domingo, 30 de dezembro de 2012

Gerente de Coisa Alguma

Não posso dizer que foi um ano bom. Não foi. Senti que perdi totalmente o controle sobre a minha vida, sobre o meu emprego, sobre o meu relacionamento, sobre a minha saúde mental.
E eu gosto de controlar. Quero controlar tudo. Gostaria de ser um tipo de gerente do mundo, se esse fosse um cargo válido na lista de empregos existentes. Não existe, então eu gosto de gerenciar minha vida e as coisas que fazem parte dela. Gosto de exigir, cobrar resultados, ver empenho alheio. Mesmo quando eu não estou me empenhando muito e nem rendendo bons resultados. Até porque, a gerente sou eu, quem manda sou eu e eu não preciso fazer nada além de mandar. Espero que façam para que eu possa dar tapinhas amigáveis nas costas, dizendo "Muito bem! Bom trabalho!".
Eu dou as ordens, mas não quero me esforçar sempre. É como jogar The Sims. Controlo os bonequinhos, decido coisas, mas quando fico entediada, baixo a janela, mudo de aba e vou me distrair com outra coisa. Quando eu voltar, espero que todos estejam a postos para que eu continue controlando suas vidas e me gabando do quão boa eu sou na arte de gerenciar.
Acontece que neste ano, isso foi o que eu menos fiz. Aliás, o que eu menos fiz foi controlar a minha vida. Porque jogar The Sims e me entediar foi a regra desses meses entre janeiro e dezembro.
Levei a maior rasteira que eu podia ter levado vinda da pessoa que eu nunca esperei que fosse capaz nem de esbarrar em mim, quem dirá me dar uma rasteira daquelas. Levantei, bati a poeira e sigo caminhando. Mancando um pouco ainda e suspeito que eu fique assim, meio coxa, pra sempre.
Talvez tenha sido fácil me derrubar porque eu já andava tropeçando nas decisões que eu mesma havia tomado e me arrependi em menos de 3 meses. Aí a queda foi mais feia do que poderia ter sido.
Foi assim, ainda em fevereiro que eu comecei a ver minha vida virando areia e a ventania se aproximando.
O que salvou meu ano de ter virado uma completa nulidade em termos de felicidade foi a Alice. Engravidei em fevereiro, ela nasceu em outubro e só ela bastou para que eu não quisesse apagar este ano da minha memória.
Mas as lembranças do ano em que perdi o controle continuam fortes.
Estou tentando acertar meu ritmo, reencontrar meu rumo e recuperar o controle que eu tanto gosto de ter.
Não vou fazer promessas para o ano que se aproxima, porque né? todo mundo sabe que promessa de ano novo ninguém cumpre e eu não quero começar meu próximo ano sendo uma mentirosa consciente da minha mentira. Quero começar o ano apenas controlando minha vida. Decidindo novamente quais caminhos eu vou seguir, quais caminhos vou fugir.
Nos últimos 12 meses eu fui empurrada pela correnteza. Nos próximos 12 meses espero voltar a gerenciar a correnteza.
Talvez eu deva encarar 2012 como um ano de férias do meu cargo de gerente da minha vida. As férias acabaram e agora é hora de voltar pro batente que, além do prazer que me dá, agora ainda tenho uma filha que depende de mim e das decisões que preciso tomar.
Que venha 2013!


***
Trilha Sonora: Por que nós? - Marcelo Jeneci. E várias outras dele antes.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Feliz dia do amigo!

Tem uma data que ninguém chega a um acordo e, ano a ano, a vejo ser comemorada pelo menos umas três vezes, em meses diferentes: dia do amigo.
É aquela típica data comercial que ainda não vingou e por isso ficam trocando conforme dá vontade de vender mais e coisa e tal.
Mais que o dia do amigo, uma comemoração que muda de data ano a ano é o aniversário da cidade onde eu trabalho. Diz o povo de lá que ela muda conforme a gestão da Prefeitura, porque parece que cada um considera o aniversário baseando-se num argumento diferente do outro (emancipação, fundação e essas paradas históricas aí que eu não sei quais são) e esse aniversário pode cair em meses diferentes, dependendo de quem estiver mandando na cidade no ano em questão. Mas isso é outra história.
Vim aqui tirar a poeira do blog porque outro dia eu estava ouvindo musiquinhas aleatórias e percebi que há uma quantidade considerável de músicas feitas para homenagear amigos e então, veja só, resolvi fazer uma listinha!


Hey Amigo - Cachorro Grande
Essa é boa pra tentar se reconciliar com aquele amiguinho que você, por um ou outro motivo, cortou relações e se arrependeu. Pode ser usada em tom de ameaça também, do tipo "volte a ser meu amigo, porque eu sei coisas sobre você".


Singela - Nevilton
Boa pra agradecer um amigo depois daquele apoio que só os grandes amigos sabem dar em momentos que não podemos contar com muita gente.
Só tem uma coisa triste nela: nos lembra que as amizades, mesmo as mais fortes, podem acabar sendo esquecidas algum dia. A gente não quer que aconteça, mas às vezes...


Canção Pra Quando Você Voltar - Leoni
Falei dela em outro post/lista já. Foi feita pelo Leoni para o Herbert Vianna quando ele estava no hospital, depois do acidente que ele sofreu.
Acho que não tem coisa mais linda entre dois amigos do que esse desejo de querer cuidar do outro, sem interesse, sem pedir nada em troca, só pelo amor puro e a vontade de ver o outro bem.


Waiting on a Friend - Rolling Stones
Gosto dessa porque me lembra das vezes em que saí com amigos simplesmente pra beber e me divertir com eles, sem esperar romances de uma noite só, sem esperar conhecer gente nova simplesmente porque eu estava na companhia das pessoas que me interessavam naquele momento: meus amigos.


With a Little Help From My Friends - Joe Cocker 
(É dos Beatles, mas prefiro a versão do Joe Cocker)
Também conhecida como a música do seriado Anos Incríveis, essa música devia ser obrigatória em toda formatura de colégio/faculdade quando a turma é daquelas super unidas, que viram quase uma família durante o curso. Aqueles amigos que se ajudam, estão juntos na hora do vexame e da glória, dão apoio naqueles momentos de corações quebrados, saudade de casa...


Leila - Legião
Essa música é para aquelas amizades antigas que começaram na adolescência e se estendem até a vida adulta. Eu tenho essa sorte com 3 amigos. Nos conhecemos na escola e a amizade existe até hoje, com o mesmo carinho e a mesma intimidade de amigos que se encontram todos os dias, mesmo que a gente não se veja por anos. Sabemos que uma amizade é verdadeira quando temos essa ligação, como a da música, que nos faz imaginar a rotina do outro, mesmo que estejamos distantes há tempos. Deduzimos com acerto as reações da pessoa diante de cada situação, mesmo sem presenciar nada disso. Essa música me mostra muito essa ligação que tenho com esses amigos: não convivemos mais, mas sei que eles me conhecem como poucas pessoas conhecem e sinto que a saudade é sempre reciproca, crescendo junto com a admiração que tenho por eles e a alegria que sinto a cada nova conquista deles.


***
O título do post foi só gracinha. Que eu saiba, hoje não é dia do amigo. Pelo menos por enquanto.
E a lista pode aumentar, desde que eu me lembre de mais músicas para amigos ou alguém me recomende algumas.

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Trilha Sonora: Leila - Legião Urbana. Adoro, mas como é de um disco muito "corta-pulso", evito ouvir pra não dar vontade de ouvir todo o resto e começar a chorar por tudo o que não deu certo na minha vida, pela injustiça no mundo, pela fome na África, pela crise econômica na Europa, pelo Tsunami do Japão...

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Agora somos 3

Comentei aqui há alguns meses que eu estava grávida, né? Pois, como tudo o que entra precisa sair, minha bebê nasceu. Está com 10 24 dias, é uma menina linda (todo mundo diz, então não é papo de mãe coruja), esperta e calminha, daquele tipo de bebê que raramente chora e quando o faz, é baixinho, sem irritar os ouvidos alheios.
O blog já andava meio abandonado, mas eu não desisti dele. Tenho até uns posts em rascunho pra terminar e publicar, mas agora, com a Alice mamando de hora em hora, fica mais complicado parar pra pensar e postar. Esse post mesmo, demorou exatos 14 dias para ser publicado desde que comecei a escrever.
Então, caso ainda estejam aí, prometo que logo, logo eu volto. Segurando a Alice com uma mão e postando com a outra.
Agora, com licença, tenho uma fralda suja para trocar. E isso não é força de expressão. É sério.


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Trilha Sonora: Resmungos de Alice são minha trilha sonora preferida agora.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Só checando

Quer saber se uma pessoa é ciumenta? Veja se ela é capaz de fazer o seguinte:
[de madrugada]
- Amor? Amor?
- Quê?
- Você conhece alguma Sabrina?
- Sabrina?
- É. Conhece alguma Sabrina?
- Não. Não que eu me lembre... Por quê?
- Tem certeza?
- Acho que sim. Por quê?
- Sonhei que tinha uma Sabrina te mandando mensagens, apaixonada por você e você vinha me contar e eu ficava brava porque você não me contou antes, mas depois achei melhor você ter me contado, pelo menos. E a Sabrina que eu sonhei era uma vadiazinha que eu conheci, estudou comigo. Tem certeza que não conhece nenhuma Sabrina?
- Tenho. Não sei quem é essa Sabrina.
- Então tá.
[Roooonc... Zzzz]

Pois é. Fiz isso outro dia, às 4 e pouca da manhã.
Só pra ter certeza, né? Não custa fazer um rápido interrogatório da madrugada.

