e terminei o último episódio desejando uma segunda temporada.
É uma série leve e tão gostosa de ver, que já é título recomendadíssimo entre as minhas séries preferidas.


***
Trilha Sonora: tagarelices de família, sons aleatórios e tal.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Tamo aí! Eu acho.

Começo de ano é aquela coisa linda, aquele misto de esperança em dias melhores com confiança nas pessoas e umas boas doses de auto-estima elevada. É gostoso de ver.
Aí chega o primeiro dia útil e você volta a trabalhar, percebe que os problemas de 2016 não se resolveram magicamente na virada da meia noite do dia 31 de dezembro pro dia 1º de janeiro e quem era escroto continua escroto, quem mentia continua mentindo e os serviços até então feitos nas coxas por outra pessoa continuarão sem solução, embora precisem de solução e, olha que delícia, a urgência por essas soluções encontra-se to-di-nha sentada e rebolando no seu colo, buscando se acomodar da melhor forma possível porque, aceite! Agora é tudo problema seu. No caso meu. É isso aí pessoal. Fevereiro recém começou e eu já estou tendo indícios de estresse no trabalho e, quando eu começo a me estressar eu tenho duas reações: no trabalho eu travo e passo a enrolar o máximo que posso para não ter que admitir que não vou conseguir e em casa eu começo a ficar irritada com pouca coisa. Pra quem tem uma família grande e uma filha pequena, isso é um barril de pólvora e eu sou o fósforo prestes a ser riscado. Ontem briguei com a criança (ela mereceu, não estava agindo com muito respeito), mas passei dos limites e levei a um grau um pouco mais alto uma bronca que poderia ter sido apenas uma bronca de rotina. Nos entendemos antes de dormir, porque sempre acabamos fazendo as pazes antes de dormir. Fizemos um acordo de amigas e agora vamos nos ajudar quando a outra estiver passando dos limites. No fim das contas, apesar das dificuldades e de todo o desgaste que rola na maternidade, eu e a Alice somos uma boa dupla. Nossa parceria funciona muito bem e eu não imagino meus dias sem ela. Ainda bem.
Mas teve também um monte de coisas que eu pretendia fazer ontem e não fiz. Teve uma série de verdades inconvenientes que eu acabei falando sem necessidade naquele momento (não retiro o que disse, mas admito que não precisava ter dito) e teve uma Camila indo dormir tarde, mas antes da hora planejada, já que eu planejava umas horas acordada vendo um filme, relaxando, lendo... Mas simplesmente apaguei logo depois que finalmente consegui fazer a criança dormir.
Aquele momento que você percebe que está, novamente, perdendo o controle de coisas que deveria (ou gostaria de) controlar.
Como sou muito boa de conselhos que não sigo, ontem falei pra Alice que o dia não tinha sido muito divertido, mas que hoje ela poderia tentar de novo ter um dia legal. E é verdade, mas só vale pra ela, porque eu tenho certeza que acabei de entrar naquele túnel super estreito e longo da auto-sabotagem que me leva a lugares indesejados. Preciso ir até o fim do túnel agora e depois que puder sair, eu preciso voltar consertando as coisas todas que acabei quebrando no caminho.
É isso aí, essa sou eu. Essa é minha vida. Tá ruim, vai ficar pior, mas depois melhora.

***
Trilha Sonora: Tava curtindo o silêncio até ouvir o som da criança se espreguiçando aqui. O dia começa agora.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Amor Preferencial

