quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

As Verdades Inventadas

Passamos a vida toda dizendo que dinheiro não compra felicidade, mas não deixamos de apostar na Mega da Virada e fazer hora-extra pra ganhar unzinho a mais no pagamento. Passamos a vida dizendo que não podemos viver sem tal coisa/pessoa, mas quando a tal coisa/pessoa se vai nós não viramos purpurina no ar e deixamos de existir em protesto. Passamos a vida dizendo que adoramos verduras e alface, mas trocamos sem pensar um pratão de salada fresquinha por um pão com ovo frito na manteiga com queijo derretido (me desculpe quem não come pão com ovo. É que estou com desejo de pão com ovo desde ontem). Passamos a vida dizendo e ouvindo que estudar é muito importante, mas adoramos as férias e sempre achamos que elas duram menos do que deviam e que 50 minutos ouvindo um professor falar são mais tempo do que queríamos.
Quando digo "passamos", sei que posso estar falando mais por mim do que por qualquer outra pessoa que não seja eu. Mas é que passamos a vida também tentando dizer/adivinhar/impor o que os outros gostam com base no que nós mesmos gostamos e achamos que todos deveriam gostar.
Eu sempre disse que mulher deve mesmo trabalhar pra ajudar o marido, ser independente e ter um dinheiro seu também, além do dinheiro da família. Sempre acreditei que ser independente compensava qualquer esforço, como o de levantar às 5:30 pra estar no trabalho às 7:00. Agora me vejo questionando se, quem sabe, talvez não seja melhor voltar a só estudar e deixar que me sustentem, ao invés de gastar 40 horas semanais em um lugar que não tem me feito bem, não tem me ensinado coisas novas e não me dá perspectivas de crescimento. Aí penso que, pelo bem do casamento que se aproxima, o mais sensato é aguentar como está, guardar um dinheiro para ajudar no começo da vida a dois e depois, quando houver oportunidade, trocar de emprego, mesmo que um novo emprego não signifique necessariamente a tal satisfação profissional que eu sempre sonhei.
Penso que o mais sensato. Passamos a vida pensando que somos as pessoas mais sensatas e racionais do mundo.
E quando eu digo "passamos", quero dizer que eu passamos. Insisto tanto nisso de ser racional e agir sem levar em conta as emoções, que eu quase acredito que as coisas podem funcionar sempre assim, deixando de fora o lado pessoal.
Passamos a vida inventando detalhes para a nossa personalidade simplesmente porque achamos que seria legal eles existirem. Só que não existem e a nossa personalidade, na verdade, não é tão legal quando gostaríamos que fosse.
E quando digo "a nossa", quero dizer a de vocês, porque eu inventei que a minha é super legal e vou fingir que acredito nisso.

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Trilha Sonora: "Eu sempre fui assim Meu jeito me convém" - Rádio de Outono. Esqueci o nome da música, mas ela tá tocando sem parar na minha cabeça porque ouvi umas vinte vezes seguidas ontem.


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