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Trilha Sonora: Faz tempo que não tem nada, né? Preciso voltar a ouvir música enquanto uso internet.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Você se diz amigo de alguém, muito amigo, diz adorar esse alguém e quer notícias dessa pessoa com frequência porque, segundo você, você quer fazer parte de um momento importante que a pessoa está vivendo e é isso o que fazem os amigos, mesmo de longe.
Mas, a parte engraçada (que não me faz rir) é que quando você viveu momentos importantes da sua vida, não fez a menor questão de incluir essa pessoa e tem tanta consciência disso, que até já admitiu o erro e pediu desculpas pela "falha".
Agora, me diz onde está a cláusula no contrato de amizade que diz que sou obrigada a lembrar de incluir gente assim em todos os momentos da minha vida?
Não estou esquecendo de incluir. Só não faço questão mesmo.
Me obrigue a fazer diferente.

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De vez em quando a vida me surpreende ao colocar no meu caminho pessoas que, com pouco tempo de contato, se mostram muito mais leais e preocupadas comigo do que pessoas que me conhecem há mais de uma década.

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E esse foi o post amargo e sem título de hoje.

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Trilha Sonora: Nah. Tô de mau humor hoje e não quero ouvir música.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Surpreenda Seu Marido

Daí que eu meio que me casei. Não foi tão simples assim, e nem foi tão demorado quanto costuma ser esse tipo de decisão+acontecimento. Mas isso eu explico outro dia.
Acontece que, com essa nova convivência diária (que não será exatamente diária, mas isso eu também explico outro dia), você percebe que nunca sabe tudo sobre a pessoa a quem chama de Sr. Namorado até que ele vire Sr. Esposo. E que ele talvez não saiba tudo sobre você também.
Ontem, por exemplo, assistindo Fantástico enquanto nos arrumávamos para sair, ouvi Like a Prayer ou Like a Virgin (agora esqueci qual era), da Madonna e cantei junto na hora do refrão. Nem percebi que estava cantando junto. Só fui notar que saiu um som da minha boca quando o Sr. Meu Esposo olhou, incrédulo, e perguntou:
- Você tá cantando?
- Sim. Eu gosto dessa música.
- Madonna?
- Eu gosto de algumas músicas dela.
Quero ver a cara de surpresa dele quando ele me ouvir cantando uns pagodes da minha infância, que eu nem vou me esforçar pra lembrar agora, porque, né? Já basta surpreender o coitado do marido. O querido leitor não é obrigado a saber detalhes da minha vida que eu mesma não faço questão de me lembrar diariamente.

***
Nada contra a Madonna, viu? Eu gosto mesmo de muitas músicas dela. A surpresa dele deve ter sido porque em quatro anos de relacionamento, eu nunca havia comentado sobre isso e muito menos o obriguei a ouvir as músicas dela nas nossas viagens (quando eu geralmente o obrigo a ouvir Unidade Imaginária e outras coisas de mulherzinha, como ele costuma dizer).

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Trilha Sonora: A gente sabe que começou a época de campanha política por causa da quantidade de carro de som que passa na rua com paródias péssimas de músicas horríveis. E elas grudam na sua cabeça.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Histórias por trás das músicas


Tava ouvindo uma música do U2 esses dias e pensei na mudança de sentido que ela teve depois que eu soube o motivo da existência dela.
Então me lembrei de outras músicas que, numa primeira vez que ouvimos, parecem apenas mais uma composição legal (ou não) e a gente fica não ligando muito pra ela até saber que houve uma razão para ela ter sido escrita. Aí a coisa muda e você tem a sensação de que está ouvindo a música pela primeira vez, com ouvidos limpos e atentos.
Então... Vamos à lista que eu não sei bem como chamar, então será:

Músicas e as histórias por trás delas
(post cheio de links)

Essa foi a música que originou o post. Foi escrita depois do suicídio do vocalista do INXS, Michael Hutchence, que era amigo do Bono e, depois do que houve, deixou um sentimento de culpa, como se ele pudesse ter feito algo pelo cara, uma conversa que fosse, para evitar a atitude dele.
A letra nunca tinha me chamado muita atenção até eu ficar sabendo disso.

Essa sempre me pareceu linda, com um tom de tristeza no fundo. Eu ouvia e pensava que falava de alguém que tinha morrido, mas aí ficava meio na dúvida porque, se a pessoa morreu, o que ele queria dizer com isso de "quando você voltar"? Fantasmas? Reencarnação?
Até que eu soube que ela foi escrita para o Herbert Viana, do Paralamas, na época em que ele sofreu aquele acidente de ultra-leve e ficou um tempo em coma. No dia em que eu soube disso, fui ouvir a música e chegou a arrepiar de tão mais linda que ela se tornou pra mim. E, melhor ainda, a versão que eu tenho e é a única que eu conheço, tem a participação do próprio homenageado e, no finzinho, os dois recitam um mantra que, pra mim, é a coisa mais linda que já vi em relação a preces.

Segundo a própria Alanis, foi escrita durante a estadia dela na Índia, logo após o sucesso mundial do álbum Jagged Little Pills que a expôs ao mundo. Durante esse "retiro", ela aprendeu muita coisa e teve ajuda de tudo e de todos para que esses aprendizados fossem possíveis. 
É uma música sobre gratidão e isso fica claro desde o título.

Outra deles e, mais uma vez, ela em uma lista minha. Já parecia uma música fofa, apaixonada e talz, mas depois que eu soube que foi escrita como pedido de perdão para a esposa do Bono, após uma mancada com uma data importante que ele perdeu ou esqueceu, se tornou ainda mais apaixonada. E o clipe dela, coisa mais linda!

Essa música me atormenta desde que eu era criança. Fui registrada como Camila na mesma época em que ela estava tocando em todo canto e, como consequência, cada vez que eu me apresentava para alguém, era obrigada a ouvir "igual à música? Camila ah, oh! Camilaaaa!". Me irritava. Sempre a mesma coisa e eu nunca consegui ver nada de bonito na letra dela. Passou a me irritar ainda mais depois que eu soube que ela foi escrita para uma amiga da banda, que sofreu abusos do namorado. E aí você vê a letra e pensa... Faz todo o sentido!
Nesse caso, diferente das outras, a história por trás da música fez com que eu gostasse ainda menos dela (mas continuo adorando Nenhum de Nós).
[Pausa] Pesquisando links pra inserir no post, descobri três coisas: a homenageada da música não se chama Camila, a identidade dela é um mistério para o público como forma de preservar sua privacidade (justo!). O meu Santo nominho foi escolhido quando olharam, por acaso, para o nome de um filme no jornal (não sabia que existia um filme com o meu nome. Essa foi a segunda descoberta). E além disso, descobri que existe uma cerveja batizada com o meu nome, mas em homenagem à essa música e à banda.[/Fim da Pausa]

Soube há pouco tempo que ela foi escrita depois que o vocalista da banda soube das dificuldades que a empregada dele enfrentava diariamente e que, mesmo assim, nada a fazia desistir de continuar trabalhando e lutando por uma vida melhor. Me pareceu mais bonita justamente por saber que foi baseada numa pessoa real, que realmente acorda todo dia às 4:30 e na hora de ir pra cama pensa que o dia não passou e nada aconteceu. E se for pensar, todos nós acordamos meio Janaína de vez em quando...

Ouvi dizer que Foi composta pelo Jhon como forma de homenagear o sogro e consolar a esposa dele, Fernanda Takai, quando o pai dela estava bem doente. Não sei se ele sobreviveu muito tempo depois da música, mas com certeza ele ficou eternizado na homenagem.

A Song For Sleeping - Stone Temple Pilots (não é o vídeo oficial, até porque, acho que nem existe um clipe pra essa música, mas escolhi esse por ter gostado da produção de quem o montou)
Essa foi um pouco óbvia desde a primeira vez que ouvi. A letra é bem clara, um pai cantando pra um filho dormir, falando para ele sobre a alegria (e o medo) de ver uma vida tão nova e dependente de você e das coisas que você tem a ensinar. Outro dia incluí essa na playlist que estou fazendo pro meu bebê. Quando estiver terminada, posto aqui pra vocês palpitarem um pouco.

1º de Julho - Legião Urbana
As músicas da Legião sempre me fizeram imaginar o que levou o Renato Russo a escrevê-las. Essa foi uma das poucas que eu soube: ele escreveu para a Cássia EllerNo Acústico dela tem uma alteraçãozinha no fim da letra quando ela devia cantar "meu amor, meu amor" e diz "meu amor, meu Chicão", fazendo referência ao seu filho Francisco.
Depois de saber disso eu passei a gostar mais dela nessa versão acústica da Cássia.