Acostumado a andar sozinho desde que ficou viúvo, vinte e tantos anos atrás, Seu Oswaldo não esperava nunca mais encontrar outra companheira para a vida toda. Ou para o que ainda lhe restava da vida.
Mas ao embarcar no ônibus de costume, a caminho do centro da cidade, para onde ia com frequência resolver as coisas da aposentadoria, jogar dominó com os amigos do clube da terceira idade ou comprar um remédio para uma doença qualquer que ele gostava de achar que tinha para se ocupar com alguma preocupação que ele já não precisava ter naquela fase da vida sempre saudável (os médicos diziam, ele duvidava), Seu Oswaldo avistou, no banco preferencial, a senhorinha mais linda que ele já havia visto nos últimos anos, desde a partida de Dona Esmeralda. Foi amor à primeira vista, apesar da vista já um pouco fraca pela avançada idade. Limpou bem os óculos, tornou a colocar as lentes no rosto e, estufando o peito, pediu licença e sentou-se ao lado dela.
Puxou uma conversa como quem não quer nada, mas sentia-se um adolescente por dentro, frio na barriga e tudo. Ela sorria. Ela sorria com os olhos quando falava! E ele sorria de volta.
A viagem de 40 minutos parece ter passado em 5, tanta coisa ele queria saber, queria conversar...
Deveria descer no próximo ponto, mas decidiu aproveitar que não pagava mais passagem e fez-se de bobo, perdeu o ponto de propósito, torcendo para que ela não desembarcasse no próximo, antes que ele pudesse pelo menos saber o seu nome, como encontrá-la de novo.
Foram até o ponto final de ônibus e o motorista, acostumado a ver sempre Seu Oswaldo naquela linha, mas nunca até aquele destino, interrompeu os dois:
- Ô, vovô! Esqueceu de descer hoje ou veio passear pra essas bandas?
Seu Oswaldo, entre constrangido e humilhado, disse que precisava resolver qualquer coisa ali por perto, não tinha errado o ponto, não e aproveitou a oportunidade para perguntar se a sua nova amiga morava por ali.
A senhorinha respondeu que havia ido visitar uma amiga.
Alceu, o motorista muito esperto e acostumado a ver romances começando em seu ônibus, tratou de adiantar o lado dos dois:
- Então, até amanhã Seu Oswaldo. Amanhã é dia do Sr. ir jogar dominó no clube da terceira idade, né? Já decorei sua agenda. Lá pelas 14:30 eu passo no ponto perto da sua casa. E a senhora, dona Laura, sai tão pouco de casa ultimamente. Ainda mora ali perto da catedral? Já conhece o clube da terceira idade aqui da cidade? Conta pra ela, vovô. Convida ela pra ir lá. Até amanhã, então!

Seu Oswaldo e Dona Laura seguiram em rumos opostos naquela tarde. Mas no dia seguinte, às 14:00, ela já estava dentro do ônibus, aguardando no banco preferencial, ansiosa pelo momento que veria novamente o adorável Seu Oswaldo, por quem ela havia perdido a consulta médica marcada há meses, mas que poderia ser remarcada depois. Ela sentia que teria ainda todo o tempo do mundo para isso. Urgente agora era rever o seu Seu Oswaldo.


***
A ideia e o título desse continho estavam na minha cabeça há muitos anos, sem que eu tivesse sentado para desenvolver direito a história. Até que lembrei dessa notícia aqui e aproveitei o momento de ócio e silêncio raros para resolver esse assunto.

Fonte: Razões Para Acreditar ( ♥ amo esse site ♥ )


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Trilha Sonora: Estava ouvindo essa playlist delicinha aqui, feita pela Raquel do Draminha.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Como Uma Música Salva Uma Pessoa

