sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Histórias de balcão

Eu não trabalho exatamente com o atendimento ao público, mas de vez em quando, se as pessoas que devem fazer isso estão ocupadas ou ausentes, vou lá pro balcão e atendo um pai, uma mãe, um aluno e, com um pouco de sorte (?), um bêbado passante que pára ali só porque temos um balcão.
Essa semana, fim de ano, muita gente tem procurado a escola por conta da reunião de pais que se aproxima. Um dia desses, não tinha mais ninguém na secretaria que pudesse atender e eu fui lá ver o que queria uma pessoa que batia insistentemente na janelinha fechada, duas horas antes do horário do atendimento.
Era uma senhora com a filha, aluna nossa. Ela queria saber o dia e horário da reunião de pais da sala da menina.
- Qual a série dela?
- 8ª série.
- Vou pegar o bilhete pra senhora. Eles levaram para os pais na semana passada.
E fui dando o bilhete para a velha senhora. Mas...
- Não precisa bilhete, não. Eu tenho já.
Ler pra quê, minha gente? Se ela é analfabeta, tudo bem, acontece. Mas a filha dela não é.
Daí ela recebe o bilhete, super detalhado, mais claro impossível. Só que não acredita no que leu ou não estava com vontade de ler e vai lá no balcão, duas horas antes do horário de atendimento para me perguntar exatamente o que estava escrito no bilhete.
E eu tenho que sorrir e ser bem educada.

***
Trilha Sonora: Everything looks different at night - Kath Bloom

3 comentários:

Everton Augusto disse...

É... Eu que trabalho em secretaria de escola tenho muitas destas histórias também.
;D
Abraço.

Sr. Namorado disse...

Ela só queria ver uma pessoa bonita amor.

Atitude: substantivo feminino. disse...

Eu acho que ela não acredita na filha..e por isso foi lá em vc confirmar...a menina devia estar "armando" hehehe