Metal Contra as Nuvens - Legião Urbana
Outra da Legião. Essa eu soube há alguns anos, em uma matéria que a (já falecida) Revista MTV fez em homenagem ao Renato Russo quando fez 10 anos da morte dele, na sua edição de nº 9 (me surpreendo com a minha memória às vezes. Juro que eu não pesquisei na internet antes de dizer em qual edição estava a matéria).
Me parecia uma música confusa, meio que enigmática, como outras da Legião (mas nenhuma ganha de Depois do Começo). Aí eu vi que ela falava de várias coisas ao mesmo tempo, mas era basicamente sobre descontentamento e decepções políticas (época do Collor e a loucura econômica que virou o Brasil com dinheiro sendo confiscado nos bancos e preços subindo nas nuvens). É cheia de metáforas, mas se você sabe do que ele estava falando, acaba "traduzindo" tudo.


Vou parar por aqui, já que 10 é um número redondinho e eu também não estou lembrando de mais nenhuma música, apesar de saber que essa lista pode continuar com outras que só vou me lembrar quando eu clicar em Publicar.
Agora, sejam legais como vocês sempre são e me contem outras histórias por trás de músicas.

***
Sobre a fonte para todas essas histórias: algumas eu li em revistas, outras eu vi a banda contar na TV, umas eu li na internet. Fiz questão de procurar na internet links pra provar que nenhuma delas foi inventada pela minha cabecinha (Sr. Namorado neste momento deve estar dizendo "Cabecinha? Desde quando você tem cabecinha? É um cabeção!"). Se a internet estiver mentindo, sinto muito, porque aí eu fui enganada também.

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Trilha Sonora: Aproveitem o post e ouçam todas essas músicas prestando atenção nas letras, agora que sabem das histórias.


sábado, 12 de maio de 2012

Beautiful Girl

Conheço uma moça (tipo mulherão, mas digo que é moça porque tem aquele sorriso doce de moça) que essa semana me deu uns minutos do tempo dela e ouviu coisas que eu ainda não tinha conseguido falar abertamente para ninguém. Ouviu, demonstrou preocupação e me deu conselhos ótimos (eficazes e divertidos).
Nos conhecemos há 7 anos e já bebemos juntas, rimos e temos algumas lembranças em comum, mas amizaaaaade mesmo, daquela coisa de frequentar a casa uma da outra, trocar confidências... isso nunca aconteceu porque... sei lá, acho que faltaram oportunidades.
Mas o fato é que ela é o tipo de pessoa que conquista a simpatia de todos rapidinho. Conquistou a minha logo nos primeiros contatos que tivemos.
Ela não entrou em muitos detalhes, mas passou há pouco por um pé na bunda. Foi o que puxou a conversa essa semana e me levou a falar, falar, falar... e eu até devo ter falado mais do que ouvido. Só que fiquei pensando nela depois.
Quando a vi pela primeira vez, pensei "Nossa! Que linda!" e é raro uma mulher ver outra e pensar isso sem aquela pontinha de inveja "quero o cabelo/roupa/namorado/amigos dela". Ela é linda e ponto final.
E quando a gente percebe, idealizou toda uma realidade em volta da pessoa. Fiz isso com ela. Ela é linda, simpática, inteligente, tem estilo, bom gosto, fala inglês, fala francês, é culta... Daquele tipo de pessoa culta que lê livros e ouve músicas e conhece coisas sem nunca demonstrar aquele ar pedante de pessoa culta que conhece coisas, lê livros e ouve músicas. E na minha cabeça ela nunca leva pé na bunda, nunca deseja quem não pode ter e chovem namorados interessantes e todos gente boa em volta dela. Porque gente como ela só pode atrair gente tão legal quanto ela. Não é assim o mundo?
Na verdade, não, né...
Ela tem problemas com o espelho, como toda mulher tem. Ela ouve "não" de caras que estão interessados em outras mulheres. Ela já deve ter perdido algum emprego. Já deve ter tirado notas baixas na escola. Já foi traída. Levou um pé na bunda...
Mas ainda acho que ela é uma das moças mais lindas que conheci. Do tipo que eu só apresentaria para o melhor dos meus amigos, aquele tipo educado e carinhoso que só merece conhecer moças lindas e divertidas como ela.
E o motivo desse post? O motivo é que ganhei mais uma razão para admirar e gostar dela. No meio de todo o drama que vem bem depois de um término de namoro, ela teve o coração aberto para ouvir problemas que nem são dela, pensar em bons conselhos e me fazer rir.
É ou não é um mulherão?

***
Oh, eu sei que você tá lendo, então coloca uma coisa na sua cabeça: nem baleia, nem golfinho. Acho mesmo é que é sereia. E sereia tem o poder de encantar quem quiser. Você sabe, né?
=)

***
Trilha Sonora: Não tô ouvindo, não. Mas quando tava terminando de escrever, lembrei de Beautiful Girl do INXS e essa é a música dela.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Oi, Leitor!

Recebi um e-mail agora há pouco de um leitor do blog perguntando quando eu voltaria a postar, porque ele gosta de vir aqui e sente falta das atualizações.
Podem dizer que eu quero é confete, mas fico feliz, de verdade, quando recebo esse tipo de e-mail ou pedido por msn, como já aconteceu outras vezes. E esse tipo de contato sempre dá um ânimo diferente pra, pelo menos, vir aqui e dar uma satisfação aos que ainda procuram algum post novo (e não estão encontrando).
O que aconteceu, conforme eu respondi ao moço do e-mail e alguns de vocês devem ter imaginado, foi que depois das últimas decepções que tive, o quase fim do blog e coisa e tal, eu perdi o ritmo.
Normalmente eu usaria esses momentos pra escrever mais, reclamar mais e, modéstia à parte, escrever os melhores posts desse blog (gosto mais do que escrevo quando odeio o mundo). Eu até fiz um pouco isso só que, quase junto com o que aconteceu, eu recebi a notícia que está mudando minha vida: vou ter um bebê daqui 6 meses!!!
Bom, vamos por partes pra não confundir as pessoas. Tive uns problemas sérios com o Sr. Namorado. Terminamos. Quando me convenceram que eu passaria muitos anos na cadeia, caso fizesse o que ele merecia, acalmei um pouco e conversamos. Voltamos (tudo meio capengando ainda, não vou mentir, mas voltamos). No dia em que voltamos, eu já estava desconfiando que estava grávida. Falei pra ele e compramos o abençoado teste de farmácia. Positivo.
Fiz exame de sangue no dia seguinte. Positivo.
Fiz exame de sangue e urina duas semanas depois. Positivo.
Não tinha mais o que duvidar, né?
Aí fui atrás de médico e coisa e tal, fiz ultrassom e entre tudo isso, já estou há 3 meses carregando um feijãozinho saltitante dentro da minha barriguinha (só porque sou pequena e pra não ter que dizer barrigona, já que sou gorda com ou sem bebê).
Demorei pra vir contar porque, junto com a alegria imensa da gravidez, ainda tem muita mágoa por tudo o que aconteceu e quando quero escrever fico dividia entre ser uma mãe feliz que só sabe falar do quanto a barriga cresceu e da sensação terrível dos enjoos, e ser uma pessoa azeda que só reclama do quanto as pessoas querem prejudicar minha vida, meu relacionamento e meu trabalho. 
Daí é melhor ficar quieta pra não acabar falando coisas que depois vou me arrepender ou que acabem magoando pessoas que, por acaso, podem estar xeretando o blog pra saber coisas que podiam simplesmente me perguntar.
Enfim, o blog tava só dando uma pausa forçada, mas o e-mail que recebi me animou a vir aqui dar uma satisfação pra vocês (não que eu deva satisfação da minha vida pra alguém, né? Vocês não mandam em mim e eu faço o que eu quiser*) e falar um oi.
Então, pra terminar:
Oi, pessoas!

*Essa parte aí quem escreveu foi a Mila que odeia o mundo e é uma grossa.

***
Trilha Sonora: Jornal passando na TV porque sou uma moça culta e bem informada (quando não tem novela passando ou joguinho legal pra brincar na internet).