Em março desse ano, acho, eu fiquei doente. Não foi gripe ou catapora (aliás, nunca tive catapora) e nem precisei fazer cirurgia. Fiquei doente da cabeça mesmo. Ou da alma, como dizem.
Os 3 médicos que me atenderam naquela semana disseram, um sem saber do diagnóstico do outro, que eu estava passando por uma crise nervosa. Até que, numa noite qualquer, eu surtei. Eu travei. Eu fui para o hospital numa ambulância e passei uma semana descansando em casa, sem trabalhar e evitando me estressar. Foi bem sério, mas não é sobre o colapso em si e as causas dele que eu quero falar.
Quero falar que, naquele momento, apesar de um restinho de racionalidade me fazer sentir medo de acordar minha filha e ela me ver daquele jeito; o que me manteve lúcida mesmo foi uma música. Não foi o amor pela minha filha, não foi o desejo de vê-la crescer, não foi a vontade de viver (e tudo isso existe e existia mesmo naquele momento). Foi uma música.
Enquanto eu estava semi consciente, no chão, sem conseguir me mexer, sem conseguir falar, sem conseguir enxergar absolutamente nada, alguma coisa me dizia que, se eu fosse capaz de continuar repetindo mentalmente os versos de Need You By My Side, do The Sun Parade, eu conseguiria me manter sã. Foi como se eu estivesse me equilibrando em uma linha muito fina entre a loucura e a sanidade. E essa linha era essa música. Eu repeti mentalmente muitas e muitas vezes os versos "I fell it collapsing inside me My life while I struggle inside Could you please be my constant? Cause I have fifty thoughts at a time" e de alguma forma que nunca saberei explicar, sei que eles mantiveram parte do meu cérebro funcionando como deveria funcionar.



Poderia ter sido qualquer música de uma lista enorme de músicas que eu gosto e ouço a vida toda, há muitos anos ou há algum tempo... mas foi essa. Postei aqui quando conheci e me apaixonei por essa banda e citei essa música, inclusive. Continuo ouvindo muito, mas naqueles dias, não sei o motivo de ter "escolhido" ela pra me salvar do que eu nem sei. Mas foi ela.
Desde então, tenho prestado atenção aos sinais de qualquer cansaço aparentemente fora do normal, mas quando sinto que estou prestes a surtar de novo, eu ouço essa música, eu canto, eu me lembro dela e eu me mantenho em pé, seguindo meu caminho.
Nunca pensei que uma música se tornaria tão importante pra mim, mesmo sempre tendo sido apaixonada por música, mas essa, naquela ocasião, tenho certeza que me salvou de um destino muito diferente do que eu quero pra mim.

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Trilha Sonora: Comecei com Need You By My Side e passei por várias outras enquanto escrevia, mas tive que ouvir de novo quando abri o vídeo pra pegar o link. 

