segunda-feira, 26 de maio de 2008

Estagiando no Inferno - Parte 3

Vocês já sabem da minha saga como estagiária em uma sala de 7ª série de uma escola pública aqui no interior de SP.
Acontece que a minha paciência, que andava meio curta, não me deixou continuar.
Resolvi falar com o meu coordenador de estágio e avisei que eu estou trocando de escola.
Ele não gostou muito, mas dane-se! Não é ele quem está gastando R$ 8,00 para observar como não se deve trabalhar com crianças/adolescentes.
Eu sei, estágio é isso mesmo: observar e aprender o que se deve ou não fazer.
Acontece que eu não vi nada de novo nesse período em que fui lá olhar para a cara da professora e dos alunos encapetados e, pagar R$8,00 para ver coisas que eu já sabia como eram, não dá.
Pois bem. Arrumei outra escola para cumprir minhas (sei lá quantas) horas obrigatórias de observação e regência. E não vou ter que gastar nenhum centavinho para isso.
Eu deveria estar feliz, animada, empolgada e saltitante, né? Não estou.
Semana passada, tô lá na rodoviária esperando um ônibus (sim. Metade da minha vida acontece dentro de ônibus/rodoviárias), fazendo nada de interessante, resolvi gansar a conversa alheia que quase sempre é mais interessante.
(...)
- Tinha era que ter um policial dentro da escola, o dia inteiro.
- Ah, mas eu acho que devia era ter um policial dentro de cada sala de aula.
- Imagina, menina, esses dias um aluno entrou na cozinha, pegou uma faca e saiu correndo dentro da escola dizendo que ia matar um outro menino lá! Que absurdo! Tivemos que segurar o aluno...
- Meniiiina! Que horror...
(...)
Continuei gansando a conversa até descobrir em que escola as duas trabalhavam.
É. Acertou quem disse que é na escola para onde estou transferindo meu estágio.
Ou seja: troquei seis por meia dúzia.
E agora preciso arrumar um colete à prova de balas, um capacete, luvas de boxe e tudo mais que houver disponível para eu me proteger desses anjinhos caídos.
Se um deles me matar com uma faca das merendeiras, não se preocupem. Eu dou um jeito de avisar lá do além que eu não volto mais.
Só espero que ninguém saia correndo. Juro que não vou puxar o pé de vocês.

***
Trilha sonora: Na Veia - Cordel do Fogo Encantado.

8 comentários:

maray disse...

eu dei aula por um ano só, por sorte. Uma adolescente simpática botou fogo nas cortinas da classe. Depois disso decidi abrir uma livraria...fali 3 anos depois, não ganhei nada a não ser experiência mas foi melhor assim.
ê vida essa, né?

Bel Gasparotto disse...

Mila Maria, a coisa anda feia por aí também, né? E olha que eu achava que no interiorrrr os ares fossem outros...

Não se preocupe tanto, é realmente raro um aluno fazer algo como essas coisas ao professor. Tudo é questão de saber levar, e, acima de tudo, não aceitar esse tipo de coisa. Problema é que a maior parte dos professores/equipe gestora aceitam, acham que 'não há nada que se possa fazer', e acabam fazendo quase a mesma coisa. Vira uma bola de neve.

Luca disse...

hauishauihsaiushuaish

Me desculpe, mas eu tinha que rir. Isso deve ter sido praga do teu orientador.

Lile disse...

Oi, moça!
Eu dei aulas pra crianças de seis anos, alfabetizando. Menina, que vontade de sumir! Eu fiquei praticamente surda com tanta gritaria!
Daí eu decidi que se um dia voltasse, ia ser pra adultos. Mas aquele mestrado tá agarrado...
Bjo, boa sorte na nova escola

Di disse...

Hummm, ao menos talvez de tédio você não morre lá, né? hehehehe...

Boa Sorte!

.Ná. disse...

Só por Deus, Mila! Dessa ai eu nunca vi.. já vi aluno bater cabeça na parede e querer pegar o outro, mas com a faca nao! ahuahuah
Bjos

Edu Guimarães disse...

To percebendo que vida de professor é uma aventura atrás da outra! Mas é lindo né, essa profissão que é um sacerdócio! Lembre-se, o futuro do BRasil está em suas mãos!

(háháháhá)

Beijo pra vc!

Mike disse...

Vida de professor é foda!!!1
E olha que eu ando me candidatando por aí... semestre q vem começo a lecionar... quero ver no q vai dar!!!

Abração