terça-feira, 20 de março de 2012

Metas Mágicas

De vez em quando, normalmente quando as coisas estão meio erradas, eu penso que se eu puder mudar algumas atitudes minhas, algumas soluções podem surgir magicamente para os meus problemas.
Estou com muitos problemas e só uma grande alegria no momento (assunto para outro post, em momento mais adequado).
Então, para os muitos problemas, as metas mágicas que pretendo seguir nos próximos meses:
1° - Cuidar da minha alimentação porque eu já deveria estar fazendo isso há mais de 1 ano por recomendação médica (pedra na vesícula, gordura no fígado, pangastrite, corpo pequeno demais pra tanto peso, uma anemia que sempre pode voltar, etc) e agora preciso realmente fazer isso com mais seriedade. E quem come direito, vive melhor.
2° - Falar menos. Muito menos. Sobre a minha vida, sobre os meus problemas, sobre as minhas expectativas, sobre os meus medos, sobre os meus sonhos, sobre tudo. Sempre fui de ouvir mais do que falo, mas quando me sinto segura com alguém, abro minha vida como se fosse uma mala velha e sem fecho. E, depois, as pessoas quase sempre provam que não mereciam toda essa exposição quando fazem coisas exatamente opostas das coisas que sabiam que eu esperava. Então, se eu puder pensar que elas agiram errado simplesmente porque não sabiam que estavam errando, vou me magoar bem menos com elas, porque afinal, como culpar quem é inocente?
3° - Mudar de emprego. Porque desde que mudei de ambiente, mas não de emprego, um espírito infantil tomou conta de mim e se manifesta todas as manhãs, quando digo pra minha mãe, fazendo beicinho de choro "Mãe... quero ficar em casa. Não quero ir para aquela escola hoje, não quero trabalhar. Eu não gosto de lá, mãe...". E ela me responde o que toda mãe responde ao filho choroso que faz birra na hora de ir pra escola "Anda logo, Camila. Vai perder a hora". E eu perco a hora, mas vou trabalhar. Então, se eu puder resolver essa questão do emprego, arrumar um lugar que eu goste de novo, com pessoas que me amem do jeito que minha família me ama, o drama matinal acaba e, como consequência, o drama do resto do dia também. Por isso ando de olho em novos concursos públicos. De preferência, mas não exclusivamente, dentro do Estado de SP, aqui pros ladinhos do interior.
4° - Não criar ilusões sobre as pessoas. Se eu não sou exatamente como eu gostaria de ser, os outros é que não serão exatamente como eu gostaria que fossem.
5° - Contrariando o segundo item, acho que eu devo praticar meu lado egoísta, falando muito das coisas que só interessam a mim (e a meia dúzia de leitores que continuam vindo aqui e eu adoro todos vocês. Tô carente e emotiva. Beijos), porque isso evita que eu fique pensando besteiras e criando as ilusões do 4° item. E foi pra ser egoísta que eu comecei esse blog, afinal.
6° - Não existem metas mágicas. E isto não é uma meta, mas uma constatação e eu só numerei como 6° porque gosto de manter padrões (além de carente e emotiva, tô ficando louca e com TOC. Beijos).

***
Trilha Sonora: Não, obrigada. Tô rabugenta hoje e até música me irritaria.

terça-feira, 13 de março de 2012

É baratinho...

Meu irmão me vendendo uma rifa ontem:
- Quer comprar um número de rifa? Só R$ 5,00.
- Vale o quê?
- Vale um notebook.
- R$ 5,00... Um notebook... R$ 5,00 pra ganhar um notebook... Hmmm. Não.
- Mas é só R$ 5,00...
- Mas eu uso o seu de graça. Não quero comprar. Obrigada.
Claro que é só pelo prazer de torturar e fazer o coitado pensar que eu não vou ajudar. Comprei e ainda pedi dois números, porque sou um pouco legal de vez em quando, mas só quando eu quero.
***
Trilha Sonora: Um Monte de Poeira - Unidade Imaginária. Tocando sem parar na minha cabeça desde que acordei hoje.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Uma lista para a Gabi

A sugestão veio quando comentei que Beautiful Girls, do INXS, me deixava triste, apesar de ser linda e por isso ela estava na minha lista de músicas lindas que me dão vontade de chorar. E ela me disse que eu devia fazer então uma lista das músicas que fazem feliz.
Bem, isso não tem sido a coisa mais frequente dos últimos dias, mas não custa tentar, né?
Então, Gabi, aqui está a lista, não em ordem de tamanho do sorriso que me causam, mas em ordem de chegada à minha memória mesmo.

1 - No Rain - Blind Melon 
Quando penso em músicas felizes, que me fazem sorrir e pensar que a vida pode melhorar, essa é a primeira que me vem à cabeça.

2 - Sweetest Thing - U2
Acho que mais pelo clipe dela do que por qualquer outra coisa. O Bono lá, se esforçando pra fazer a mulher dele sorrir, pra que ela o perdoe por ter faltado em uma data especial pra eles (aniversário de casamento deles, acho). Mano, quem é que se esforça tanto a ponto de usar elefantes de circo para alegrar a mulher? Tem como não sorrir vendo aquilo?

3 - Dois Sorrisos - Móveis Coloniais de Acaju
Uma música que tem "sorrisos" no título não pode causar outro efeito a não ser fazer sorrir. O clipe é tão lindo e divertido que faz sorrir aquele sorriso bobo de gente apaixonada. Me faz sorrir quando escuto e me faz sorrir mais ainda quando vejo o vídeo. Principalmente o último casal, que fecha o clipe da maneira mais linda possível.

4 - Today - Smashing Pumpkins
Porque ouço e me lembro do clipe, com carrinho de sorvete, tintas, liberdade para colorir tudo e dar uns pegas em alguém no meio do deserto. E a letra é do tipo que alegra mesmo.

5 - Malibu - Hole
Pra mim é música de comemoração por uma fase superada. Sempre canto infinitas vezes quando estou disposta a sair do buraco.


6 - Dê Um Rolé - Unidade Imaginária (que eu acabei de descobrir que é uma regravação dos Novos Baianos e tem mais trocentas versões de outras pessoas, entre Gal e Zizi Possi)
Animadinha, parece música de festinha com amigos. Festinha com amigos sempre me fez sorrir.
"E antes de você ser Eu sou Eu sou amor Da cabeça aos pés".

7 - Dessa vez - Nando Reis
Tem letra mais animadora que essa? "Eu não vou chorar Você não vai chorar (...) Sorria e saiba o que eu sei Eu te amo". E o ritmo dela é alegre.

8 - Mantra - Nando Reis
Outra dele. Essa é uma coisa tão linda, tão cheia de ensinamentos sobre ser uma pessoa melhor, fazer e desejar o melhor pra todos. Sorrio por dentro e por fora quando ouço.

9 - Trapézio - Pitty
Me dá uma sensação de manhã de ressaca pós balada, daquelas bem boas, que levam tua memória e só deixam a certeza de que você se divertiu mais do que esperava. E apesar da dor de cabeça, é bom, sim, acordar de ressaca depois de uma noite boa.

10 - Felicidade - Marcelo Jeneci
Porque é uma música sobre felicidade e ponto final.
"Você vai rir Sem perceber Felicidade é só questão de ser"

11 - Stop - Spice Girls
Sim. Spice Girls. Explico. Quando elas estavam fazendo aquele sucesso doido, tocando em todo canto e ganhando fortunas, eu tinha uns 12 anos e ganhei o CD que tem essa música de presente de aniversário das minhas amigas, na festa surpresa que elas fizeram pra mim. Aí soma essa lembrança da época em que felicidade era a coisa mais simples do mundo e a gente nem imaginava isso, com a letra bobinha, a coreografia fácil e o clipe bonitinho e foi assim que Spice Girls veio parar na minha lista.

***
Vou parar no nº11 porque gosto de números repetidos (11, 22, 33, 44...), mas se eu me lembrar de outras músicas, a lista segue com uma parte 2. Aceito sugestões também. Se elas me fizerem sorrir, entram para a lista também.


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Trilha Sonora: Beautiful Girl - INXS, que eu adoro e foi o último link que busquei pra inserir no post. E agora, como minha memória sempre associa músicas às pessoas, essa vai virar a música da Gabi por causa da história desse post. E porque ela é feia. rs
(Mentira, heim, gente! Gabi é linda!)

domingo, 26 de fevereiro de 2012

O começo de um recomeço

Talvez ainda seja cedo para dizer que passou, porque sei que, no fundo e bem lá no fundo, passou coisa nenhuma e talvez nunca passe de verdade.
Acontece que eu já vi esse filme outras vezes, com outros atores e outros enredos e lembro que o fim é sempre muito parecido. Quer dizer, o que chamamos de fim, mas que na real, não tem fim nunca.
O que acontece com a gente nunca tem fim. Uma história se emenda na outra, um amor se vai e deixa as cicatrizes que o próximo amor vai cuidar e colocar o band-aid até que ela feche, mas você vai olhar para aquela marquinha que fica na pele e vai se lembrar que não deve agir da mesma forma que agiu, porque foi aquilo que lhe rendeu aquela cicatriz que virou a marquinha na pele.
E a vida vai seguindo porque a gente não pode parar o mundo e congelar todo mundo à nossa volta até que a gente esteja bem para sair e ver gente e sorrir com o coração e dizer "bom dia, posso ajudar?" para a pessoa que não tem nada a ver com os seus problemas e precisa da sua prestação de serviços diariamente.
Também não leva a nada alimentar uma raiva porque, veja bem, você não escolheu ter raiva. Alguém te faz alguma coisa que causa a raiva. Carregar com você pra todo canto, como uma bolsa pesada a tiracolo é opção sua. E bolsas pesadas causam dor nas costas, dor nas costas causam mau humor e eu não quero ser uma pessoa que rasga a pipa do moleque que caiu no meu quintal por acidente. Não quero ser a velha que fura a bola que bate no portão de casa por acidente. Quero ser aquela que se incomoda, pede para que tomem cuidado, mas devolve. Devolve a bola, a pipa, o bem que me fizeram e, assumo, também o mal que me fizeram mas na exata medida que ele aconteceu. Nada mais e nada menos. Porque não sou trouxa e nem quero ser bruxa.
Passar não passou, deixar de doer não deixou ainda, mas vai doer cada vez mais se eu alimentar isso. Da mesma forma que o amor só vai morrer se eu parar de alimentar. E então eu vou deixar de alimentar esse amor, deixar de alimentar essa dor e esperar que surja no lugar disso tudo algo tão grande quanto, mas, desta vez, que seja melhor e mais bonito. Mais maduro e mais saudável.
Talvez demore, talvez nem aconteça. Mas eu não tenho outra opção a não ser tentar.
Já vi esse filme, eu já estive nele. E quando eu parei de tentar odiar, de tentar guardar o amor, foi que eu consegui respirar e o lugar de tudo aquilo foi ocupado com outras coisas que me fizeram bem.
Enfim, talvez demore, mas o primeiro passo para tentar acender a luz eu já dei. Talvez seja necessário trocar a lâmpada ou verificar a fiação do interruptor, mas o mais importante é que já sei onde ele está e o que preciso fazer para iluminar as coisas de novo.
Um passo de cada vez e logo as coisas estarão de volta ao seu lugar.