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Tom,
Ainda não nos conhecemos e, nesse momento que escrevo, você conhece poucas coisas além do som da voz da sua mamãe e os barulhos do corpo dela, que, até então, eram tudo o que você conhecia como o mundo.
Há dias eu queria te escrever uma carta, que deveria ter ido junto com o presente que comprei pra você. Cheguei até a rascunhar alguma coisa em um papel lindo, mas por mil razões, acabei adiando. Os adultos sempre fazem isso, Tom: adiamos coisas que são importantes, mas não urgentes naquele momento. De vez em quando isso nos faz perder o fio da meada e boas ideias acabam escapando. Mas, outras vezes, pode acontecer diferente e, nessa de "depois eu faço", a ideia vai ganhando mais forma e sai do papel no momento certo. E ainda bem que me atrapalhei um pouco e acabei não escrevendo dias atrás, porque acordei hoje e no caminho para o trabalho, pensei em você e na sua mãe. Fiquei imaginando se ainda faltava muito tempo para você sair do quentinho e gostoso que era sua antiga casa e se a sua mãe estaria bem. Pelas minhas contas, mais ou menos naquele momento vocês deviam estar se conhecendo ainda e pouco depois, quando eu soube da sua chegada, a inspiração veio toda de uma vez para escrever.
Você não imagina ainda, mas é um garoto muito amado e querido por pessoas que moram em todo canto do mundo e, assim como eu, foram se enfiando na sua vida mesmo antes de você chegar, sem te pedir permissão para participar desse grande evento que começa hoje, com o seu nascimento. Parece falta de educação chegar sem ser convidado, mas é só amizade. As amizades começam assim mesmo. Um conquista o outro e, sem aviso ou permissão, as pessoas se enfiam nas vidas umas das outras e vão ficando, ficando... Mas deixa isso pra depois, que você tem uma vida muito longa pela frente e terá tempo e chances infinitas de aprender o que é amizade e como se faz um amigo, que é coisa muito importante, mas não é urgente agora.
Urgente agora é aprender a respirar, aprender a sugar da sua mãe todo o amor e a proteção em forma de alimento líquido que ela vai te dar por alguns meses e, confiem em mim (você e a mamãe): serão os momentos mais mágicos e intensos desse seu comecinho de vida. Sua mãe vai descobrir coisas incríveis, coisas lindas, coisas assustadoras e coisas divertidas por um bom tempo. Mas tenha paciência com ela, Tom, porque ela está tão recém nascida quanto você nessa coisa de ser mãe e ter nos braços uma coisinha tão pequena de tamanho e tão grande de importância que é um bebê, um filho. E nos primeiros meses ela deve ficar meio chorona ou assustada. Cuide bem dela, da mesma forma que ela vai cuidar bem de você. 
Quando você tiver idade para perguntar e entender o mundo, não se esqueça de perguntar a ela como é a Terra do Nunca. Foi lá que conheci sua mãe, alguns anos atrás. É um lugar divertidíssimo e cheio de coisas loucas. Pergunte também da Terra do Gelo e de tantos outros lugares que ela já conheceu. Sua mãe deve ter muita coisa pra te contar e te mostrar. Fique grudadinho nela o máximo que puder e saboreie cada palavra das histórias e músicas que ela deve ter pra você.
Por muitas razões que você vai aprender a reconhecer ainda, você é um menino de muita sorte. Mas a sua maior sorte foi ter nascido dessa mulher linda e corajosa que é sua mãe. Tenho certeza que você terá uma vida incrível com os cuidados dela e ela terá uma vida cheia de alegrias e orgulho cuidando de você.
Seja bem vindo ao mundo, Tom! Não é grande coisa, eu admito, mas a sua chegada acaba de fazê-lo um lugar melhor para muita gente. 
Espero poder te ver em breve, garoto.
Um cheirinho e um afago (não pode dar beijinho e nem apertar bebês tão pequenos como você),


***

Trilha Sonora: Escrevi enquanto trabalhava, então não tem trilha sonora. Mas eu estava ouvindo Amazing - Aerosmith pouco antes de saber da chegada do Tom.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Um dia minha mãe enlouqueceu.
Não. Não foi assim, um dia. Hoje eu sei que tudo foi acontecendo aos poucos, até que ela…
Começou quando eu era pequena demais para perceber qualquer coisa. Achava divertido minha mãe estar sempre em casa, disponível para brincar comigo e ficar na cama até tarde quando eu não tinha escola. Depois, conforme fui crescendo, passei a achar constrangedor receber amigos em casa e minha mãe estar sempre de camisola e despenteada pela casa. Eu evitava receber amigos em casa. Atendia todos no portão e de lá a gente seguia pra qualquer canto que não fosse a minha casa.
Minha mãe parou de pentear os cabelos e foi adquirindo aos poucos um ar de selvagem, como se estivesse sempre fugindo de alguma coisa que não lhe dava tempo de parar e pentear os cabelos. Quando ela estava medicada, ela prendia os cabelos no alto da cabeça, num rabo de cavalo desajeitado e volumoso que, nas primeiras vezes eu achei graça por ficar parecida com uma couve flor ou um brócolis. Depois aquilo perdeu a graça e ela só se parecia com uma louca mesmo.
De vez em quando ela chorava enquanto prendia o cabelo e, conforme o tempo passou, percebi que era um choro de dor. Amarrar aquele emaranhado de fios era tão dolorido quanto apertar dentro da cabeça dela aquele emaranhado de pensamentos, de lembranças e passado. Ela só tinha passado. Não tinha mais futuro nenhum há muito tempo e, conforme eu desenhava o meu futuro longe dela, aceitando que ela acabaria mesmo cada vez mais louca, sob os cuidados dos meus avós ou de alguma clínica, eu sentia a gente se afastando cada vez mais.
Quando fiz 19 anos, saí da casa dos meus avós. Passei a visitar a cada 15 ou 20 dias e mandava o dinheiro que podia para ajudar com os médicos e remédios que já não ajudavam em nada aquela cabeça tão doente e despenteada.
Eu sentia dó. Eu sentia raiva. Eu queria entender o que aconteceu.
Hoje, 5 anos depois que ela se foi, acordei e senti vontade de não pentear os cabelos. Semana passada descobri que estou esperando um bebê e antes de comprar o primeiro sapatinho, decidi cortar meus cabelos tão curtos que eu nunca mais precise pentear.
Acho que foi assim que começou com ela, mas talvez eu tenha encontrado um jeito de nunca precisar prender os cabelos e não sentir a dor que ela sentia.
Em vez de oferecer um pente, devia ter oferecido a tesoura.