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Sobre o blog, acho que não tem mesmo como eu sair daqui. Os comentários que recebi, e-mails que troquei nesses dias (estou falando da moça mais racional que deu os conselhos mais sensatos e úteis que ouvi nessa semana. Obrigada! De verdade!), coisas que li e tomei como "sinais"... Tudo me fez ver que não posso abrir mão de todas as memórias que tenho guardadas aqui por causa de uma decepção. Tudo isso já existia antes do ocorrido e vai continuar existindo. Vou dar uma selecionada nos posts que quero que voltem, mas aos poucos, quase tudo vai reaparecer nos arquivos. Não seria justo comigo sumir assim com as minhas memórias que, se não fossem tão importantes, não teriam vindo parar aqui. Enfim... Pediram que eu desse tempo ao tempo e uma semana foi tudo o que eu precisei para ver que esse conselho estava certo.
Obrigada aos leitores que gostam tanto do blog e que teriam me seguido pra qualquer canto que eu tivesse escolhido ir. =)

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Trilha Sonora: Eu Me Acerto - Zélia Duncan. Talvez estar ouvindo há tantas horas tenha me ajudado a refletir.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O clic

Tem aqueles momentos em que o desespero é tanto, que a gente começa a pedir sinais que nos indiquem qual caminho seguir.
Peço o tempo todo por isso, em silêncio.
Então, sem nem imaginar o que tem se passado, ela entrou cantando apenas esse verso e saiu em seguida, sem falar mais nada:
E eu percebi que eu também já vi. Não minha, mas de outras pessoas. E se toda essa gente saiu do lugar, acendeu a luz e saiu da escuridão, então eu também posso me levantar e começar a tatear o escuro até achar o interruptor.
Pode não ser tão simples, mas não é impossível.

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Estou tentando abandonar o blog, juro que estou, mas não estou conseguindo... Tem cura, Dr.?

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Trilha Sonora: Alguma trilha de novela tocando longe no rádio de alguém.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Cartas para não enviar

ou: O Último Post do Blog (agora de verdade)




Quando te conheci, lembro-me perfeitamente das coisas que te disse sobre confiança, meus amores errados, meus medos, a facilidade e ao mesmo tempo a dificuldade que tenho para me envolver... Lembro de tudo e não preciso pegar arquivo de conversas ou velhos e-mails.
Lembro de tudo simplesmente porque era tudo verdade, era o que eu sentia.
Por mais que tenha tentado evitar o que eu já estava sentindo, eu sabia que não teria jeito. Eu já era sua quando você disse "quero você pra mim".
A partir daí eu mudei. Mudei meu jeito amargo, mudei meus planos de conhecer o mundo, mudei meus planos de viver o sonho feminista da mulher independente, mudei meus planos de ser sozinha a mãe dos filhos que eu quero ter, mudei minha vida toda para que você pudesse caber nela, com o espaço e conforto que você merecia.
Ouvi desaforos absurdos de quem me julgou sem me conhecer e, hoje, se arrepende e me diz exatamente o contrário do que me fez ouvir calada.
Em alguns momentos, até enfrentei pessoas que amo para defender você.
Tudo valia a pena.
Achei que seria certo ou, mesmo que não fosse certo, seria justo que eu me afastasse de pessoas que não acrescentavam nada na minha vida, em respeito ao que você pensava sobre elas. Achei que você exigia essas coisas de mim porque era o que você também fazia, mesmo que eu raramente tenha pedido isso a você. Consciência, sabe? Direitos iguais, deveres iguais, sabe?
Não, não sabe.
Consciência é aquela coisa que pesa quando vamos dormir, que fica martelando na nossa cabeça e nos tira o sono. É aquilo que me pesava cada vez que eu fazia algo por impulso e corria para te contar, porque eu sabia que era o certo a se fazer, mesmo sabendo que eu já tinha cometido um erro. Dignidade, sabe?
Não, não sabe também. Dignidade é o que tentamos manter mesmo sabendo que fizemos algo feio. É o que queremos salvar quando corremos para contar a verdade antes que o outro descubra sozinho a besteira que fizemos.
Você não sabe de muitas coisas ainda. Você não sabe sobre respeito. Você não sabe sobre fidelidade. Você não sabe sobre amor verdadeiro. Você não sabe, principalmente, o estrago que causou dentro do meu peito.
Quando eu dizia que trazia desconfianças por culpa de outras pessoas que tinham me enganado, você dizia cheio de razão e olhar ofendido que eu não podia te comparar a eles, que você era homem e eles eram moleques, que você jamais trairia minha confiança porque você, sim, me amava de verdade e valorizava o nosso relacionamento. Aos poucos eu fui acreditando nisso. Até que você provou que eu sempre estive certa e você nunca passou de um moleque, capaz de trocar uma coisa sólida por uma ilusão do que teria sido uma coisa que nunca chegou a acontecer e, acredito até que nunca vai acontecer.
Você sempre me fez acreditar que eu era o lado egoísta do casal. Que você estava sempre por perto, mesmo de longe e eu te abandonava nos momentos em que você precisava. Posso ter agido assim algumas vezes, admito. Mas eu nunca pensei ou falei "não tenho ninguém". Eu sabia que eu tinha você, mesmo quando eu não te procurava e preferia me fechar, eu tinha você. E da mesma forma, mesmo quando eu não estava exatamente disponível, por ter os meus próprios problemas para resolver, eu continuava pronta pra sair correndo e te ouvir, te ajudar, te encontrar, segurar sua mão, mesmo que não pudesse fazer nada por você. Você tinha a minha amizade. Até que você disse que não tinha ninguém. Até que você foi implorar atenção de uma pessoa que não deve se importar tanto com você.
Cada relacionamento que acaba deixa um estrago que a próxima pessoa deve saber consertar com cuidado, como uma casa usada que, quando o novo dono compra, precisa olhar com cuidado e identificar as infiltrações, paredes rachadas que podem vir a cair um dia, telhas quebradas que podem virar goteiras e buracos no piso que podem abrigar ratos. Algumas coisas o novo dono pode consertar imediatamente, apenas para conseguir entrar e morar. Outras ele vai arrumando aos poucos, conforme a necessidade, conforme o tempo, conforme o possível prejuízo a longo prazo.
No momento, sou como essa casa destruída. Mas como se, antes de sair, você tivesse vindo com um trator e derrubado, sem o menor cuidado, paredes e mais paredes, abalando a estrutura do que restou de pé.
Mesmo que você tente me dizer que está sentindo como se tivesse se jogado de um penhasco com trator e tudo, eu ainda sou a casa que foi destruída porque você quis destruir e só será reformada quando alguém tiver vontade de fazer isso porque sabe o potencial que há por baixo de todos esses escombros.
Enfim, até que isso aconteça, vou recolhendo sozinha tijolo por tijolo, varrendo a poeira pra fora e em algum momento, quando eu menos esperar, estarei de pé novamente. 
Até lá, desejo apenas que você viva. E viver, às vezes, pode ser o maior sofrimento que uma pessoa pode desejar a outra, porque o mundo se encarrega de trazer o que cada um merece.
E eu sei que eu mereço o melhor.


***
Trilha Sonora: Tem tanta música tocando na minha cabeça ao mesmo tempo, que eu nem sei identificar a que está mais alta.

Avisos aos navegantes

Sei que uma ou outra pessoa ainda vem aqui com alguma frequência em busca de atualizações, histórias bizarras da minha vida, vexames que eu passo, desastres e coisas fofas de gente apaixonada.
Acontece que, devido a acontecimentos recentes, estou pensando em dar um parada por uns tempos nesse blog e, se eu resolver voltar, pretendo trocar de endereço, de ares, de decoração e tudo mais.
Como eu sou uma pessoa legal, que pensa no bem estar alheio, gostaria que vocês deixassem seus lindos e-mails aqui nos comentários, pra eu poder avisar um a um, com um e-mail personalizado, perfumado e cheio de carinho, quando eu estiver de volta no canto novo.
Gosto daqui e de tudo que já postei, de tudo que vocês comentaram e as amizades que fiz por causa do blog; mas acho que, como uma Caixa de Sapato mesmo, onde vamos guardando lembranças, chega um momento em que precisamos esvaziar e colocar coisas novas nela ou, mais fácil ainda, lacrar tudo e esquecê-la debaixo da cama, empoeirando até o dia em que você sente saudade e abre para rever seus tesouros.
É o que vou fazer aqui.
Então, se alguém quiser saber pra onde eu vou (quando eu for), já sabem o que fazer.
Se preferirem, mandem o endereço direto pro meu e-mail e aproveitem para me mandar um oi pra eu saber que vocês não são todos computadores treinados para ler blogs e roubar informações (meu e-mail é eudesouzalves @yahoo.com.br - tirem o espaço quando forem copiar).
Bem... Isso é um até logo, então.