***
Conto publicado há alguns dias no Medium. Tive a ideia do primeiro parágrafo e depois, quando sentei pra escrever, o resto foi saindo naturalmente. Não sei ainda se gostei ou não, mas publiquei pra não deixar guardado como tantas coisas que ando escrevendo e não publicando.

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Trilha Sonora: Heart's Out - The Sun Parade. Continuo viciada, apaixonada, encantada e ouvindo muito essa banda. <3

quinta-feira, 10 de março de 2016

Ouvindo Toda Hora: The Sun Parade

Não sei quando foi a última vez que uma banda surgiu na minha vida de forma totalmente aleatória, sem indicação de ninguém ou sem que eu tivesse ouvido uma música como trilha de qualquer coisa.
Até que, há algumas semanas, recebi no meu email uma newsletter de algum site de música que já não me lembro mais qual era e, entre várias recomendações, havia uma que me chamou a atenção: The Sun Parade. Fui procurar no Spotify e desde então estou ouvindo, ouvindo, ouvindo, ouvindo e amando.


O som me lembrou um pouco The Kooks (Naive, especificamente), mas não é exatamente parecido. É que tenho uma coisa de ouvir certas bandas e lembrar de outras que não se parecem de verdade, mas meu cérebro acha que sim.
Dentro da minha rotina é o tipo de música que gosto de ouvir enquanto leio e escrevo. Me ajuda a relaxar e focar no que estou fazendo, servindo de música de fundo, sabe? Aí eu paro um pouquinho, canto um verso ou outro, distraio uns segundos e volto a me focar.
Das que ouvi (acho que todas) estou mais apaixonada por todas por duas três quatro: Need You By My Side, Taste, Heart's Out e Waiting for Life to Drastically Change. Mas tem I'm Still Here, que é uma delícia de ouvir e vai pra minha trilha de músicas para ouvir e cantar no banho. E se eu for ficar listando todas que gostei, vou ter que listar tudo, porque eu realmente gostei de tudo. Nenhuma delas teve aquela coisa de "ai, chatinha! próxima!" e isso acontece muito até com bandas que adoro há tempos.
Fui ver os clipes no Youtube e estou igualmente apaixonada! Bem feitos, divertidos, com um clima meio "chama o pessoal pra fazer figuração, vai ser divertido" e aquela coisa moderninha, cheia de filtros e edições legais. O clipe de Need You By My Side (status: amando cada verso dessa música), por exemplo, parece que foi filmado dentro de um sonho, umas cenas esquisitas, meio nada a ver... exatamente como quando a gente sonha e vai contando os pedaços para alguém e explicando que não faz mesmo sentido nenhum aquilo tudo. Olha só:


Sobre a banda, ela é composta pelo vocalista e guitarrista Chris Marlon Jennings (achei gatinho), pelo Jeff Lewis que também faz vocal e guitarras, Jared Gardner no baixo e Karl Helander na bateria. Eles são de Northampton, Massachusetts (EUA).


Na página deles no fb tem bastante foto (inclusive essas do post, peguei de lá e do site oficial deles) e informações atualizadas sobre shows e lançamentos.
E pra encerrar, mais um vídeo deles, que eu achei bem divertido. Heart's Out:



***
Trilha Sonora: The Sun Parade, lógico. Tô ouvindo muito, há dias e logo, logo vai ultrapassar as bandas e faixas mais ouvidas do meu perfil na Last.fm.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Por Onde Andei

Eu não andei em canto nenhum. Tô sempre por aqui admirando os trocentos rascunhos que tenho e fico evitando publicar porque posso causar algum mal estar, porque posso causar algum sentimento reverso ao objetivo de me aliviar a alma, porque posso me arrepender depois e acabar apagando como já fiz em outras ocasiões, porque posso... Enfim.
Estou sofrendo um bloqueio criativo, além disso. Nem as listas mirabolantes que eu costumava fazer, eu tô conseguindo organizar pra postar.
Estou também sofrendo um bloqueio intelectual e ando bastante insegura, achando que toda frase que escrevo contém um erro grosseiro de gramática (isso é um caso a ser estudado seriamente, porque desde que minha filha nasceu eu notei que eu realmente estou com problemas semelhantes a uma dislexia, trocando letras, errando para escrever coisas simples, etc.).
E, como se não fosse o suficiente, tenho sentido que a minha vida simplesmente pausou. Vejo as coisas mudando à minha volta, vejo minha filha crescer, vejo as pessoas evoluindo e fazendo coisas e vivendo histórias e se divertindo e conhecendo gente nova e eu estou sempre no mesmo lugar, na posição no sofá, lendo as mesmas coisas e tendo a sensação de que eu deveria estar fazendo mais, eu deveria estar produzindo mais, eu deveria estar existindo mais. Mas não posso. Não consigo. Não quero.
Dia desses sonhei que eu estava na faculdade, um curso novo, um lugar novo, com pessoas novas. Tava rolando uma festa de recepção, algo assim. E então eu conheci 5 pessoas tão legais que ali nos definimos como amigos pro curso todo. Um entrosamento espetacular, coisa de sonho mesmo. Até selfie em grupo a gente fez, antes de entrarmos todos numa banheira de hidromassagem para 6 pessoas, bebendo cerveja e dando risada. Foi a coisa mais divertida que fiz nos últimos tempos!
Daí, quando acordei, dei um sorriso e em seguida lembrei que, opa! Era sonho! Não tenho vida social nenhuma há muito tempo e, na real, acho que nem tenho mais afinidade com as pessoas que eu chamo de amigas há um bom tempo.
Não sei se a culpa é minha, por ter estacionado nesse ponto da vida e ter me tornado desinteressante para qualquer um ou se é delas, que seguiram em frente e me deixaram aqui, sem notícias e sem retorno dos emails que eu segui mandando por um bom tempo, contando como minha vida estava nos eixos e eu estava feliz. Porque em algum ponto, eu estava realmente feliz e tudo estava caminhando bem. Até que desandou. Até que eu emperrei. Até que foi todo mundo embora e eu fiquei aqui esperando algo mágico acontecer e eu, de repente, estar fazendo selfies e rindo com amigos numa banheira de hidromassagem pra seis pessoas.
Não acredito em mágicas, só pra deixar claro.
E esse monte de chororô foi para explicar a falta de posts.
Resumindo: não tenho nada pra falar além das peripécias da Alice, que são ótimas, mas não quero me tornar repetitiva e nem usar a vida dela como centro de um blog pessoal que, opa! é meu. Portanto: vida pessoal eu não tenho, post novo muito menos.
Pelo menos até que o bloqueio acabe ou eu mande tudo à merda e publique tudo o que eu tenho guardado e tenho receio de postar.



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Trilha Sonora: barulho de ventilador, vassoura esfregando o chão, conversa alheia lá fora, carro passando e a vida acontecendo por aí.