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Trilha Sonora: You Belong To Me - Carla Bruni. Minha irmã viciou e é só o que ela ouve agora, pra minha sorte.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Indiretas que o mundo dá


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Trilha Sonora: Flores do Mal - Barão Vermelho, que insiste em não sair da minha cabeça desde ontem, quando ela tocou por acaso e a letra fez todo o sentido do mundo pra mim. "A mesma mão que acaricia Fere e sai furtiva Faz do amor uma história triste"

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Mancha engana-trouxa

Daí a pessoa vem morar numa cidade super quente, onde o sol nunca some e, mesmo sabendo dos riscos de mancha de pele, não usa protetor solar. 
Um belo dia, distraída, olha pro seu braço e nota uma manchinha escura que não existia antes.
"AI, MEU DEUS! TÔ MANCHADA! MANCHA DE PELE! SOCORRO! NÃO POSSO FICAR MANCHADA!"
Passa o dedo na tal mancha e ela some.
"Ah! Era sujeira que respingou mais cedo, enquanto eu lavava o chão. heh"

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

As Verdades Inventadas

Passamos a vida toda dizendo que dinheiro não compra felicidade, mas não deixamos de apostar na Mega da Virada e fazer hora-extra pra ganhar unzinho a mais no pagamento. Passamos a vida dizendo que não podemos viver sem tal coisa/pessoa, mas quando a tal coisa/pessoa se vai nós não viramos purpurina no ar e deixamos de existir em protesto. Passamos a vida dizendo que adoramos verduras e alface, mas trocamos sem pensar um pratão de salada fresquinha por um pão com ovo frito na manteiga com queijo derretido (me desculpe quem não come pão com ovo. É que estou com desejo de pão com ovo desde ontem). Passamos a vida dizendo e ouvindo que estudar é muito importante, mas adoramos as férias e sempre achamos que elas duram menos do que deviam e que 50 minutos ouvindo um professor falar são mais tempo do que queríamos.
Quando digo "passamos", sei que posso estar falando mais por mim do que por qualquer outra pessoa que não seja eu. Mas é que passamos a vida também tentando dizer/adivinhar/impor o que os outros gostam com base no que nós mesmos gostamos e achamos que todos deveriam gostar.
Eu sempre disse que mulher deve mesmo trabalhar pra ajudar o marido, ser independente e ter um dinheiro seu também, além do dinheiro da família. Sempre acreditei que ser independente compensava qualquer esforço, como o de levantar às 5:30 pra estar no trabalho às 7:00. Agora me vejo questionando se, quem sabe, talvez não seja melhor voltar a só estudar e deixar que me sustentem, ao invés de gastar 40 horas semanais em um lugar que não tem me feito bem, não tem me ensinado coisas novas e não me dá perspectivas de crescimento. Aí penso que, pelo bem do casamento que se aproxima, o mais sensato é aguentar como está, guardar um dinheiro para ajudar no começo da vida a dois e depois, quando houver oportunidade, trocar de emprego, mesmo que um novo emprego não signifique necessariamente a tal satisfação profissional que eu sempre sonhei.
Penso que o mais sensato. Passamos a vida pensando que somos as pessoas mais sensatas e racionais do mundo.
E quando eu digo "passamos", quero dizer que eu passamos. Insisto tanto nisso de ser racional e agir sem levar em conta as emoções, que eu quase acredito que as coisas podem funcionar sempre assim, deixando de fora o lado pessoal.
Passamos a vida inventando detalhes para a nossa personalidade simplesmente porque achamos que seria legal eles existirem. Só que não existem e a nossa personalidade, na verdade, não é tão legal quando gostaríamos que fosse.
E quando digo "a nossa", quero dizer a de vocês, porque eu inventei que a minha é super legal e vou fingir que acredito nisso.

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Trilha Sonora: "Eu sempre fui assim Meu jeito me convém" - Rádio de Outono. Esqueci o nome da música, mas ela tá tocando sem parar na minha cabeça porque ouvi umas vinte vezes seguidas ontem.


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Na Hora do Adeus

Um dia eu fiz uma lista de músicas de pé na bunda aqui no blog, para quando você leva aquele chute certeiro e fica sofrendo e chorandinho.
Mas agora, Senhoras e Senhores, apresento-lhes a lista de músicas que servem perfeitamente para quando é você quem precisa dar o chute, mas não sabe como fazê-lo ou quer fazer de forma fina, romântica e musical.
Afinal, se muitos relacionamentos começam com uma música especial, por que não terminar do mesmo jeito?

Não Te Quero Mais - A Lista

É uma música lindinha, tentando explicar de forma bem educada, que veja bem, não dá mais, mas não é culpa sua, sou eu e minha personalidade indecisa, mudo muito de idéia, sabe? Acordei não querendo mais, acho que o amor chegou ao fim, ou não, só não quero mais essa rotina, entende? Adeus.

Eu Nunca Te Amei Idiota - Ana Carolina (acho que ela curte gravar músicas para dar pé na bunda)
A letra é do Alvin L. e é um pouco mais grosseira se você quiser mandar um recado para aquela pessoa que você namora, mas que na verdade é só um passatempo mas que na verdade verdadeira que você vai acabar sentindo falta e sabe que só o chama de idiota agora por pura raivinha de fim de namoro.

Você Não Serve Pra Mim - Penélope ou na fase solo da Érika Martins (ou de várias outras pessoas porque essa música já foi gravada por muita gente, incluindo Roberto Carlos)
Sabe quando você percebe que é muita areia pro caminhãozinho alheio e não está nem disposta a deixá-lo fazer várias viagens? Então, o melhor é procurar um caminhão que acomode toda a sua areia. Daí você usa essa música e dá um basta na coisa toda.
Um trecho: "Você comigo não combina, não adianta nem tentar"

Montes Claros - Unidade Imaginária
A música de fim de namoro mais linda e pacífica do mundo! Sabe quando você bem que gostaria de continuar, mas sabe que não tem mais futuro, que um atrapalha mais do que ajuda na vida do outro? Aí você sai de cena desejando coisas boas para o futuro dele(a) sem você, sem brigas, sem raiva, sem crime passional... O fim apenas, com amor ainda.
Um trecho Três trechos: "É que seguir sem mudar ou crescer É o mesmo que não ter aonde ir" ou "Mas não tem como dizer que eu não queria Que a gente tivesse um final mais feliz" e só mais um (a letra toda é linda) "Se te disserem que nada é pra sempre Saiba sempre que o amor é pra sempre".

Amanhã - Colúmbia
Para aqueles namoros que acabam por excesso de promessas, por falta de confiança, por diálogos que deixam de existir. Quando não tem mais jeito, a letra dessa música fala por você. E o clipe dela é lindo (lindo de lindo e lindo de bem produzido)!
Um trecho: "Solte as suas mãos das minhas e procure viver mais do que palavras"

***
E você, que músicas usaria pra dar aquela bicuda bem dada no rabo do filho da puta que não te valorizou encerrar um relacionamento?

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Trilha Sonora: Amanhã - Columbia. Porque enquanto eu produzo um post sobre músicas, eu as ouço pra entrar no clima.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Coisas que eu nunca saberei

Teve aquele desabamento dos prédios no RJ e os jornais só falam nisso, claro. A tristeza das famílias, quem são os (ir)responsáveis, quem são as vítimas... E eu estava lendo no jornal uma notinha com os nomes das vítimas já identificadas e, abaixo dos nomes e idades, constava alguma informação adicional. Coisas como zelador do prédio, esposa do zelador, morador de rua que estava próximo do prédio, funcionário da empresa X... Mas teve um que me chamou a atenção, mais do que aquele que falava com a noiva pelo celular e aquela que estava no msn com o marido no momento em que tudo caiu. Dizia que ele (era um homem, não me recordo o nome agora) morreu abraçado a uma carteira.
Fiquei pensando, o que teria nessa carteira? Fotos da família? Alguém ainda carrega fotos da família nas carteiras? Dinheiro que a família esperava para pagar alguma conta importante? Os documentos pessoais dele e isso foi um tipo de pensamento rápido "vou morrer e não quero ser enterrado como indigente"?
Isso me levou a um outro pensamento: se eu percebesse a morte chegando e não visse mais saída, aquele momento inevitável do "Fodeu, mano!", o que eu faria? O que eu tentaria salvar? Se houvesse mais gente comigo, quem eu tentaria salvar? Eu tentaria salvar alguém ou pensaria só em mim?
Quanto mais eu penso nisso, mais as minhas respostas parecem injustas, imorais, egoístas, fúteis e materialistas. E talvez isso mostre quem eu sou.
De repente o "certo" seria só deixar desabar e acabar.

***
Trilha Sonora: Made For TV Movie - Incubus.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Dear Young Me

Eu de novo, Camila de 8 anos.
Quero te contar sobre as pessoas que passarão pela sua vida.
Os amigos.
Das amizades que você tem hoje, nenhuma será levada para muitos anos além daí. Você manterá contato com alguns, continuará amiga de outros, mas todos eles em algum momento se perderão de você e o que restará serão notícias raras quando você encontrar com um deles na rua ou falar com algum amigo em comum.
Uma pessoa que será sua amiga por muitos anos é justamente uma garota que você já conhece, mas não gosta muito. Vou deixar o tempo te surpreender e a amizade de vocês surgirá naturalmente, como tem que ser. E isso vai acontecer na mesma época em que você encontrará algumas das amizades que carregará por muitos anos com você.
Quando você estiver na 7ª série, confie em mim, e viva intensamente cada momento, cada risada, cada lágrima derramada, cada conversa, cada música ouvida no último volume, cada gíria inventada e cada paixão que não dará em nada.
Preste atenção nos amigos que você fizer nesta época e tente mantê-los por perto o máximo que você puder. Valerá a pena.
Nos anos seguintes você fará outras amizades, algumas mais fortes e outras menos, mas todas serão importantes pra você em algum momento.
Quando você enfrentar uma grande decepção amorosa, esses mesmos amigos serão a sua principal ajuda para se reerguer. Tem um amigo em especial que vai acompanhar tudo de perto, do começo ao fim, sem saber que continuará na sua vida muito além disso.
Um dia, durante uma aula de reforço de matemática da Professora Francisca (você é e sempre será péssima em matemática. Aprenda a conviver com isso.) esse tal amigo, que ainda não será exatamente seu amigo, vai perguntar se você está bem. Você não estará bem. Diga a verdade e conte tudo o que tiver acontecido, porque neste momento você talvez tenha a chance de começar mais cedo uma amizade que vai demorar ainda uns 2 anos para começar. Se você conseguir, tenha certeza, estará fazendo um bem enorme para você mesma, ganhando 2 anos a mais de uma amizade que pode não acabar nunca.
Depois dele, tente ficar amiga mais cedo de um garoto que raramente aparecerá na escola e, quando aparecer, passará a maior parte do tempo dormindo. Aproxime-se dele e faça amizade sem medo. Vocês se darão bem como poucas pessoas no mundo. Será uma amizade das mais puras e divertidas que você terá. E encoraje-o sempre, porque ele tem um enorme potencial para crescer na vida. Quando você tiver essa  impressão, acredite que não será à toa. E tente abrir os olhos dele sobre uma amiga da sua irmã que fará ele sofrer mais do que ele merecerá.
Você fará muitos amigos. Alguns ficarão mais tempo na sua vida, outros ficarão pouco tempo, mas os que mais estarão ao seu lado serão esses três.
Tem também um amigo que será muito importante pra você, mas em um certo momento vai cruzar a linha da amizade e virar seu namorado. Se puder, evite esse namoro. Aliás, evite um pouco mais do que eu sei que você vai tentar evitar. Vai ser legal, mas não vai ser mais legal que a amizade de vocês e vai ser exatamente por culpa de coisas que esse namoro vai trazer, que a amizade de vocês vai acabar. Acredite: a amizade e a cumplicidade entre vocês será muito mais importante do que o namoro rápido que vocês terão. E quando a amizade acabar, você vai sentir muito a falta dele. E creio que ele também sentirá muito a sua falta. Ele terá muitos defeitos, mas uma coisa que você perceberá desde o primeiro contato com ele é a sinceridade que ele vai usar algumas vezes de forma tão profunda que chegará a te machucar, porque, você vai aprender: a verdade dói mesmo ás vezes.
Caso não consiga evitar o fim dessa amizade, aproveite para se divertir ao máximo ao lado dele em uma tarde enlameada de música e chuva que acontecerá. Anos depois, quando pensar nele, a imagem que virá à sua memória não será a do primeiro beijo de vocês ou a da primeira conversa (que será sobre a sua baixa estatura, motivo de apelidos semanais que ele te dará durante os anos de amizade). A imagem que virá à sua memória será a de vocês sentados na grama, debaixo de uma garoa fina, ouvindo uma música que será pra sempre associada a esse tal momento.
Enfim, espero que você não mude muito os seus caminhos, encontre essas pessoas que você deve encontrar  e consiga mantê-las o mais perto que você puder.
Os amigos são como irmãos que nós escolhemos para viver perto de nós, sem a coisa chata de dividir quarto e brigar por atenção dos pais.
Você terá o privilégio de ganhar 3 irmãos de sangue e outros 3 de coração, então aproveite.

***
Trilha Sonora:  You're a Big Girl Now - Bob Dylan. Tô apaixonada por essa música.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Tudo bem, tudo bem

Sabe quando você sente vontade de comer alguma coisa que você não sabe o que é?
Vai ao mercado, olha tudo, pega umas coisas, mas não é nada daquilo?
Uma vontade não-sei-de-quê que chega a sufocar.
Aí você se toca que andou socorrendo mais do que foi socorrida, que andou ouvindo mais do que foi ouvida, que andou aconselhando mais do que foi aconselhada e porra! o que eu faço com essa vontade de-não-sei-o-quê?
Tá tudo errado.
Um dia que me obriga a escrever cinco posts não é um dia normal. Porque eu só preciso escrever quando as coisas não estão normais.
Por isso me aconselho agora a passar o dia e a noite e o próximo dia internada na minha cama, ouvindo música bonita e vendo filme que faz chorar.
Se ninguém vai me socorrer, eu mesma me socorro e me interno e me cuido.
E que chova muito até terça-feira, porque aí eu tenho que levantar e ir trabalhar porque todo carnaval tem seu fim e minhas férias não duram pra sempre.
Até lá eu descubro que vontade é essa ou percebo que eu tô é engasgada e preciso de uns tapinhas nas costas pra resolver.

***
Trilha Sonora: Vanessa da Mata., mas pulando os ai,ai,ai,ai dela, que hoje eu tô só no ritmo de som de jardim de sonho.

As lanternas chinesas

Eu queria trazer-te uns versos muito lindos
colhidos no mais íntimo de mim...
Suas palavras
seriam as mais simples do mundo, 
porém não sei que luz as iluminaria
que terias de fechar teus olhos para as ouvir...
Sim! Uma luz que viria de dentro delas,
como essa que acende inesperadas cores
nas lanternas chinesas de papel!
Trago-te palavras, apenas... e que estão escritas
do lado de fora do papel... Não sei, eu nunca soube o que dizer-te
e este poema vai morrendo, ardente e puro, ao vento
da Poesia...
como 
uma pobre lanterna que incendiou!

Mario Quintana

***
Quintana sempre me deixa num misto de felicidade com melancolia e esse poema em especial me faz pensar numas coisas que eu nem queria pensar, mas enfim...
Eu nunca sei o que dizer mesmo, então deixa a tal lanterna incendiar e o dia passar.

***
Trilha Sonora: Strokes pra tentar me animar nessa manhã de chuva de um dia que promete ser longo e tedioso.

Dear Young Me

Uma coisa que você deve saber e um bom jeito de começar esse novo contato é dizer que você tem uma tendência a se empolgar muito com certas coisas e depois de algum tempo, não deixar de gostar delas, mas passar a sentir uma imensa preguiça de levá-las adiante.
Isso de bater papo com você, Camila de 8 anos, é um exemplo. No começo me pareceu uma idéia sensacional te contar as coisas da sua vida futura, mas depois comecei a sentir uma enorme preguiça de estragar as surpresas boas e te alertar quanto às ciladas da vida.
Em algum momento da sua vida, você vai passar desse estágio de mini-leitora compulsiva e se tornará uma moça que gosta de escrever. Vai escrever em diários. Muitos. Vai escrever em paredes e portas de banheiro da escola quando estiver apaixonada e este será um método vândalo-fofinho de trocar juras de amor com aquele garoto magrelo que você vai conhecer daqui um tempo e se apaixonar e blá blá blá. Acho que já falamos dele. Se não falamos, aguarde o dia 28 de novembro de 1998. Vai valer a pena.
Mas não era sobre isso que eu ia falar. Era sobre as coisas que você enjoa no meio do caminho.
Você nunca será uma atleta e a natação que você largou aos 2 anos será apenas o começo de uma série de coisas que você abandonará ao longo dos seus 25 anos (que é só até onde eu posso te falar no momento).
O balé que só durou um dia também vai ficar como uma lembrança e nunca será um desejo na sua vida. Você não nasceu para essas coisas de menininha, aceite. Aliás, uma correção: coisas de menininha na sua vida só existirão em momentos muito específicos, como o seu baile de 15 anos e as formaturas de 8ª série e faculdade que, adivinhe! você vai abandonar.
É que você tem essa tendência de não se sossegar em canto nenhum, de não se acostumar com coisas que se mostram eternas. Tudo que se mostra longo demais, sério demais, duradouro demais te assusta.
E é isso que vai te afastar do curso que você vai escolher.
Não acho que você deva fazer as coisas para agradar aos outros, mas se puder não esquecer de uma coisa que vou te contar, talvez você encontre ânimo para se formar de verdade, mesmo que seja só pelo diploma. É o seguinte: o sonho do seu avô é que você estude outros idiomas para que ele possa um dia viajar o mundo com você sendo a intérprete dele. Não tenho muita certeza, mas acho que isso foi um fator decisivo na hora de escolher estudar francês na faculdade (e japonês durante um semestre, mas já adianto que seu cérebro vai fritar com tantas regrinhas).
Só que esse desejo dele vai se perder dentro de você e aí a coisa toda vai desandar e você vai largar o curso na primeira oportunidade que você tiver.
A primeira pessoa que vai te falar o nome desse curso, como sendo a sua cara, será um amigo seu que ainda não entrou na sua vida, mas quando entrar, nunca mais vai sair. Preste atenção e pense bem antes de escolher. Mas eu concordo que é mesmo a sua cara.
Você terá outras opções e te garanto que nenhuma opção estará além da sua capacidade. Você herdou do seu pai um cérebro afiadíssimo para áreas de humanas. Sua mãe, infelizmente, não te presenteou com os genes matemáticos dela e você vai se foder bastante na hora de passar de ano nas matérias da área de exatas. Um conselho: aprenda a colar.
Uma notícia triste agora: estou com 25 anos e ainda não sei o que fazer da minha vida profissional, não tenho certeza de qual seja o meu talento e não sei se posso ganhar dinheiro fazendo algo que eu goste. Se você puder, então, esforce-se um pouco mais para descobrir isso porque te digo que é angustiante a sensação de ver a vida passar e nenhum talento que sirva como emprego surgir.
E o ponto principal disso tudo é que você deve ter algum problema de concentração porque quando eu comecei a escrever isso, eu queria te dizer algo totalmente diferente do que saiu, portanto, procure ajuda enquanto ainda pode corrigir alguma coisa. Ou não.

***
Trilha Sonora: Blowin in the Wind - Bob Dylan.

Arte de Fumar

Desconfia dos que não fumam: esses não têm vida interior, não têm sentimentos. O cigarro é uma maneira disfarçada de suspirar...
Mario Quintana 

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Longe de mim fazer qualquer apologia ao cigarro ou coisas que sabidamente façam mal à saúde, mas confesso que quando estou meio assim, cansada de certas coisas, pessoas, atitudes e situações (e só Deus sabe como estou cansada) sinto uma enorme vontade de acender um cigarro e me permitir suspirar disfarçadamente, sem ter que explicar nada, sem deixar transparecer coisa alguma. E nesses momentos, ao invés de fumar, eu penso nesse poeminha (nunca sei como chamar os escritos do Quintana, mas poeminha me parece mais carinhoso e correto por serem quase sempre tão curtinhos) e suspiro pra dentro.
Mas quando eu voltar a ter as escadas de incêndio com vista para o balanço do gramado, quem sabe...

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Trilha Sonora: Um silêncio aqui dentro.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Resolução nº4

Recentemente passei por um dos maiores transtornos da minha existência (até aqui): organizei sozinha uma mudança pela primeira vez na minha vida.
Mudança, na real, nem é um transtorno pra mim. Moro em casa alugada desde que eu nasci, portanto, perdi as contas de quantas vezes minha família trocou de endereço. Mas todas as vezes que isso aconteceu, a Sra. Minha Mãe correu atrás de tudo e a única coisa que eu precisava fazer era encaixotar as coisas do meu quarto e depois, talvez, ajudar meu pai a montar os móveis na casa nova (sempre fui meio Pereirão).
Em 2009, quando saí da casa dos meus pais para ir morar na casa de parentes e, 3 meses depois, ir morar sozinha, fui com uma mala de roupas e só. O resto das coisas eu fui ganhando, comprando e levando da casa dos meus pais para a minha casa depois, conforme eu vinha visitá-los e me lembrava que "Nossa! É muito necessário que eu leve comigo umas 10 revistas velhas que eu já li 8 vezes. Vai que eu preciso de uma informação que está justamente em uma dessas revistas?".
E assim, 2 anos e meio depois, na hora de organizar sozinha a minha mudança de volta ao interior, percebi a quantidade de tranqueiras que eu acumulei nesse tempo.
Roupas que eu não lembrava que tinha e a maioria nem me serve mais, CDs que eu fiz questão de levar comigo em algum momento e que eu nem tive vontade de ouvir nesse período, quinquilharias que eu comprei sabe Deus por qual motivo e não servem para coisa alguma, louças que eu nem usava...
Levando em consideração o tamanho da casa que eu morava (sala, quarto e cozinha, sendo que a sala abrigava exclusivamente uma mesa e uma geladeira), consegui juntar muito mais coisas do que eu realmente precisava ali dentro: foram 15 caixas de tamanho médio e pequeno, dois sacos enormes de roupa e coisinhas avulsas que não dariam para ir em caixa nenhuma.
Por motivos de força maior, acabei me desfazendo dos móveis todos: geladeira, mesa, fogão, tanquinho, estante, cama, guada-roupa. O resto, as caixas, trouxe tudo dentro de um carro.
Agora metade da minha vida está empilhada na sala da casa da minha mãe, aguardando um rumo que eu ainda não decidi qual será e, enquanto decido, essa pilha de caixas me faz pensar o que eu realmente preciso daquilo tudo que está ali?
Desde que cheguei, há 2 semanas mais ou menos, só abri as caixas onde estavam as coisas da estante e de tudo que estava nela, só "precisei" dos meus DVDs. Meu irmão quis um e meu pai usou um outro. Eu mesma, até agora, só estou assistindo a primeira temporada de Gilmore Girls que eu comprei pouco antes de vir embora (amo essa série e deu vontade de rever tudo). O resto permanece lá, encaixotado.
Então, como minha resolução nº4, tentarei me desapegar dessas coisas materiais que, agora eu sei, na hora de uma mudança só servem para pesar as caixas e ocupar espaço. Vou tentar me desfazer, pouco a pouco, das coisas que eu não uso e nem sei quando vou usar. Isso inclui desde roupas a enfeites de estante.
Talvez eu até consiga depois de um pouco de treino, terapia e muita oração, me desfazer de parte da minha coleção de joaninhas que ocupa enorme espaço na minha vida.
Não quero virar aqueles monges que vivem só com a roupa do corpo, mas não quero mais carregar coisas que pesam e não servem para nada além de enfeitar.
Coisas com valor sentimental estão fora dessa história.

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Trilha Sonora: Uma música do LS Lack na minha cabeça. Vergonha alheia define o que vocês sentem por mim nesse momento. Em minha defesa digo que a música na verdade é dos Titãs, mas em minha acusação (sou auto-suficiente nesse tribunal: sou ré, advogada de defesa, acuso e julgo), digo que é a versão do LS Jack que tá tocando na minha cabeça mesmo.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Resolução nº3

Fiquei órfã do recurso de compartilhar do Google Reader. Era a segunda melhor coisa do Reader (a primeira é o próprio leitor de feeds) e isso já é assunto velho, super debatido e lamentado pela internet toda. Acabou, acabou, uma pena, sinto muito, paciência.
Daí que eu resolvi que sou muito legal e quero continuar dividindo com o mundo todas as coisas super interessantes que eu vejo no Reader e, como eu tenho também este bloguinho que vive mais abandonado que atualizado, tcharam! vou inaugurar a sessão (ainda sem nome) de compartilhamentos semanais das melhores coisas que achei através do Reader.
Assim eu aproveito e mantenho um ritmo constante de atualizações do blog, como ele era no começo e me fazia tão feliz.

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Trilha Sonora: Acabou - Roberta Campos.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Resolução nº2

Uma coisa que estava me incomodando muito nos últimos dias era o meu peso.
Estou oficialmente gorda e isso só se torna oficial quando eu não entro nas minhas calças jeans e me olho no espelho e só enxergo barriga.
Aproveitei o clima de mudança de casa e cidade, de adaptação ao novo ambiente de trabalho (que só começará no dia 17. Tô de férias, beijos), de ano novo e tudo mais e resolvi que semana que vem, logo após receber meu rico dinheirinho, vou atrás de roupas de academia e começarei a me exercitar loucamente pela primeira vez na minha vida. Só vou parar quando eu couber de novo nas minhas calças jeans de 2 anos atrás e quando eu olhar no espelho e soltar um "tô gostosa para caralho, heim!".
Se eu gostar dessa coisa de exercício físico, talvez eu nem pare. Se eu não gostar (amo tanto ser sedentária, gente... De verdade!), entra aí a ajuda médica para me reeducar na hora de comer e me ajudar na manutenção do futuro corpinho diliça que vou conquistar.

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Trilha Sonora: Mr. Unhappy - Julie Delpy.

Resolução nº1

Começou o tal último ano do mundo.
Não fiz listinha de promessas impossíveis para 2012, mas tem uma ou outra coisinha que resolvi tentar fazer neste novo ano.
A primeira delas é evitar reclamar. Sou muito chata, reclamo de tudo e de nada. Não gosto disso (seria esta uma reclamação contra minhas reclamações?).
Quando vier uma reclamação na minha cabeça, vou tentar frear logo, substituindo por um elogio. Talvez, se eu puder controlar o que eu penso, consiga controlar o que eu falo.
Vou tentar, sem compromisso e sem culpa, caso eu não consiga.

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Trilha Sonora: Pra Sempre - Samuel Rosa e Marina Lima.